domingo, 8 de janeiro de 2012

O Judiciário e as Mulheres

Os homens não se entendem

O judiciário brasileiro sempre foi um espaço “masculino”. Juízes, corregedores, promotores, delegados e até advogados. Neste mundo masculino os homens sempre se entenderam e, muitas vezes, se locupletaram.

De repente, surge uma mulher fiscalizando os homens e dando entrevistas sobre os abusos do judiciário brasileiro. Um acinte! Uma mulher, uma baiana surge, não mais que de repente, e começa a dar lição de moral nos homens! A reação foi imediata e a pressão para “enquadrar esta mulher” foi imediata.

A crise do judiciário, enquanto a fiscalização pairava pelo Nordeste, Norte e Centro Oeste, pegou leve e não repercutia na grande imprensa. Mas, por divergências internas na distribuição de dinheiro, a crise pipocou em São Paulo. E aí a coisa pegou fogo! Com São Paulo não se brinca.

A Folha de S. Paulo, que adora se auto-proclamar como o jornal que mais derruba ministros e governos, resolveu entrar na briga e publicou manchetes apelativas distribuindo dúvidas quanto à lisura dos juízes.

Quando as coisas se complicaram, a ombudsman da Folha, Suzana Singer, resolveu divulgar uma avaliação sobre a forma como a Folha fez a reportagem.

Uma outra mulher, Mônica Bergamo, famosa jornalista e bem articulada com os juízes de São Paulo e Brasilia, resolveu comprar a briga com a ombudsman e conseguiu publicar grande manchete, logo abaixo da matéria da ombudsman, desautorizando-a.

Suzana Singer, a ombudsman, não correu da briga, e publicou hoje uma nota, pagando para ver. A Folha, que tem um nome feminino mas é controlada por masculinos, agora ficou com a batata quente.

Por enquanto, graças as mulheres, todos que defendemos a transparência no Judiciário e na Imprensa, estamos ganhando com o debate.

Para fazer jus a um bom trabalho masculino, o conteúdo divulgado por Helio Gaspari, até agora não foi esclarecido por ninguém. O problema não é somente quem fiscaliza quem, inclui saber a origem e o destino daquele monte de dinheiro que Helio Gaspari relatou na sua matéria.

Vejam a nota da Ombudsman sobre os juízes e nosso judiciário masculino.

“Ombudsman – Folha S. Paulo -08/01/2012 - SUZANA SINGER - ombudsman@uol.com.br - @folha_ombudsman

Ainda o caso dos juízes

No domingo passado, em um artigo de réplica, a colunista Mônica Bergamo me acusou de usar dados incompletos na crítica que fiz à manchete "Ministro do STF deu liminar que o beneficia".

A colunista argumenta que as inspeções feitas pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) podem "esbarrar" em pagamentos para ministros do STF. E daí?

Para fazer a acusação -grave- de que a liminar dada por Ricardo Lewandowski o beneficia, a Folha precisa ter provas de que ele recebeu pagamentos de forma indevida. Se a reportagem tem isso, que se publique logo. “

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