sábado, 17 de março de 2012

Pão de Açucar - Batalha de Predadores

O Brasil perde mais...

De repente, como se fosse uma matéria extemporânea ou encomendada, a Folha de S.Paulo publicou no caderno de mercado do dia 11 de março, domingo, uma página inteira sobre a disputa pelo controle do Pão de Açucar.

É a maior rede varejista no Brasil e que tem uma história de disputas familiares e depois com os concorrentes nacionais e internacionais, onde sempre Abílio Diniz saía vencedor. No mundo empresarial, Abilio Diniz, sempre foi conhecido como uma pessoa que aplicada o princípio maquiavélico de que “os fins justificam os meios”.

Como a “guerra de mercado” é muito parecida com as “guerras convencionais”
onde, muitas vezes, os fortes se acostumam com a sua força até o dia que perdem para os mais fracos, Abilio Diniz, que sempre venceu, resolveu dar uma cartada maior do que as anteriores e encontrou um “predador” tão astuto quanto ele. Um predador que também aplica o princípio de que “os fins justificam os meios”.

E, mais uma vez, uma grande empresa brasileira, de capital nacional, vai ser vendida e controlada pelo capital estrangeiro, tendo sua sede fora do Brasil. Repete-se assim nossa História de “Complexo de Vira-Lata”.

O Brasil caminha para ser a sexta e a quinta maior economia do mundo, mas seus empresários, sua imprensa, seus parlamentares, seus juristas, seus militares, enfim, seu povo ainda não aprendeu que um país só é efetivamente independente, livre e soberano, se tiver autonomia econômica. Esta é a lição da História.

A Coréia do Sul, o Japão, a Índia e a China, todos eles desenvolveram sua indústria automobilística própria. O Brasil não tem nem fábrica de tratores, quanto mais de automóveis e caminhões. Ah, temos a Embraer, temos os Bancos, temos a Vale do Rio Doce... Gostaria que tivéssemos muito mais.

Ao ler a matéria da Folha a conclusão é sempre a mesma, nesta briga de predadores,
o principal perdedor foi o Brasil. E mesmo tendo perdido esta disputa, Abilio Diniz merece estar no rol dos grandes homens que contribuíram para a melhoria da economia brasileira.

Vejam partes da matéria da Folha:

Casino quer formar rede na América Latina


Pão de Açúcar só teria ações ordinárias e seria fundido com subsidiárias do grupo francês em nova empresa até 2016 . Mudança começaria a partir de 22 de junho, quando Diniz transfere controle ao Casino; projeto fere acordo

Folha SP, 11/03/12 –domingo - TONI SCIARRETTA, JULIO WIZIACK

O empresário Abilio Diniz, presidente do conselho do Grupo Pão de Açúcar, tentou, mas não conseguiu uma reconciliação com Jean-Charles Naouri, presidente do sócio francês Casino.
O grupo vai assumir o controle da maior varejista brasileira no dia 22 de junho, conforme foi acertado em 2005, dando início a uma reestruturação que prevê o agrupamento de todas as subsidiárias do Casino na América Latina. Além do Brasil, o grupo opera no Uruguai, na Argentina e na Colômbia.

A "virada" prevê a permanência vitalícia de Abilio na presidência do conselho e confere a ele poder para escolher o presidente da companhia a partir de uma lista tríplice indicada pelo Casino.
O acordo tem validade até 2045, mas poderá ser extinto caso um dos acionistas tenha sua participação reduzida a menos de 10% das ações com direito a voto. Isso deve ocorrer com o plano do Casino de fundir as subsidiárias latino-americanas.
Com a nova estratégia, o grupo francês acredita que Abilio decidirá sair e já trabalha com a possibilidade de que ele venda suas ações. Para isso, existe um outro acordo estabelecendo as condições de preço para a compra das ações do empresário brasileiro pelo Casino.

O francês Naouri não fala com Abilio desde meados de julho do ano passado
, quando soube que o brasileiro conseguira apoio do BNDES e do banco BTG Pactual para fundir o Pão de Açúcar com o Carrefour no Brasil.
O Casino considerou o negócio uma "traição" por não ter sido informado previamente e porque levaria o grupo francês a uma diluição na nova empresa, pela qual pagou pelo controle em 2005.

Desde então, representantes de Abilio tentam uma reconciliação. A situação piorou após a proposta de "saída" de Abilio do Pão de Açúcar, em que ele ficaria com a Globex, empresa que surgiu após a união entre as Casas Bahia -que pertenciam à família Klein- e o Ponto Frio. Especula-se que, com a Globex, Abilio poderia propor a compra do Carrefour e juntar as duas empresas.

A proposta desagradou a família Klein e também contraria os interesses do Casino, que pretende lançar em seu balanço 100% do Grupo Pão de Açúcar, melhorando sua capacidade financeira aos olhos dos investidores.

A Folha apurou que Abilio considera que não existe brecha para o rompimento do acordo de acionistas com o Casino.
O acordo daria poder de veto a ele em qualquer reestruturação societária.

O Casino é conhecido por superar de forma controversa disputas societárias.

Em 1999, foi acusado de manobrar para comprar a participação do rival Carrefour no grupo belga Cora. À época, o Carrefour foi obrigado a vendê-la porque comprara uma rede varejista portuguesa. O Casino tinha uma central de compras com o Cora e o acordo vedava a participação acionária de um no outro.
Hoje, o Casino trava disputa com as lojas Galeries Lafayette, sócia na rede de supermercados Monoprix. O acordo previa a compra do controle pelo Casino, mas o grupo pediu mais prazo. A nova data venceu e a Lafayette fez oferta pela participação do Casino. A discussão foi parar em um tribunal independente de solução de controvérsias societárias.

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