sábado, 7 de abril de 2012

Inflação ou Crescimento?

Emprego pra todos ou Desemprego?

Acrescentaria ainda: Primeiro as pessoas, ou o lucro das empresas?

O dilema continua. Ontem eu mostrei uma matéria da Folha sobre a Inflação no Brasil e o crescimento econômico das empresas e do país. Hoje vem o mesmo debate, só que agora é nos Estados Unidos e o autor da matéria da Folha é premio Nobel de Economia. Não é um mero economista repetidor do discurso neoliberal.

O bom do debate já começa com o título:

Mais inflação, por favor


Paul Krugman – Folha SP – 07/04/12

Há alguns dias, Alan Greenspan, o ex-presidente do Federal Reserve (o banco central americano), fez um discurso em defesa de seu sucessor. Ataques de republicanos a Ben Bernanke, ele disse, são "completamente inapropriados e destrutivos". Mas por que os ataques são tão devastadores? Afinal de contas, ninguém na América deveria ser imune a críticas, muito menos aqueles -como os diretores do Fed- que têm o poder de fazer nossas vidas melhores ou piores.

Não. O real motivo dos ataques a Bernanke serem tão negativos é que eles são um esforço para induzir o Fed a tomar a decisão errada. Quem critica a política da instituição quer que ela sufoque a recuperação, ao invés de acelerá-la.

A direita quer que o Fed se mantenha obsessivo com a inflação, quando a verdade é que estaríamos melhor se, em vez disso, ele
se preocupasse mais com o desemprego.

Na realidade, um pouco mais de inflação não seria uma má ideia.

O Fed tem, segundo a lei, um mandato duplo: preocupar-se com a oferta de empregos e também com a estabilidade dos preços. E uma política mais agressiva para lutar contra o desemprego talvez levasse a inflação acima dos 2%.

Mas lembre-se das obrigações do Fed: se ele se recusar a aceitar os riscos no campo da inflação, mesmo com a desastrosa performance do emprego, seria o mesmo que violar seu próprio estatuto.
E, mais que isso, se a taxa tivesse uma alta maior, para 3% ou 4%, seria terrível? Pelo contrário, iria ajudar a economia.

A maioria do setor privado continua a ser prejudicada pelo excesso de dívida acumulada durante o período da bolha imobiliária. Esse débito é, sem dúvida, o principal fator a impedi-lo de investir e, por consequência, perpetua a crise. Uma taxa modesta de inflação poderia, no entanto, reduzir essa ameaça - fazendo com que a dívida assuma seu real valor - e ajudar a promover a melhora de que o setor privado necessita.

Ao mesmo tempo, outras áreas do setor privado acumularam grandes quantias; uma inflação moderada faria esse montante estagnado menos atraente, agindo como um estímulo ao investimento.

Em resumo, longe de temer que medidas contra o desemprego levem a uma escalada da inflação, o Fed deveria desejar essa previsão. Esse raciocínio me leva de volta às criticas republicanas e seu efeito negativo na política.

Realmente, Bernanke gosta de insistir que ele e seus colegas não são afetados pela política. Mas essa afirmação não é coerente com o comportamento do Fed - ou, às vezes, com a falta de medidas tomadas pela entidade.
Como muitos analistas têm notado, a própria previsão do Fed indica que, enquanto as coisas têm melhorado um pouco, ainda são esperados inflação baixa e desemprego alto nos próximos anos.

A mais recente reunião desse órgão mostrou que o Fed está inclinado a não tomar providências, a não ser esperar que as coisas se direcionem para o pior caminho. Então, o que está acontecendo? Creio que os membros do Fed, admitam eles ou não, estão se sentindo intimidados - e são os trabalhadores americanos que estão pagando o preço por essa timidez.

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