domingo, 18 de março de 2012

Hora da Terra da Cerejeira

Muitas histórias parecidas

A Folha de São Paulo resolveu divulgar histórias de pessoas que faleceram. Não sei porque, mas eu sempre dou uma olhada e sempre tem casos interessantes que, na verdade, mereciam aparecer na parte nobre do jornal, pois fazem parte da História do Brasil.

Lendo a História que saiu ontem, sobre o Sr. Masaru Shibao, tres coisas chamaram-me atenção. A primeira que a história dele parece muito com a do meu sogro, que veio para o Brasil em 1926 e foi para Bilac, depois para Birigui, onde morou até o fim da vida. Outra coisa é que ele morava em Lins, que é caminho de Bilac e de Birigui, além de ser a cidade que um dos meus irmãos mora e também é casado com japonesa. A terceira coisa é o fato de ele ter sido bancário. É capaz de termos mais coisas em comum.

Para homenagear os imigrantes que nos trouxeram tanta alegria, procurei meus discos de músicas japonesas, mas acabei encontrando no youtube uma gravação com flauta e uma música muito bonita que eu acho que a família do Sr. Masaru vai gostar.

Masaru Shibao (1910-2012)

Locutor japonês autor de haicais

Folha SP –Estevão Bertoni – 17/03/12

Para que uma família japonesa pudesse vir viver no Brasil, naqueles anos 20, precisava ter ao menos três membros acima dos 18 anos. Masaru Shibao, aos 19, juntou-se aos tios para a mudança.

Filho de lavradores, chegou à região de Jaú (SP) para exercer, em fazendas de café, a mesma atividade dos pais. Há mais de 70 anos, mudou-se para Lins (SP), onde, casado com a dona de casa Hiroko, teve várias atividades.

Foi professor de japonês, bancário, comerciante, locutor de um programa de rádio e colaborador de um jornal.O programa, sobre assuntos diversos para a comunidade nipônica, chamava-se "Hora da Terra da Cerejeira". Era diário, com uma edição especial aos domingos: cantores competiam entre si num programa de auditório.

Segundo a filha Masae, o pai, que gostava muito de música, tinha alma de artista. Em Lins, integrou um grupo de poesia. Escrevia haicais (poema de origem japonesa com três versos de cinco, sete e cinco sílabas) e tankas (composições líricas breves). Ganhou prêmios pelos escritos. A família juntou sua produção numa coletânea. Ao Japão voltou uma única vez, em 1970, para rever a mãe, já em idade avançada. A passagem foi comprada após vaquinha da família.

Aposentou-se como bancário.
Todos os dias, religiosamente, acompanhava na TV um canal estatal japonês.
Esteve lúcido até o fim, conta a filha. Passou por uma cirurgia por causa de um câncer no rim, mas não resistiu.
Viúvo desde 1998, morreu na quarta, a oito dias de fazer 102 anos. Teve seis filhos, nove netos e seis bisnetos.

Uma simples flauta, com uma melodia tão bem tocada.

悲しい酒 尺八演奏


Um comentário:

  1. Nome da música: Kanashii sakê (Triste saquê).
    Sucesso da famosa cantora (ja falecida) Hibari Misora, interpretado aqui no shakuhachi (flauta japonesa) por Seisaburou Kubo. O violão do acompanhamento também é tocado por ele.

    ResponderExcluir