sábado, 17 de março de 2012

Transporte em SP é Insuportável

Nossa imprensa devia ouvir mais o povo

No dia 14 passado, eu postei o texto “Transporte Urbano em São Paulo -
Metrô, Trem e Ônibus, você escolhe o problema.” Que começava com o depoimento de uma colega de trabalho que demora três horas para vir e três horas para voltar, se não chover e não houver acidentes.

Coincidiu que neste mesmo dia 14, os Trens e o Metrô de São Paulo entraram em parafuso e centenas de milhares de pessoas ficaram sem transporte. Muitas me telefonaram para comentar o sofrimento, outras entraram no blog e no facebook, comentando a angústia que é pegar ônibus, trem ou metrô em São Paulo.

Este depoimento que resolvi aproveitar e divulgar como destaque de hoje, é o depoimento de uma mãe de família, com três filhos adolescentes e que, além de trabalhar, também estuda.

Para ela, e para milhões de trabalhadoras, o transporte deveria ser o elo de ligação entre o mundo do trabalho, que lhe sustenta, e o mundo da família, que é a sua alegria de viver. No entanto, o transporte coletivo, que ela chama de transporte público, é o momento mais traumático do dia.

Ao cúmulo de alguém dizer que “se cansa mais no tempo que fica no transporte do que no tempo que fica no trabalho”. Como dizia nosso velho guia Caetano Veloso: “Alguma coisa está fora da ordem”.

Vejam o depoimento desta mãe de família e vítima do transporte coletivo:


Gilmar,

O Transporte em SP é Insuportável

Este tema é quente. Este tema fala diretamente com o POVO.
E o povo sofre. Pena que sofre calado. De tão esgotado que fica com o transporte público em SP e de ser sugado pelo empregador, não deve conseguir reunir energia e tempo para ir atrás de seus direitos.

Eu sou parte do povo. Se houvesse uma escala para medir o sofrimento com o transporte público eu estaria num dos níveis mais baixos e AINDA ASSIM eu lhe digo: é insuportável utilizar o transporte público na hora de pico. Mas, o que fazer se o trabalho nos coloca como condição encerrar nosso trabalho em horários que convergem milhões de pessoas num mesmo desejo: ir para a casa, seja para trabalhar ainda mais e poder ficar com sua família ou para cumprir qualquer outra agenda.

O transporte público em SP é insuportável. É desumano.

Nos sentimos como gado, não há outra expressão que possa ser mais síntese desta condição.
Espremidos, literalmente espremidos. Socados, jogados, derrubados e até colados no suor do corpo do outro, que trabalhou o dia todo no país tropical.

Vejo senhoras sendo lançadas
contra a parede do trem, próximas as portas, pois alguém empurrou lá atrás e aquilo assume outras proporções, machucando de verdade quem está no meio, no lado, etc.

Vi pessoas que quebraram o braço, que tiveram seus óculos lançados para fora do rosto, cotovelo que crava na clavícula do que se posiciona ao lado, cabelo que ficou preso na bolsa da pessoa ao lado, cheiro do bafo, daquele que aguarda o jantar depois de um longo dia de trabalho, a centímetros de distância do seu nariz, partes dos corpos que se compactam, sem haver o menor cabimento de se pensar em pudor. Perde-se objeto, rasga-se roupa, xinga-se o companheiro ao lado, mas não se constrói crítica organizada destes que passam por isso TODOS OS DIAS.

Já ouvi muita gente dizer no metrô: "canso mais para ir e voltar do trabalho do que trabalhando de fato". Isso deve dizer alguma coisa, porque como sabemos nenhum empregador paga o empregado para ficar descansando.

O metrô conseguiu superar a exploração no trabalho?

Nas eleições sugiro aos candidatos que querem uma bandeira boa para defender e ajudar o povo que sofre:
Melhorar o transporte público, seja metrô, trem ou ônibus.
Pois todos estão consolidando aquilo que não achávamos que éramos: Gado, animal irracional.

Abraços,
Ana Tercia Sanches

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