domingo, 25 de março de 2012

FHC foi um traidor do Bamerindus

Vendeu o banco a preço de banana

Para quem botou toda a estrutura do Bamerindus e da Família para ajudar na eleição de FHC para presidente e depois viu seu banco sofrer intervenção do Banco Central e depois ser vendido a preço de banana para o HSBC, que até hoje não se encontrou no Brasil, as mágoas são imensas. Zé Eduardo Vieira ía às lágrimas quando lembrava da "solidariedade de FHC".

Para quem acompanhou a tragédia, viu que o Brasil foi, mais uma vez, o grande derrotado. As privatizações de FHC e Malan foram pagamentos de dívidas eleitorais para os empresários brasileiros e internacionais. Ainda bem que eles são passados.
Vejam parte da entrevista de Zé Eduardo Vieira, publicada no Estadão de hoje:

'Venderam o Bamerindus a preço de banana'

Por Evandro Fadel/ Curitiba, estadao.com.br, Atualizado: 25/3/2012 3:09

Passados 15 anos da intervenção no Banco Bamerindus, ocorrida em 27 de março de 1997, o ex-controlador da instituição, José Eduardo de Andrade Vieira, de 73 anos, ainda não superou as mágoas, sobretudo contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-ministro Pedro Malan. Nos dias que se seguiram à intervenção, a artilharia do ex-banqueiro já tinha se voltado contra eles. As armas continuam fumegando até agora. Vieira considera-se traído por aqueles que tinham sido seus companheiros - ele foi ministro da Agricultura no governo FHC. Procurados, Fernando Henrique e Pedro Malan preferiram não se manifestar.

Na quarta-feira, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) assinou acordo com o Ministério Público do Paraná (MP-PR) comprometendo-se a pagar todos os credores da massa falida. Com isso, o MP-PR deve pedir a extinção de ação de responsabilidade que mantinha indisponíveis os bens dos ex-administradores do Bamerindus, incluindo os de Vieira. Ao mesmo tempo, o FGC acentuou que prepara o banco para a venda no mercado. Para o antigo dono, esse é o aspecto mais positivo. 'É a comprovação de que o Bamerindus não estava falido, porque, se tivesse, ninguém iria comprar', afirmou.

Ex-senador, Vieira interrompeu a carreira política após a intervenção no banco e passou a administrar o jornal Folha de Londrina, do qual era sócio. Atualmente, duas filhas estão no dia a dia do jornal. Ele disse que raramente vai à sede em Londrina. Prefere ficar na Fazenda da Capela, em Joaquim Távora, distante 160 quilômetros, para supervisionar a criação de gado leiteiro e de corte, e a produção de milho.

Da fazenda, ele conversou por telefone com o Estado:

O que significa para o sr. o fim da ação que tornava indisponíveis os bens dos ex-administradores e ex-controladores do Bamerindus, a garantia de pagamento dos últimos credores e a preparação do banco para venda, após 15 anos de intervenção?

Para mim, o principal aspecto é a comprovação de que o Bamerindus não estava falido, porque, se tivesse, ninguém iria comprar. É uma comprovação pública de que o banco sempre tinha saldo positivo. Ninguém iria comprar para ter prejuízo.

Então, por que a intervenção?
A intervenção foi mais política. Mostra quem eram Fernando Henrique e Pedro Malan. Não preciso falar nada.

O sr. continua com mágoa?
O interventor nomeado pelo BC vendeu aquele patrimônio enorme por US$ 8 milhões, sendo que empresa tinha em caixa mais de US$ 100 milhões. Foi uma dilapidação de meu patrimônio. Na vontade de mostrar a falência do grupo, jogaram fora os imóveis do Bamerindus, as agências foram vendidas para o HSBC pelo valor patrimonial. Eram 1,5 mil agências, vendidas a preço de banana. E ainda assim sobra dinheiro.

O que representaram os 15 anos de intervenção?
Não deixou de ser frustrante a gente ser traído por companheiros. Porque na realidade é isso, foi uma traição que eu sofri.

Quem foi o traidor?
O Fernando Henrique.


O senhor esperava mais dele?
Esperava. O banco estava em boas condições e tinha muito dinheiro para receber do Estado de Mato Grosso. O Pedro Malan segurou isso na gaveta por meses até decretar a intervenção no banco e, no dia seguinte, pagaram o Mato Grosso, que pagou o banco. Já nas mãos do HSBC. Por que comigo não andou para frente e, com outro, em 24 horas resolveram?

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