terça-feira, 20 de março de 2012

Desejos e Frustrações – PSDB e PT

Social Democracia para todos

Quem acompanha meu blog sabe que eu gosto do economista Luis Nassif. Quem me conhece sabe que eu sempre gostei da Igreja da Teologia da Libertação, como sempre gostei de pessoas como Montoro e Mário Covas, e sabem também que eu sou um dos fundadores do PT e da CUT, além de ter sido filiado ao velho MDB contra a ditadura militar brasileira.

É difícil ler o artigo de hoje de Luis Nassif e deixar de ter vontade de comentá-lo.
Milhares de militantes partidários, sindicais, professores universitários, intelectuais e todo tipo de gente que formamos uma frente ampla contra a ditadura também tem dificuldade de entender o porque de o PT e o PSDB de São Paulo viverem como grandes inimigos, em vez de atuarem unidos para avançar a social democracia nos moldes europeus e com legitimidade. Contribuindo para construir o Brasil Moderno.

Havia uma profecia de que “a ditadura nos unia e a democracia nos separaria”. Eu até concordava com ela, na medida que eu sempre fui pluralista. Isto é, não gosto de partido único, religião única, monopólio empresarial, nem sindical, etc. A visão única é o atraso. O novo é o plural.

Hoje, por coincidência, tivemos uma reunião pela manhã na Assembleia Legislativa onde eu mais uma vez elogiei publicamente Mario Covas. Na parte da tarde, li o texto de Nassif também elogiando Covas. Não creio que Nassif seja petista, mas eu sempre fui um petista covista. Isto é, um social democrata de esquerda.

Da mesma forma que existem “as viúvas da ditadura”, também existimos nós “as viúvas de Mario Covas, da Teologia da Libertação e do Socialismo Democrático”.

Talvez, em 2012 a gente que mora e vota em São Paulo, pudesse retomar a proposta de uma “Frente Ampla por São Paulo para todos, com todos e de todos”. Escolhendo um candidato novo e que se proponha a exercer o mandato com a participação de todos os segmentos da sociedade paulista. Afinal, São Paulo merece respeito!

Vejam o texto de Nassif:

Partidos políticos, coronéis e votos

Luis Nassif - Coluna Econômica - 20/03/2012

Há pontos em comum entre um partido político e uma empresa.
Uma empresa moderna precisa de uma missão clara, com foco no cliente e uma estratégia permanente de renovação, seja de seus dirigentes seja dos escalões intermediários.

Na política, tanto a missão quanto a renovação dependem do contato estreito com as bases. É o que mantém a vitalidade do partido, torna a cúpula sensível às demandas do cidadão comum, garante a renovação permanente.

No Brasil, há um partido formado na base por movimento sociais: o PT. Essa militância permitiu a oferta abundante de quadros, desde a área técnica até áreas sociais. Mas, à medida que sobe-se na hierarquia, as principais indicações cabem a Lula – fortalecido pelo último grande acerto, da indicação de Dilma Rousseff nas últimas eleições.

No PSDB, esse papel poderia ter sido exercido por Fernando Henrique Cardoso. A diferença é que Lula exerceu bem esse papel; e FHC não. A carreira de Lula, do sindicato à central sindical, de lá para o PT, do PT para a presidência obrigou-o a pensar permanentemente na sucessão.

No caso do PSDB, o partido surgiu a partir de duas alas majoritárias: um grupo de intelectuais, economistas, que se organizou em torno de FHC e do Plano Real; e a ala política, dos antigos “autênticos” do PMDB, liderados por Mário Covas.O “cheiro do povo” só chegava ao PSDB através de Covas. A formação intelectual de FHC sempre privilegiou o trabalho individual, solitário, não a arregimentação.

Mas Covas se foi e seu lugar terminou ocupado por Geraldo Alckmin que herdou essa preocupação de ouvir as ruas, mas sem ter a dimensão nacional de Covas.Sem Covas e sem FHC, na cúpula – tanto nacional quanto estaduais-, consolidou-se o espírito do “coronelato”. Há espaço para poucos “coronéis” e para soldados. Não existe oxigênio para uma classe intermediária, muito menos para a militância, de onde poderiam nascer novas lideranças.

Quem consegue se colocar debaixo de um “coronel”, sobrevive, desde que não aspire voos mais altos. Quem não consegue, desaparece.

É ilustrativo o caso José Aníbal – candidato a candidato a prefeito de São Paulo pelo partido. Poucos tucanos têm sua folha de serviços. Presidente do partido, líder na Câmara Federal, Secretário de Tecnologia, bom trânsito junto ao meio empresarial, junto à militância do próprio partido, respeitado pelos adversários apesar do seu estilo contundente. Nas últimas eleições municipais, foi para o sacrifício, candidatou-se a vereador apenas para puxar votos para o partido. E conseguiu uma votação espetacular.
Mesmo assim, está ao relento.

Há anos entrou na lista dos inimigos gratuitos de Serra. De Alckmin nunca teve maior espaço, justamente devido à sua dimensão nacional – maior que a do governador. Durante algum tempo, tentou se abrigar na asa de FHC. Mas o ex-presidente nunca se animou a ter seguidores: sempre quis pairar acima das facções partidárias.

Agora provavelmente será esmagado nas prévias do partido, devido à aliança de dois inimigos mortais: Alckmin e Serra. O maior prejudicado será o próprio PSDB em São Paulo, que joga pela janela a última oportunidade de reavivar uma militância que se esvai.

Um comentário:

  1. Gilmar, desde quando o PSDB tem alguma coisa de social democracia européia? O PSDB, na prática, é igual ao DEM, é um partido de direita. O PT perdeu o caráter socialista da época de sua fundação e, à medida que foi se tornando opção eleitoral, foi se tornando parecido com os partidos trabalhistas, socialistas e sociais-democratas europeus, alías, tem um perfil mais próximo dos partidos de esquerda dos países nórdicos do que dos demais partidos de centro-esquerda da Europa.

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