terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Ninguém é obrigado a ter uma flor

Mas quem tem vive melhor

Vivemos no mundo do “salve-se quem puder”. O neoliberalismo ainda predomina nas políticas públicas, o Estado do Bem Estar Social continua sob forte bombardeio dos banqueiros e da imprensa. A construção de Políticas Públicas básicas, como habitação, transporte, educação, saúde e alimentação, continuam sendo privatizadas. Até as religiões vivem mais pensando nos dízimos e nos grandes templos do que nas pessoas simples. As Bem Aventuranças estão fora de moda.

Mas ainda existem pessoas de boa vontade, gente simples que gosta de conversar com os vizinhos, gente que gosta de tratar bem os clientes sem pensar em gorjetas, gente que gosta de cultivar jardins e tratar de animais abandonados. Gente que gosta de trabalho voluntário e comunitário. Ainda existem pessoas que ficam felizes com pequenas coisas e pequenos gestos.

Ontem já depois das 19:00h quando estacionei o carro na Vila Madalena para comprar o pão para hoje cedo, vi que a árvore ao lado do carro, estava toda florida. Um amarelo “verão”, por que é um tipo de flor que está presente em várias ruas da Vila Madalena. Olhei para a casa, responsável pela árvore, e para minha surpresa era uma casa simples, provavelmente de moradores já de idade. É uma casa da velha geração da Vila Madalena. Quando ainda não tinham chegados os prédios nem os bares.

Vejam as flores amarelas da Vila Madalena.


Ao chegar em casa, voltei a olhar as flores da vizinha. São outros tipos de flores e é uma outra vizinha. Mas a combinação das plantas e das flores desta vizinha, com as plantas e a primavera da nossa casa, torna nossa chegada em casa mais aconchegante, mais agradável.

Vejam que flores bonitas.


Resolvi escrever isto, pensando na declaração de Joel Bueno de que, como ex-futuro-psicólogo, não está convencido de que a internação de dependentes de crack seja a melhor solução. Também não sei se é, mas tenho certeza de que, se tivesse um irmão ou um filho dependente, eu não o deixaria perambulando pelas ruas à procura de crack.

Faria tudo que fosse necessário para ele ter um tratamento digno, com internação, com acompanhante terapêutico, com viagens, enfim, com tudo que fosse viabilizando a melhora e o convívio com outras pessoas.Os poderes públicos são tão responsáveis quanto os familiares.

Os dependentes de droga, são como as plantas e as flores das ruas e das praças da nossa cidade, precisam ser acolhidas, cuidadas, alimentadas, precisam de água, de podas e de muito carinho. Tudo isto está em falta hoje em dia.

Eu comecei pelas flores...

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