quarta-feira, 7 de março de 2012

Como superar o Racismo?

Uma boa contribuição ao tema

Lucia Guimarães é destas jornalistas experientes que gostam de trazer temas picantes para as pessoas refletirem. Morando nos Estados Unidos há um bom tempo, sabe trazer para os leitores brasileiros, assuntos que por aqui são vistos ou noticiados com outros olhares.

Nesta matéria e entrevista ela fala de Barack Obama e de Randal Kennedy, duas personalidades americanas. Um presidente e um professor da Harvard Law School. Quem quiser ler a entrevista do professor Randal Kennedy é só copiar e colar o endereço abaixo.
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,a-persistencia-do-racismo,840328,0.htm

Já o assunto continua na ordem do dia, tanto no Brasil como no Mundo.

A persistência do racismo

Randall Kennedy, da Harvard Law School, fala sobre o preconceito na política americana

25 de fevereiro de 2012 | 3h 09 - Lúcia Guimarães - O Estado de S.Paulo

Em novembro de 2008, quando milhões de americanos se congratulavam, certos de que haviam dado mais um passo para redimir nas urnas seu histórico pecado original - o racismo -, o dono de uma loja de conveniência em Standish, Estado do Maine, pendurou o aviso: "A Loteria Osama Obama de Espingarda". A aposta custava US$ 1 e o apostador estaria adivinhando quando o recém-eleito Barack Hussein Obama seria assassinado. O subitamente mais ocupado Serviço Secreto registrou a iniciativa do comerciante mentecapto, uma entre as milhares que tornaram o primeiro presidente negro da história americana um dos mais frequentes alvos de complôs assassinos entre os moradores da Casa Branca.

O incidente é lembrado por Randall Kennedy em seu livro The Persistence of the Color Line: Racial Politics and the Obama Presidency (A Persistência da Divisão de Cor, Política Racial e a Presidência Obama, Pantheon Books, US$ 26,95).

Kennedy é professor da Harvard Law School e dono de um currículo acadêmico estelar que inclui uma passagem como analista de processos para o lendário Thurgood Marshall, o primeiro juiz negro da Suprema Corte americana.

O livro faz o contraponto da euforia que cercou a eleição de Barack Obama com a realidade ainda enfrentada por mais de 12% da população americana. Um país, onde, diz o professor, a elite branca tem "alergia" a reconhecer a persistência do racismo; onde a população carcerária negra passa de 39%; e a direita se sente à vontade para questionar, do privilégio de um cargo eletivo ou do poleiro de comentarista de TV, a legitimidade do presidente.

"O racismo ainda é relevante", escreve Randall Kennedy, lembrando que o Senado americano só elegeu três negros em toda sua história - um deles, Barack Obama - e não abriga nenhum senador negro hoje. A eleição de Obama, ele conclui, não inaugurou uma era em que os políticos negros se livraram do peso do racismo: "Apenas demonstrou que a seleção racial não impede em termos absolutos a chance de vitória de um candidato presidencial negro". Em outras palavras, Obama mudou a história por ser eleito. E, prevê o professor, com uma dose de desapontamento, é por novembro de 2008 que ele deve ser lembrado, mais do que por suas ações de governo.

Apesar da escrita sóbria e da argumentação meticulosa característica do pensamento legal, Kennedy se torna mais enfático na conversa ao vivo, quando fura o balão da narrativa nacional que inclui, a seu ver, ficções como "a era pós-racial". Leia a seguir, a conversa de Randall Kennedy com o Sabático.

THE PERSISTENCE OF THE COLOR LINE: RACIAL POLITICS AND THE OBAMA PRESIDENCY
Autor: Randall Kennedy
Editora: Pantheon (336 págs., US$ 26,95)

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