quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O Brasil de Roberto Setúbal

A situação do Brasil é tranqüila

Seja nesta matéria do Jornal Valor, ou na grande entrevista dada ao jornal Estadão de domingo passado, o banqueiro e presidente do Banco Itaú, Roberto Setúbal tem feito boas avaliações sobre o Brasil. Tem sido um bom analista nacional e internacional.

Lamentavelmente em 2011 o Itaú-Unibanco passou por milhares de demissões e tensões internas, levando os funcionários à loucura. O lucro neste mesmo ano de 2011 será de mais de R$12 bi.

Esperamos que em 2012, esta análise positiva do Brasil reflita-se também para os funcionários da instituição.

“Brasil será pouco afetado pela crise na Europa, diz Setubal

Por Assis Moreira | Valor - 29/01/2012 às 14h27

DAVOS - A situação externa do Brasil é muito tranquila, apesar da crise da zona do euro, na avaliação do presidente do Banco Itaú, Roberto Setubal, depois de participar do Fórum Mundial de Economia.

Para Setubal, as discussões sobre a crise da dívida soberana na Europa, em Davos, não deixaram caminhos claros e há vários riscos envolvidos nas alternativas de solução. Ele também vê a reestruturação da dívida da Grécia até meados de março como importante para a estabilidade financeira internacional.

Nesse cenário, o banqueiro acha que o Brasil tem boas razões para estar confiante no seu futuro. Considera que a situação interna é boa, os indicadores são sólidos, vê clara possibilidade de crescimento maior em 2012 do que em 2011, e posição externa confortável.

"O Brasil certamente não será envolvido em grande crise, mesmo se ela ocorrer fora", afirmou em entrevista ao Valor. "A situação externa, especialmente da zona do euro, pode impactar de forma indireta um pouco a economia brasileira, mas nada que vá mudar a situação."

Para Setubal, o fato de o governo focar mais a questão fiscal "é uma sábia decisão, porque o que estamos vendo aqui fora é exatamente consequência de uma política fiscal relaxada demais".
"Esse governo tem mostrado preocupação com isso, e torna o Brasil ainda mais protegido de crise externa", acrescentou.

Com relação ao financiamento ao comércio exterior brasileiro, Roberto Setubal informou que a situação está normalizada de duas formas. Primeiramente, bancos americanos e asiáticos acabaram ocupando o espaço deixado pela retração dos europeus no ano passado. E, em segundo lugar, a mudança de política no Banco Central Europeu (BCE), dando mais liquidez aos bancos, trouxe normalização também das linhas europeias nas últimas semanas.

"O spread está mais alto no mundo todo, por causa do aumento de risco. Mas não está faltando dinheiro", acrescentou. Setubal minimizou projeções do Instituto Internacional de Finanças (IIF), entidade dos maiores bancos, de elevação do déficit nas contas correntes do Brasil de US$ 50 bilhões ano passado para US$ 70 bilhões este ano, ou de 2,1% para 2,8% do PIB.
"O Brasil tem grande capacidade de financiar isso, 2% é menos que nosso crescimento e isso é importante quando se faz essas contas", afirmou Setubal, que justamente é vice-presidente do IIF.

Notou que o Brasil tem conseguido financiar esse déficit totalmente com Investimento Estrangeiro Direto (IED), fluxo de boa qualidade e que não cria compromissos fixos para os próximos anos. Além disso, o país tem mais de US$ 350 bilhões de reservas, um colchão importante "para qualquer situação mais difícil no mercado".

Roberto Setubal reafirmou que o Itaú tem a intenção de expandir no exterior, especialmente na América Latina. Está presente no varejo na Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. E está abrindo operação corporate no México e na Colômbia. Ele admite a possibilidade de aquisição de banco nos EUA, mas diz que "isso não está no radar no momento". Para ele, ir para o exterior tem duas motivações: diversificar riscos e acompanhar empresas brasileiras que se expandem fora.

Sobre ampliação na China, é mais complicado pela distância, complexidade e rigidez das regras de entrada de bancos no mercado chinês. "Isso é projeto mais de longo prazo", afirmou.”

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