quarta-feira, 28 de março de 2012

Brasil - Em quem acreditar?

Senador, delegado, promotor, secretário de segurança?

O homem é tudo isto, e mais: “amigo” do bicheiro, Carlinhos Cachoeira, que é contraventor, corruptor, espião e mais um monte de coisa que não sabemos. Amigo dos tucanos e da imprensa, principalmente da veja. Sempre fez papel de “pai da moralidade” contra Lula e o PT.

O Brasil está cheio de “Demóstenes Torres”...


Confesso que não fico alegre por ver tudo isto desmoralizado, na verdade eu fico envergonhado em ver como ainda a existe tanta corrupção e tanta degeneração das leis e das autoridades constituídas, inclusive da imprensa.
O Brasil redemocratizou-se mas ainda não encontrou a ética e a moralidade. Ainda somos um país subdesenvolvido e corrupto, por usos e costumes.

Vejam esta boa matéria de Elio Gaspari. É melhor do que a cobertura que a Folha dá ao assunto. Mas está publicada na Folha, assinada, assim preserva o jornal.

A cachoeira de Demóstenes Torres


Elio Gaspari – Folha SP – 28/03/12

Como diria Gilmar Mendes,
o problema do senador está em se distinguir o verossímil do verdadeiro

Demóstenes Torres, ex-líder do DEM no Senado, foi delegado de polícia, promotor e secretário de Segurança de Goiás. Fosse um frade, seria possível dizer que se aproximou do contraventor "Carlinhos Cachoeira" por amor ao próximo. No ano passado, aceitou um fogão e uma geladeira (importados) de presente de casamento. Vá lá que, pela sua etiqueta, "a boa educação recomenda não perguntar o preço nem recusá-los".

Em 2009, Demóstenes recebeu de "Cachoeira" um aparelho Nextel, habilitado nos Estados Unidos, e utilizava-o para conversar com o amigo, sem medo de grampos. Segundo um relatório da Polícia Federal, as chamadas contam-se às centenas. Isso e mais um pedido de R$ 3.000 para quitar uma conta de táxi aéreo.

Geladeira e fogão são utensílios domésticos. Rádios com misturador de voz para preservar conversas com um contraventor cujas traficâncias haviam derrubado, em 2004, o subchefe da assessoria parlamentar da Casa Civil da Presidência da República, são outra coisa.

Em 2008 (e não em 2009, como o signatário informou no domingo), o senador foi personagem da denúncia de um grampo onde teriam capturado uma conversa sua com o então presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. A acusação custou o cargo ao diretor da Agência Brasileira de Informações, delegado Paulo Lacerda.

Mendes, cuja enteada é hoje funcionária do gabinete do senador, disse na ocasião que o país vivia "um quadro preocupante de crise institucional".

As investigações da Polícia Federal em torno das atividades de "Carlinhos Cachoeira" haviam começado em 2006. Uma sindicância da Abin e outra da PF não conseguiram chegar à origem do grampo, cujo áudio jamais apareceu. Gilmar Mendes disse, posteriormente, que "se a história não era verdadeira, era extremamente verossímil".

O futuro do senador Demóstenes está pendurado na distância que separa o verdadeiro do verossímil. O verdadeiro só aparecerá quando ele e a patuleia tiverem acesso a toda a documentação reunida pela Polícia Federal.

Nesse sentido, não é saudável que seja submetido à tortura dos vazamentos administrados. (Paulo Lacerda foi detonado por um deles e não se descobriu quem o administrou.) Se o negócio é verossimilhança, o senador está frito.

PATRULHA E CENSURA


Diga qual foi a publicação onde aconteceu isso:
Tendo publicado em seu site uma resenha favorável a um livro, ela foi denunciada pela direção de um partido político e daí resultaram os seguintes acontecimentos:

1) A resenha foi expurgada.
2) O autor do texto foi dispensado.
3) Semanas depois o editor da revista foi demitido.

