sábado, 21 de abril de 2012

Dilma deu o Recado

O Brasil precisa se libertar das “amarras”

Falando para os novos Embaixadores do Brasil, Dilma deu uma verdadeira aula, tanto para os formandos, como para os empresários, sindicalistas, políticos, juízes, políticos e jornalistas. Com educação, didática, ela matou a saudade do tempo que a mãe dava aula em Minas Gerais.

Dilma mostrou como se fala de coisas sérias e conflitantes, mantendo o respeito com todos.
Se aprendermos a trabalhar como Dilma, todos sairemos ganhando, principalmente o Brasil.
Viva o 21 de Abril, Dia de Tiradentes!

Vejam a matéria do Caderno Econômico do Estadão de Hoje:


Taxa de juro, câmbio e impostos altos são as três 'amarras' do País, diz Dilma

Em solenidade de formatura de novos diplomatas, a presidente também criticou a desvalorização das moedas e as guerras comerciais

21 de abril de 2012 | 3h 08 - RAFAEL MORAES MOURA , TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Mesmo com a redução da taxa básica de juros e dos cortes promovidos por bancos públicos e privados nos custos dos financiamentos, a presidente Dilma Rousseff voltou a atacar ontem os valores cobrados no mercado de crédito. Para a presidente, a taxa de juro, o câmbio e os impostos altos são "amarras" do País.

Diante de uma plateia de novos diplomatas, Dilma criticou também a desvalorização de moedas e guerras comerciais, que, segundo ela, usam métodos "não muito éticos".
"Nós temos de equacionar três amarras do País e construir o caminho, o chamado quarto caminho. As três amarras são: taxa de juro, taxa de câmbio e impostos altos. E o caminho é a educação de qualidade", discursou Dilma, durante cerimônia de formatura da turma de 2010-2012 do Instituto Rio Branco, no Palácio Itamaraty, em Brasília.

A queda dos juros virou uma das principais bandeiras do Palácio do Planalto, que usou os bancos oficiais para forçar a redução dos juros no mercado de crédito. Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou a Selic em 0,75 ponto porcentual, para 9%.
Questionada por jornalistas se a redução dos juros promovida pelos bancos já era suficiente, Dilma respondeu: "O Brasil tem de buscar um patamar de juros similar ao praticado internacionalmente". Para a presidente, diante do que ocorre no mundo, fica difícil justificar spreads (diferença entre a taxa de captação dos bancos e o juro cobrado dos clientes) "tão elevados" no País.

"Acredito que isso (o spread) será um processo de amadurecimento do País, que vai nos encaminhar, progressivamente, para termos juros mais condizentes com a nossa realidade também", afirmou, em rápida entrevista.
"Somos, hoje, um país que tem reconhecidamente uma situação econômica de estabilidade, de respeito.

Somos um país que tem absoluto respeito aos princípios macroeconômicos, de controle de inflação, de robustez fiscal, relação dívida/PIB. Temos uma situação muito especial em relação às economias emergentes. Estamos caminhando para taxas maiores de crescimento."

Na opinião da presidente, os juros devem refletir essa "realidade de maturação". "Não entendo os fundamentos técnicos de certo nível de spread. Vou ficar olhando.

Eu acompanho a situação econômica do País todo o santo dia." Dilma disse que vai acompanhar de forma sistemática toda a situação nacional: inflação, valor das commodities, taxa de câmbio do Brasil e dos demais países. "Vou olhar também juros", destacou.
Indagada se o spread havia chegado a um bom nível, Dilma respondeu: "Se alguém te der essa resposta, você me apresenta, que eu vou indicá-lo ao Nobel".

Indústria.
Durante o discurso no Itamaraty, a presidente voltou a defender a indústria nacional. "É esse país que não vai deixar a sua indústria, que é uma indústria razoavelmente complexa, ser sucateada por nenhum processo de desvalorização de moedas nem por guerras comerciais, que usam métodos, eu diria, não muito éticos."
Dilma fez questão de distinguir o cenário brasileiro dos demais países atingidos pela crise internacional. "Num mundo crescentemente desigual, em que, por exemplo, 1% controla 40% da riqueza, e isso tende a se ampliar, num mundo em que a saída da crise tem levado à perda de direitos, à precarização do trabalho e a imensas chagas sociais, o Brasil corre em trilha completa e totalmente diferente."

Para a presidente, a relação com os países asiáticos é estratégica. "É estratégica, porque o Brasil é um grande fornecedor e será sempre um grande fornecedor de commodities, mas será, eu asseguro, um grande fornecedor também de manufaturas."

Dilma não quis falar com a imprensa sobre a possibilidade de mudanças nas regras da caderneta de poupança. "Essas discussões não devem ser feitas comigo. É da área do ministro da Fazenda, em consulta ao Banco Central. Essa não é uma área na qual me posiciono."

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