quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O que falta ao Brasil

No olhar dos brasileiros que moram fora

Sim, o Brasil pode ser igual à Noruega, à Holanda e à França.
É uma questão de tempo e de comprometimento da população. Quando a gente lê a matéria divulgada pela BBC Brasil, escrita em Paris por Mário Camera, fica com vontade de comentar. Vejam o resumo.
Por que não aprendemos o que o Japão tem de bom? Por que não temos a produtividade chinesa ou alemã?

O Brasil poderia estar muito melhor do que atualmente, mas quais foram e são os motivos que impediram de isto acontecer? Como superá-los? Este é o grande dilema de todos os países atrasados.

Como fazer nossas reformas estruturais? Será que nossa imprensa, nosso judiciário, nosso legislativo e nossos empresários se comprometeriam por uma ampla reforma da nossa sociedade? Será? Este é o grande debate para o século XXI. Como fazer reformas democráticas, sem precisar passar por revoluções? Qual país conseguiu tal proeza?

Além do que aparece na matéria da BBC, poderia acrescentar milhares de histórias verdadeiras e interessantes sobre experiências positivas de outros países e que poderíamos copiar ou reproduzi-las. Mas leiam estes exemplos abaixo, como contribuição à reflexão e à motivação. Valeu a recomendação.

“Imigrantes destacam o que falta ao Brasil


Mário Camera - De Paris para a BBC Brasil
Atualizado em 29 de dezembro, 2011 - 08:51 (Brasília) 10:51 GMT

Enquanto o Brasil se prepara para avançar mais uma posição no ranking das economias, mas ainda enfrenta mazelas típicas de países subdesenvolvidos, imigrantes brasileiros que vivem nos países com os mais altos índices de desenvolvimento destacam as diferenças entre os dois mundos.

Leonardo Dória vive há 10 anos na Noruega, país que lidera o ranking elaborado a partir do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Com nota 0,943, a Noruega fica perto da nota máxima 1, seguida pela Austrália (0,929) e pela Holanda (0,910). Esses países fazem parte de um grupo de 47 com desenvolvimento considerado muito alto. O Brasil está no grupo imediatamente inferior, na 84ª posição, e com nota 0,718.

"O petróleo gera muita riqueza para a Noruega", diz Doria à BBC Brasil, destacando que essa riqueza é distribuída de forma "justa e igualitária".

Uma forma de medir isso e comparar com o Brasil toma por base o coeficiente de Gini, que mede a concentração de renda em um país. A Noruega tem um coeficiente de 25,8, que indica uma das melhores distribuições de renda do mundo. O do Brasil, de 53,9, põe os país entre os 10 piores do mundo no quesito, segundo a ONU.

Salários compensadores

O baiano Alessandro Mendes, também morador de Oslo, diz que ainda está se adaptando ao país. Ele chegou à Noruega a passeio, após visitar a irmã na Alemanha. "Eu dei sorte. Vim a convite da minha atual esposa e acabei encontrando um trabalho", conta.

"O custo de vida aqui é muito alto, eu tenho de pagar o equivalente a cerca de R$ 600 por mês pela creche da minha filha", diz, ao explicar que já pensou em fazer bicos como guia de turismo para aumentar a renda familiar.

Doria, que, além de trabalhar como geógrafo, tem um site com dicas sobre a Noruega, concorda que o custo de vida no país seja alto. "Mas os salários compensam e, tudo o que você paga, está relacionado à sua renda anual", disse, citando a educação e a saúde, calculadas com base nos rendimentos de cada trabalhador, de modo a não pesar no bolso dos mais pobres e manter a igualdade de oportunidades.
Filhos poliglotas

Na Holanda, terceira colocada no último ranking do IDH, o sistema é parecido. Para ter acesso a médicos e hospitais públicos, o cidadão precisa ter um plano de saúde cujo valor é calculado com base na renda.

"Eu pago 500 euros mensais para mim, para minha mulher e para os meus três filhos", diz o músico paulista Alaor Soares, que mora na cidade holandesa de Vleutten desde 1992. "E meu filho acabou de começar o ano letivo e eu tive apenas que comprar um computador para ele usar durante as aulas, o resto é gratuito", acrescentou.

Na mesma escola, os três filhos de Alaor aprendem francês e alemão. Além disso, já falam português, holandês e inglês, que aprenderam em casa.

"Aqui, a escola é pública e todo mundo usa, até a filha da princesa", diz Marcia Curvo, engrossando o coro. Há 12 anos na Holanda, a goiana fala com orgulho do país que adotou para viver. "Eu pago imposto e tenho retorno. Amanhã, se eu ficar inválida, eu vou ter tudo: tratamento, assistente social, moradia. Eu não vou ficar jogada no meio da rua."

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