segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Bancos, Governo, TST e Bancarização

Os bancos nunca ganharam tanto dinheiro

Vejam mais esta matéria que saiu no jornal DCI – Diário do Comercio e da Industria.

Para compensar o fim da inflação com o Plano Real, FHC, além do PROER e das privatizações dos bancos estaduais, autorizou os bancos a cobrarem Tarifas Bancárias e também a terem Correspondentes Bancários, para baratear o custo com salários. Com o crescimento econômico de Lula, os bancos nunca ganharam tanto dinheiro.

E quem põe limites nos bancos?
Como estimular o fortalecimento financeiro das pequenas e médias empresas? Como garantir os direitos trabalhistas de quem trabalha para banco? Este não é um debate só dos bancos e do governo. É um debate para ser feito no Congresso Nacional e em toda sociedade. É um problema do Brasil e dos brasileiros. Não é uma questão técnica. É política!

Demissão de correspondente bancário afetará consignado

DCI - Finanças - SÃO PAULO - SP - 10/02/2012 - Pág. B2 São Paulo –

No próximo dia 30 de março termina o prazo dado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) para o final das atividades de correspondentes bancários, os chamados pastinhas terceirizados dentro das agências de banco, uma atividade regulada pelo Banco Central (BC).

A medida deve afetar a captação de crédito consignado pelos bancos e colocará na rua entre 30 mil e 40 mil profissionais, denuncia o presidente da Associação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Crédito e Correspondentes do País (Aneps), Luiz Carlos Bento, após seminário promovido pela Inova, realizado ontem em São Paulo.

Segundo o presidente da entidade, os correspondentes bancários respondem 35% da captação de crédito consignado dos bancos. Em 2011, o volume de crédito consignado cresceu 14,7% no sistema financeiro nacional, com a adição de R$ 20,4 bilhões no volume, que fechou o ano com R$ 158,628 bilhões.

A força de vendas dos correspondentes bancários envolvem 600 mil colaboradores em todo o Brasil, sendo 165 mil cadastrados no Banco Central, desses últimos cerca de 40 mil, ou 25% trabalham dentro das agências dos grandes bancos brasileiros - Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil.

Na opinião de Bento, os grandes bancos não devem contratar os correspondentes como bancários para não comprometerem seus balanços financeiros. Haverá algumas contratações, mas a quase totalidade dos profissionais irá para a rua e poderá comprometer o crescimento do setor, lamentou o presidente da Aneps.

A entidade congrega mais de 400 empresas prestadoras de serviços que experimentaram nos últimos 10 anos, crescimento acima do crescimento do volume de crédito. Se o TST voltar na decisão, o setor poderá crescer 20% em 2012 e gerar mais empregos, diz Bento.

Enquanto a situação não se decide entre o Banco Central, Sindicato dos Bancários e o TST, o setor busca outros caminhos para crescer em 2012. Em breve teremos mais correspondentes oferecendo financiamento em concessionárias de automóveis, além de crédito imobiliário e crédito pessoal em diferentes redes de varejo, prevê.

Ele considerou que o setor também será impulsionado por investimentos do Banco do Brasil no Banco Postal que opera nas agências dos Correios e pela inauguração prevista de mil lotéricas pela Caixa Econômica Federal. A atividade também está avançando em redes de farmácias e de supermercados, avalia o presidente da Aneps sobre as perspectivas para o segmento.

Na visão do presidente da entidade, o setor colaborou muito para o crescimento do crédito nos últimos anos. A mais nova tendência é que as empresas prestadoras de serviços abram suas próprias lojas e ofereçam os serviços bancários que a população precisa. Os bancos perceberam isso e apoiam nossa força autônoma de vendas, afirma.

O segmento se divide em duas áreas:
1 - os correspondentes transacionais como lotéricas e agências dos Correios que recebem pagamentos de contas e recebem por prestação de serviços;
2 - e os correspondentes negociais, também conhecidos como pastinhas que oferecem produtos financeiros, e ganham por comissões de vendas. Temos profissionais que não querem se tornar bancários, eles ganham muito mais com as comissões, disse.

Bancários x Correspondentes

Para entender a polêmica em torno da questão trabalhista, vale lembrar que a resolução do TST acatou uma reinvindicação do Sindicato dos Bancários e de seu ex-presidente Ricardo Berzoini, também ex-ministro do Trabalho no governo de Lula, que criticava a precarização das atividades nas agências pela contratação de mão de obra de terceiros. É uma questão sindical polêmica que tenta identificar o correspondente bancário como bancário, quando exerce uma atividade similar para as instituições financeiras.
De acordo o consultor de Gestão de Terceiros da Saratt, Adriano Dutra da Silveira, o TST só deve voltar a tratar de um possível marco regulatório sobre terceirização do trabalho no mês de maio. Haverá a possibilidade do TST fazer um súmula para o setor bancário, e estabelecer outras para os setores de energia, empresas públicas e tecnologia, prevê.

Nos cálculos do consultor, 45% das ações trabalhistas movidas contra os bancos são feitas por profissionais contratados por empresas de terceiros. Já chegaram 5 mil recursos de tercerização no TST, a mais alta corte da justiça do trabalho, contou Claúdia Brum Mothé, sócia do escritório Siqueira Castro Advogados.
Mothé lembrou que no último balanço do Santander Brasil, o banco reservou R$ 962 milhões para provisões para cobrir eventuais perdas em processos trabalhistas. Isso impacta diretamente no lucro das instituições financeiras, diz. O projeto de lei 4330/04, do deputado federal Sandro Mabel, ainda está sem data para votação.

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