domingo, 5 de fevereiro de 2012

Cinema, TV e Nouvelle Vague

Godard, Truffaut e o Brasil

Ontem, no Caderno Sabático o Estadão apresenta uma matéria de página inteira sobre a Nouvelle Vague. Apresentando o livro de Michel Marie, “A Nouvelle Vague e Giodard”. Eu costumo ler tudo que Luiz Zanin Oricchio escreve no jornal.

A matéria é muito interessante, mas eu acho importante que, quem gosta do assunto, também deve ler o livro de Antoine de Baecque e Serge Toubiana, “Francois Truffaut – Uma Biografia”. Outro aspecto, é que embora fale somente da importância da nouvelle vague para o cinema, muitos filmes também passam na televisão e a gente vê de novo. Até por que os cinemas não passam filmes antigos. A TV, apesar de tudo, também é cultura. É importante também verificar que os artigos sobre nouvelle vague falam da década de 50. Logo depois o Cinema Novo nascia no Brasil. E o mundo fervia na década de 60.

Vou mostrar uma parte da matéria, que eu achei mais curiosa, mas recomendo que leiam a íntegra e leiam o livro biográfico de Truffaut. Mesmo as pessoas como Casé e Joel insistindo em me ensinar a usar o “leia mais” para se ler a íntegra da matéria, eu ainda não aprendi. Só sei colocar o endereço eletrônico. Já é um avanço. Vocês podem “copiar e colar”.

O filme manifesto da nouvelle vague


Michel Marie procura desfazer algumas lendas associadas ao célebre movimento francês que teve no longa de estreia de Godard, 'Acossado', seu mais importante cartão de visitas

04 de fevereiro de 2012 | 3h 00 - Luiz Zanin Oricchio - O Estado de S.Paulo
http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,o-filme-manifesto-da-nouvelle-vague,831032,0.htm

Em A Nouvelle Vague e Godard o autor precisa alguns pontos sobre esse importante movimento cinematográfico francês e analisa mais a fundo aquele que considera seu filme mais emblemático, Acossado (À Bout de Souffle), de Jean-Luc Godard. Para isso o livro se divide em duas partes - A Nouvelle Vague: Uma Escola Artística e O Filme Manifesto: Acossado.

Michel Marie,o ensaísta, vê na nouvelle vague uma coerência de grupo, um acontecimento esteticamente particular, consistente e limitado no tempo. É um momento único do cinema francês e mundial, que teve seu apogeu e passou, mas produz consequências até hoje. Assim, a nouvelle vague foi muito mais que uma rebelião ou ajuntamento de amigos: “Foi uma das escolas mais afirmadas e mais coerentes da história do cinema”, escreve.

A nouvelle vague preenche todos os requisitos para tal: possuiu um corpus de doutrina crítica mínima, a política dos autores, e um programa estético, fazer filmes pessoais, escritos e dirigidos por seus autores. Publicou seu manifesto (no caso, o artigo demolidor de Truffaut, Uma Certa Tendência do Cinema Francês). Reuniu um conjunto de artistas para um trabalho comum. Pôde apresentar logo um conjunto de obras para mostrar a que vinha (Nas Garras do Vício, Os Incompreendidos, Acossado, Paris nos Pertence, Amor Livre e Signo do Leão).

Dispôs de um suporte editorial para defender suas ideias (os Cahiers). Tinha uma estratégia promocional bem clara e azeitada, turbinada por François Truffaut em sua coluna semanal na revista Arts. Possuía um líder (Truffaut) e um papa do movimento (André Bazin). Por fim, dispunha de adversários, “já que toda escola se afirma contra o que a precedeu ou lhe é coexistente”. No caso, os inimigos da nouvelle vague eram os cineastas e roteiristas do velho cinema francês, a parte da crítica que não os aceitava e a revista Positif, rival dos Cahiers até hoje.

Além disso, ao contrário do que reza a lenda conservadora, a nouvelle vague conseguiu interessante aliança com o público, pelo menos em seu início. Com a tabela de números em punho, Marie mostra que filmes como Os Primos (Chabrol, 1959), Os Incompreendidos (Truffaut, 1959) e Acossado (Godard, 1960) tiveram público semelhante aos melhores lançamentos do antigo cinema.

Cada um desses filmes da primeira safra nouvelle vague levou cerca de 260 mil espectadores ao cinema, na estreia e apenas em Paris, números muito bons para a época. Sem esse diálogo mínimo com o público, qualquer movimento cinematográfico cai na irrelevância. E havia também a repercussão (embora não unânime) da crítica, a presença forte em festivais de primeira linha, a exportação para vários países.

Dentro desse conjunto de obras, uma se sobressai, porque funciona como manifesto fílmico da nova escola - Acossado, de Godard, rodado a partir de um roteiro de Truffaut que, por sua vez, baseou-se num fait divers lido no jornal. É um filme que está em cartaz até hoje (conforme a frase de Cacá Diegues sobre Terra em Transe).

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