quinta-feira, 22 de março de 2012

150 anos de Ernesto Nazareth - I

O clássico

Nesta primeira parte vocês vão ver a imagem de Ernesto Nazareth mais associada ao clássico, embora também fale do popular. É um bom texto que saiu no Estadão do dia 17 passado. Depois vou mostrar o lado mais popular onde Ernesto Nazareth aparece como o Rei do Choro.

Leiam e ouça esta primeira parte, publicada no Estadão:

Ernesto em ritmo e prosa

Instituto Moreira Salles entra nas
comemorações dos 150 anos de nascimento de Ernesto Nazareth
revelando um material inédito

17 de março de 2012 – João Luiz Sampaio - O Estado de S.Paulo

Eles se encontravam em saraus e, a certa altura, cansado das transcrições para piano de trechos famosos de óperas, Machado de Assis, aquele "senhor taciturno, tímido e circunspecto", cochichava ao pianista encarregado das noites de música na casa da família Monteiro, um certo Ernesto Nazareth. "Toque-nos qualquer composição de Schuman."

O breve e inédito relato dos encontros de duas figuras-chave da vida cultural brasileira aparece em uma carta de Célio Monteiro ao pianista Aloysio de Alencar Pinto - apenas um das centenas de documentos que compõem o acervo do compositor Ernesto Nazareth. E que, a partir de terça, começam a ser disponibilizados em um site criado pelo Instituto Moreira Salles, detentor do acervo do compositor, dando início às celebrações dos seus 150 anos de nascimento, em 20 de março de 2013.

Autor de obras como Odeon, Xangô e Polca para a Mão Esquerda, Ernesto Nazareth (1863-1934) é o compositor da trilha que embala a memória do Rio de Janeiro da passagem do século 19 para o 20. Também pianista, era chamado pelos detratores de "pianeiro", por conta do flerte com a música popular. Esta vida dupla, no entanto, é justamente o que coloca Nazareth como símbolo de sua época - e autor capaz de influenciar as gerações seguintes. "Ele nasceu e começou a atuar no momento em que se consolidava um sotaque particular ('brasileiro') na interpretação do repertório europeu (ópera, música de câmara, música de salão) que soava na cidade, e viveu até o limiar da explosão do rádio e da indústria fonográfica, nos anos 30", diz o violonista Paulo Aragão, um dos responsáveis pelo projeto Nazareth 150 anos - Contagem Regressiva.

Por isso mesmo, lembra Aragão, é consenso considerar Nazareth como um dos fundadores da música popular brasileira, da mesma forma que é indiscutível sua influência sobre autores como Villa-Lobos, Camargo Guarnieri, Marlos Nobre, Francisco Mignone ou Radamés Gnattali - dualidade abordada já por Mário de Andrade, para quem Nazareth era "compositor brasileiro dotado de uma extraordinária originalidade, porque transita com fôlego entre a música popular e erudita, fazendo-lhe a ponte, a união, enlace".

O site do projeto (ernestonaza reth150anos.com.br) entra no ar na terça-feira - e se soma a uma página criada no ano passado pela cravista Rozana Lanzelotte (ernes tonazareth.com.br), onde é possível ouvir todas as obras do compositor. A ideia é, ao longo de um ano, passar para a rede todo o acervo do compositor, de partituras a cartas e fotos (leia mais abaixo).

Para marcar o lançamento do projeto, Aragão faz show no IMS do Rio na terça-feira, ao lado de Alexandre Dias (piano), Marcilio Lopes (bandolim), Marcelo Bernardes (flautista), Luciana Rabello (cavaquinho) e Mauricio Carrilho (violão). E acredita que as comemorações pelos seus 150 anos podem jogar nova luz sobre sua obra. "Nazareth é símbolo da música brasileira, mas ainda temos boa parte de sua obra e vida desconhecidos. Há muitas músicas inéditas e não apenas peças menores, estou falando de coisas absolutamente geniais, como Desengonçado, Proeminente, Cuéra, O Alvorecer e Catrapus."

Essas peças podem levar, garante o violonista, a uma melhor compreensão do legado musical do compositor. "É comum destacarmos na música do Nazareth seu refinamento harmônico, sua engenhosidade pianística, suas melodias surpreendentes. Mas eu destacaria também uma riqueza rítmica não apenas irresistível como premonitória do que viria a acontecer na música popular brasileira ao longo do século 20. Elementos presentes em peças como Desengonçando seriam desenvolvidos mais tarde por artistas como Pixinguinha ou Baden Powell", diz o violonista.

Agora ouçam estas belas composições de Ernesto Nazareth:

Songbook Ernesto Nazareth 3


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