quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A desordem está aumentando

E o mal continua rondando a Terra

No ano passado, nos meses de Abril e Maio, eu divulguei uma série de artigos e resumos do livro do historiador e professor Tony Judt. Talvez influenciado pela grave doença, ele estava pessimista.O livro abordado tinha um título já pessimista: “O Mal Ronda a Terra”.

Um ano depois, por incrível que pareça, a situação continua delicada, sendo que a Europa piorou, os Estados Unidos continuam iguais, o Oriente Médio, que era a grande esperança com a “Primavera”, entrou em processo de impasse, a Ásia continua crescendo, a África sofrendo e as Américas desacelerando-se.

A renovação que se via na América do Sul perdeu o ímpeto, em função do tempo de governo, das crises européias e nos Estados Unidos. O mundo segue um caminho que ninguém sabe onde vai dar...

As palavras de Tony Judt continuam na ordem do dia, como se fossem profecias. Considerando a sobrecarga de atividades que estou tendo, vou preparar uma série de artigos temáticos, que serão publicados neste mês de janeiro.

Que podemos fazer para melhorar a nossa vida, a vida do nosso país e a situação no mundo? Segue a reprodução de um dos textos que saiu em Abril do ano passado, quando este blog estava começando.

Tony Judt e sua contribuição à História

Em todas as épocas, sempre temos pessoas que se destacam. Sejam escritores, artistas, cientistas, estrategistas militares, políticos, religiosos, filósofos ou esportistas.

Tony Judt, além de estudioso, professor, historiador e escritor, viveu todo um período muito rico da história recente da humanidade e também pode contribuir involuntariamente ao relatar a convivência com uma doença que o imobilizou até à morte. Aprendi a gostar dele ao ler o Pós Guerra – Uma História da Europa pós 1945. Um livro imprescindível para estudantes, professores e interessados em conhecer o mundo atual.

Seu último livro foi “O Mal Ronda a Terra”.

O social-democrata, que é bem diferente dos tucanos neo-liberais brasileiros, faz uma série de considerações sobre a vida atual e suas perspectivas. Vou reproduzir algumas, mas recomendo que todos leiam o livro na íntegra. É bem melhor.

Na Introdução o título é “Um guia para os perplexos”, onde ele abre com a frase “Há algo de profundamente errado na maneira como vivemos hoje.” E segue “O caráter materialista e egoísta da vida contemporânea não é inerente à condição humana.
Muito do que parece “natural” hoje em dia data dos anos 1980: a obsessão pelo acúmulo de riqueza, o culto da privatização e do setor privado, a crescente desigualdade entre ricos e pobres.”

“Não podemos continuar vivendo assim. A pequena crise de 2008 serviu para lembrar que o capitalismo desregulado é seu pior inimigo: mais cedo ou mais tarde sucumbe aos próprios excessos e se volta novamente para o Estado em busca de socorro.”
“Hoje, nem a esquerda nem a direita conseguem encontrar o equilíbrio.”

“Uma de minhas METAS é sugerir que o Governo pode desempenhar um papel maior em nossas vidas sem ameaçar a liberdade e ressaltar que, como o Estado vai continuar presente no futuro próximo, vale a pena pensar no tipo de Estado que queremos.”

“Em nenhum lugar da Europa há maioria eleitoral para abolir serviços públicos de saúde, acabar com a educação gratuita ou subsidiada ou reduzir o investimento público em transporte e outros serviços essenciais.”

“Entramos numa era de insegurança – insegurança econômica, insegurança física, insegurança política.
A insegurança alimenta o MEDO. E o medo – da mudança, do declínio, dos desconhecidos e de um mundo estranho –
está corroendo a confiança e a interdependência
nas quais se apóiam as sociedades civis.”


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