domingo, 1 de janeiro de 2012

Na Folha, nem tudo está perdido

Deixando os medíocres de lado

Não sei a repercussão que deu a matéria da sexta-feira passada onde a Folha, e seu colega de militância tucana, Alberto Goldman, disseram que o primeiro ano de governo de Dilma tinha sido medíocre. Fiquei indignado e fiz minha parte. Mostrei aos meus amigos e leitores que a Folha tinha passado por uma recaída de baixaria jornalística.

Hoje, o primeiro dia do ano de 2012, tive o grato prazer de ler um Editorial onde o jornal assume a sua posição sobre o governo Dilma e não usa nenhum termo chulo. Um texto maduro e consequente. Como eu tenho mania de querer garantir a pluralidade das posições, da mesma forma que na sexta-feira eu reagi imediatamente, hoje, depois do almoço fui ler com calma o editorial e fiquei satisfeito com a maturidade do jornal. Merece, portanto, também ser repercutido junto aos meus amigos e leitores.

Como o Editorial é grande, eu vou reproduzir a primeira metade, sendo que, quem quiser ler na íntegra é só copiar o endereço abaixo. Parabéns para a Folha!

“Dilma, ano 1

Editorial da Folha S. Paulo de 01/01/2012.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/17784-dilma-ano-1.shtml

A administração se saiu bem em vários aspectos, mas falta arrojo para desatar nós que emperram a economia e elevar o padrão da educação
Sucessora de um presidente que fez bom governo e deixou o cargo sob consagração popular, era natural que Dilma Rousseff pautasse sua estreia pela continuidade. Devia o cargo à indicação de Lula, de quem herdou até mesmo boa parte do ministério.

Um ano depois da posse, porém, é considerável o saldo de mudanças acumuladas. Prevalecendo-se da esmagadora maioria no Congresso (a oposição perfaz apenas 17,5% da Câmara) e da imensa soma de poderes à disposição do cargo, a presidente firmou autoridade própria.

Emancipou-se da sombra do antecessor, que tampouco pretendeu tutelá-la, assim como já repelira, em fins de seu segundo mandato, a tentação autoritária de aventurar-se por um terceiro. Alterações na conjuntura facilitaram essa transição.
O governo adotou uma política econômica mais restritiva no primeiro semestre, a fim de conter o surto inflacionário estimulado pela gastança de 2010, quando o país crescera 7,5%. O gasto público deve ter aumentado 3,5% em 2011, contra quase 9% no ano anterior.

Teve a agilidade de corrigir aquela política em meados do ano, passando a reduzir juros quando uma nova crise dentro da crise que afeta as nações desenvolvidas desde 2008, concentrada na Europa, já freava a economia mundial. O Brasil deve crescer cerca de 3% no ano que terminou ontem, ritmo razoável na conjuntura.
Fazenda e Banco Central atuam de forma mais harmônica que no passado, e a diretriz geral do governo se mostra mais pragmática e flexível, admitindo-se inflação de até 6,5%, estimada para 2011, em nome de manter taxas de crescimento compatíveis com as necessidades do país.

Uma saraivada de denúncias e indícios de conduta irregular derrubou seis dos sete ministros substituídos neste ano, num desenrolar que teve por inesperada consequência favorecer a presidente. Ao contrário do antecessor, Dilma Rousseff mostrou-se pouco complacente em face de "malfeitos" -conforme o eufemismo que celebrizou- atribuídos a auxiliares, os quais não teve problemas para dispensar, até porque pertenciam ao pesado legado alheio.”

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