sexta-feira, 9 de março de 2012

Economistas, Profecias e Sinais dos Tempos

A era da incerteza

Economistas falam de profecias, sinais dos tempos, era da incerteza, fim da história e outras tragédias da Europa e do Mundo. Mais interessante ainda é que até os grandes analistas e governantes também estão repetindo o mesmo discurso.

Todos querem saber: Quando haverá a mudança para melhor? Quando os governos serão capazes de criar mais emprego e melhorar as condições de vida? Será que teremos que chegar ao fundo do poço?

Enquanto não se responde a estas perguntas, não adianta as pessoas continuarem reclamando que a religiosidade está aumentando no mundo. Crise econômica leva à crise existencial. E quando os filósofos e psicanalistas não conseguem explicar, os religiosos acham que sabem responder tudo com suas doutrinas do outro mundo.

A provocação de Vinicius Torres é boa, mas se a realidade não mudar logo, aparecerão “novo profetas” e “novas tragédias”...

A profecia: a nova bolha

Vinicius Torres Freire – Folha SP - 09/03/12

'Analistas' da banca global escarnecem das políticas anticrise no mundo rico e reanunciam fim dos tempos

É COMUM ler economistas de bancos espinafrar bancos, bancos centrais e observar como a política econômica é sequestrada pelos patrões deles - isso é comum no exterior, explique-se. Ao vivo, em conversa informal, alguns desses tipos mais divertidos e/ou inteligentes são ainda mais descarados na ironia ou no sarcasmo amargos, em especial depois do desastre de 2008.

Um desses tipos mais "pop" (na imprensa e TV financeiras) é Bob Janjuah, pessimista crônico ("bear"), analista ("chefe de alocação tática de ativos") do Nomura, bancão e corretora etc. do Japão.
Vale citar um relatório de Janjuah, de fim de fevereiro, a respeito do presente desarranjo financeiro mundial, uma opinião, aliás, nada rara entre seus colegas.

Grécia e eurozona:

"As políticas parecem centradas na proteção e na preservação de interesses particulares, com pouca consideração pelas terríveis condições em que o povo da Grécia e outros 'periféricos' são forçados a viver. No entanto, os líderes europeus estão para colocar [e colocaram] ainda mais dinheiro no buraco sem fundo que é a Grécia, principalmente a fim de ajudar os bancos da Europa, ao custo talvez de uma década de sofrimento da populaça grega".

Sobre a troca forçada de governos na Itália e na Grécia, em 2011, que Janjuah chama de "totalitarismo": "Esse não é só um fenômeno da eurozona, mas é evidente que a remoção de governos eleitos para dar lugar a tecnocratas bem enturmados que simplesmente servem aos interesses da elite tornou-se uma especialidade da Europa".

O poder da banca:
"Os bancos seriam tão poderosos que nós todos estaríamos presos a eles e ao maior dos 'nonsenses', o de que calotes ["defaults"] nunca deveriam acontecer (a menos que sejam triviais e muito insignificantes)?".
Janjuah espezinha as políticas de Mario Draghi e Ben Bernanke (presidentes do Banco Central Europeu e dos EUA, o Fed, respectivamente). Diz que os bancos centrais ajudaram a criar a crise que estourou de vez em 2008, pois mantiveram os juros muito baixos por muito tempo, o que provocou péssima alocação de capital e, enfim, bolhas. Draghi e Bernanke estariam agora repetindo e aumentando a dose, com "impressão" maciça de dinheiro.

"Tais bolhas servem para criar a ilusão de que estamos 'mais ricos' [devido ao aumento do preço de ações e outros ativos financeiros, o que pode criar uma confiança artificial e despesas excessivas]."

Bolha:
"Admitindo que estamos de novo em outra disparada [nas Bolsas etc.] movida a liquidez [dinheiro dos BCs], cortesia de Draghi e Bernanke, então precisamos lembrar de umas coisas. Primeiro, tais disparadas podem durar dias, semanas, meses, talvez até 2013... Segundo, quando procurar onde as bolhas estão, pense o seguinte: elas estão em todo lugar. Terceiro, quando essa bolha estourar, não vai haver saída fácil. Quem virá com o dinheiro de socorro [Janjuah diz que governos já estão superendividados, e os BC, lotados de empréstimos]?".

Sinal dos tempos:
"O fim da bolha será sinalizado pela anarquia monetária, que vai criar mais inflação na economia real, ou pelo colapso deflacionário do crédito...".

Por fim:
Janjuah não é um esquerdista infeliz a soldo da banca. É um economista padrão, "liberal".

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