sábado, 4 de fevereiro de 2012

Elomar - Raridade Musical

Acordes Divinos do Menestrel

Compositor, poeta e prosador, ELOMAR faz rara apresentação em São Paulo. Neste Domingo, no Auditório Ibirapuera, no Ibirapuera, às 19:00 h.

Mais uma vez o Caderno 2, Cultural do Jornal Estadão, dá uma aula de qualidade. Da mesma forma que valoriza o Cinema a Literatura, a Pintura e a Música em geral. Reconhecer a importância de Elomar para a cultura brasileira também é fundamental.

Vejam parte da matéria que saiu na sexta-feira, dia 3:

Acordes do Menestrel Elomar

Sexta, 03 de Fevereiro de 2012, 03h09 - Lauro Lisboa Garcia, Especial para o ESTADO

A Bahia, que deu "régua e compasso" e a bossa nova de João Gilberto também gerou outro gênio recluso: Elomar Figueira Mello. De lá do sertão profundo, das margens do Rio Gavião, ele vem mais uma vez à cidade grande, pela qual sente aversão (não exatamente São Paulo, mas qualquer metrópole), para outro concerto ao lado do filho, o violonista João Omar, domingo no Auditório Ibirapuera.

São Paulo é a cidade onde a música rara de Elomar melhor se projetou, e talvez a única "cantada" por ele, servindo de cenário de passagens de suas óperas, como O Retirante, O Peão Mansador e A Carta. Uma de suas obras-primas, Chula no Terreiro, tem um personagem retirante que morre atropelado na capital paulista, quando distraidamente atravessa a rua olhando para a Lua.

A épica Chula não está prevista no roteiro do concerto de domingo, que tem peças inéditas e outros clássicos, como Campo Branco, Cantiga de Amigo, A Função e Na Estrada das Areias de Ouro, esta com participação da cantora Alba Graça Marabelli. O concerto é também uma homenagem a Marcus Pereira - publicitário e pesquisador musical paulista que criou uma importante gravadora independente na década de 1970 e distribuiu o clássico LP duplo Na Quadrada das Águas Perdidas, de Elomar, em 1979 - e se estende a Luiz Gonzaga (1912-1989).

Algumas das inéditas estarão no álbum Riachão do Gado Brabo, que inclui árias de óperas de sua autoria e marca a volta de Elomar ao disco, depois de muitos anos. Seu registro mais recente é Cantoria 3, de 1995. Em 2006 ele regravou apenas três canções, incluídas entre poemas e depoimentos para um CD que acompanha o livro Tramas do Sagrado - A Poética do Sertão de Elomar, de Simone Guerreiro (Editora VentoLeste).

O novo álbum já teve metade das músicas gravadas em estúdio montado na Fundação Casa dos Carneiros, criada para cultivar a obra do autor numa fazenda em Vitória da Conquista (BA), e deve ser concluído ainda este semestre.

Elomar não dá entrevistas, não permite que se fotografe ou grave suas apresentações. Essa é uma das cláusulas de seu contrato. "Já perdemos muitas propostas de concertos e outros produtos - como também cinema com propostas de longa com imagens de Elomar -, programas de TV, seriados, por conta disso", diz sua produtora e assessora Rossane Nascimento.

"Saí de um curral da casa de meu pai em São João Joaquim e de uma hora pra outra caí dentro de um internato americano, Palácio Conde dos Arcos. Era outra cultura, outra linguagem, outra organização social. Até ali Salvador não tinha aquele status de capital, com uma certa respeitabilidade pelos sertões, pelo interior. Isso pela necessidade dos políticos de então, por questão de voto e tal", comentou. Com a criação da Bahiatursa, segundo o ponto de vista de Elomar, "criou-se um movimento segregacional" na supervalorizada capital e no Recôncavo. "A partir da bossa nova então foi que essa coisa começou a explodir."

Em texto antológico para a contracapa de seu primeiro LP, ...Das Barrancas do Rio Gavião (1973), o poeta bossa-novista Vinicius de Moraes (1913-1980) o chamou de "príncipe da caatinga" e até considerou irônico que ele tivesse "mar" no nome.

Elomar vive no campo, onde lida com atividades rurais, compõe e escreve romances e roteiros para cinema. Como seu pai já dizia no início da década passada, lá também chegou "o lixo cultural, estético e espiritual", via televisão. Porém, ele ainda encontra harmonia entre os sertanejos, silêncios e cantos de pássaros.

Agoram ouçam estas melodias:

Elomar – Cantiga de Amigo

Arrumação – com Monica Albuquerque



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