Isso aconteceu na revista "História", o livro resenhado foi "A Privataria Tucana", a denúncia partiu do doutor Sérgio Guerra, presidente do PSDB, o jornalista dispensado foi Celso de Castro Barbosa e o editor demitido foi o historiador Luciano Figueiredo.

Em nove anos de poder, não há registro de que o comissariado petista com suas teorias de intervenção na imprensa tenha conseguido desempenho semelhante.

A revista é editada pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional, que pouco tem a ver com a administração da veneranda instituição. No episódio, sua suposta amizade ofendeu a ideia de pluralidade essencial às bibliotecas.


3 comentários:

  1. Pior que um país subdesenvolvido e corrupto, Gilmar, é constatar que a vítima Paulo Lacerda não teve sua honra resgatada pela verdade dos fatos que se verificaram desde então.

    Pior que a corrupção, a covardia nos envergonha muito mais.

    Um funcionário público de carreira de Estado foi defenestrado por conta de um senador falastrão e auto proclamado Paladino da Justiça montar uma farsa pirotécnica sob aval do então supremo presidente do Supremo Tribunal Federal.

    "Se a história não é verdadeira, é verossímil", diria Gilmar sem nunca ter apresentado o áudio do grampo telefônico.

    Foi-se Paulo Lacerda, pela força política do senador falastrão e do supremo ex-presidente supremo, tão falastrão quanto Demóstenes.

    E o que faz o Governo nesta hora?

    Deveria trazer as verdades à tona, para eximir o funcionário público do vexame de ser execrado sem direito a defesa, sem que o acusador apresentasse as provas de um crime.

    Mas, querido Gilmar, eu não acredito neste gesto do atual governo. Lá no âmago, tem gente que acha que isso seria admitir a culpa originária da execração pública.

    Tudo muito lamentável.

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  2. Conferi na Folha, Gilmar, o parágrafo que começa com "Em nove anos de poder...", e está correta a sua transcrição.

    Entretanto, Helena Sthephanowitz, num artigo especial para a Rede Brasil Atual, apresenta outra redação para o mesmo parágrafo, a saber:

    "A “denúncia” partiu de Sérgio Guerra, presidente do PSDB. Em nove anos de poder, não há registro de que o comissariado petista, frequentemente apontado pela oposição como formulador de teorias de intervenção na imprensa, tenha conseguido desempenho semelhante.".

    Veja que na apresentação da Helana a frase explicativa entre vírgulas: "frequentemente apontado pela oposição como formulador de teorias de intervenção na imprensa", permite melhor compreensão da comparação que Elio Gaspari tenta fazer, usando de ironia fina, é claro!

    Resta destacar que esse detalhe redacional explica bem o que deveríamos entender melhor, como técnica da oposição tucana, há muito empregada, de acusar o governo Lula e o de Dilma de fazerem o que eles (oposições) fazem, sem, contudo, de fato o fazerem.

    E note mais que, por incrível que possa parecer, essa técnica sempre deixa o governo (e a militância petista, em muitas oportunidades), na defensiva, acusando o golpe como se erro cometesse.

    Há erros, e como há, pois qualquer governo está submetido a falhas de toda ordem. Mas quantas vezes ouvimos há nove anos de que o governo petista é o mais corrupto da história da República?

    Entretanto, a realidade, especialmente na comparação direta com o governo tucano de FHC, esse quesito da corrupção dos governantes é incomparável.

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  3. "BOMBA: Segundo ex-prefeito, Cachoeira e Demóstenes armaram o mensalão" para derrubar Zé Dirceu"

    "Brasil - Em quem acreditar? ", o título dessa postagem Gilmar, vai render muitos comentários ainda.

    A "Bomba" acima refere-se a uma matéria do Blog ONIPRESENTE, que reproduz matéria do jornal Brasil 247.

    E volta a pergunta: Em quem acreditar?

    Um imbróglio de Demóstenes, Cachoeira e Policarpo (revista Veja) vem a público sob denúncia de um ex-prefeito de Anápolis - Goiás, cuja esposa era suplente do senador dos Demos.

    Quem tiver curiosidade pode procurar a matéria completa no blog ONIPRESENTE.

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