segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Política Sem Carater

Ninguém tem autoridade para acusar

Macunaíma continua vivo e forte!
Viva Mario de Andrade! Ainda estamos em 1922.

Noventa anos depois da Semana de 22, quando o Brasil, a partir de São Paulo, começou a se integrar com o mundo moderno e Mario de Andrade escreveu um dos “retratos do Brasil”, o país continua muito parecido. “Sem caráter” ou, como dizia o velho amigo José Olívio, “não é sem caráter, é a-carater”. Por que o ato de “não ser”, pressupõe raciocínio, decisão, optar por não querer algo. Mas o ato de ser “a-carater”, pressupõe “não ter nada, não decidir”, é abaixo do não querer. É o não se dar conta.

A política no Brasil, depois de tantas lutas contra a ditadura, virou tabula rasa. Virou “vale-tudo”, sem escrúpulo e sem compromisso com a História. O importante é ganhar. É a Lei de Gerson. Isto vale para os partidos políticos, mas vale também para a Imprensa. Quando Quércia apoiou Lula, a imprensa dizia que Quércia era corrupto. Quando Quércia apoiou Serra e Alckmin, a imprensa deu páginas de entrevistas e artigos, pelo novo “companheiro democrata” e os tucanos deram até “nome de ponte”. Chamem Mario de Andrade! Vamos fazer uma Nova Semana de Arte Moderna! Vamos modernizar o Brasil com uma nova Constituinte!

Desculpem-me pela dureza das palavras, mas começar uma segunda-feira, lendo este tipo de matéria, como a coisa mais normal do mundo, me enoja... E a culpa não é apenas do jornalista.

Alckmin atrai ‘aliados’ do PT para minar Haddad
UOL - Josias de Souza - 13.02.2012 - 3:55

Perto de fechar um acordo com o ex-inimigo Gilberto Kassab (PSD), o PT de São Paulo tem dificuldades para convencer ‘aliados’ tradicionais a aderirem à candidatura de Fernando Haddad à prefeitura paulistana. Deve-se uma parte dos entraves a um inimigo oculto: Geraldo Alckmin.

No esforço para reduzir as dimensões do palanque e da vitrine televisiva de Haddad, o governador tucano de São Paulo achega-se a legendas que, em Brasília, integram o condomínio governista. Manobra duas máquinas: as engrenagens do PSDB e a estrutura do governo do Estado.

Num primeiro lance, Alckmin já havia amarrado o apoio do PP ao entregar a um apadrinhado de Paulo Maluf a presidência da estatal CDHU (Cia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano). Agora, move-se para segurar outras duas legendas que dão suporte congressual à gestão Dilma Rousseff: PSB e PDT.

Amigo de Lula e aliado de Kassab no plano federal, o governador de Pernambuco Eduardo Campos, presidente do PSB, fez um pedido a Alckmin. Rogou-lhe que retirasse o PSDB do páreo na disputa pelas prefeituras de dois estratégicos municípios do interior de São Paulo: Campinas e São José do Rio Preto.
A primeira demanda já foi atendida. Em Campinas, atropelando a vontade dos partidários locais, Alckmin operou para que o PSDB declarasse apoio à candidatura do deputado federal Jonas Donizette, do PSB de Eduardo. O tucanato terá de contentar-se com a indicação do candidato a vice.

Em Rio Preto, cidade do senador Aloysio Nunes, amigo de José Serra, Alckmin age para manter o PSDB ao lado de Valdomiro Lopes, também do PSB. Eleito em 2008 com o apoio do tucanato, Valdomiro vai tentar a reeleição em 2012. Aloysio defende o lançamento de um candidato tucano. Alckmin dá de ombros.
Está subentendido que os gestos de Alckmin no interior resultarão em contrapartida do PSB na capital. Em vez de associar-se à caravana petista de Haddad, a legenda de Eduardo Campos tende a embarcar no projeto do governador tucano. Reforça essa expectativa a presença do deputado federal Márcio França, presidente do PSB-SP, no comando da Secretaria de Turismo da gestão Alckmin.

Quanto ao PDT, Alckmin está na bica de entregar à legenda o controle da Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho. Uma pasta que, hoje, é chefiada por David Zaia, do PPS. Deve ganhar a poltrona o pedetê Sérgio Leite, primeiro-secretário da Força Sindical. Preside a entidade e o PDT-SP o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força.

O avanço de Alckmin sobre o quintal do petismo contrasta com a dificuldade do governador de dar uma cara ao seu próprio projeto. Na capital de São Paulo, a maior e mais rica cidade do país, Alckmin divide-se em duas frentes. Numa reza para que José Serra aceite virar candidato a prefeito.

Noutra, aguarda pela realização da eleição prévia marcada para 4 de março. Uma disputa em que medirão forças quatro pré-candidatos tucanos bem próximos do piso das pesquisas e muito distantes de virar alternativas eleitorais empolgantes: Andrea Matarazzo, José Aníbal, Bruno Covas e Ricardo Trípoli.

Um comentário:

  1. Política é um jogo de xadrez.

    E "aliados" eternos um dia cansam do endosso perpétuo.

    Escreveu, não leu, o....

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