segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Brasil, Argentina e os PIBs

Números certos e conclusão equivocada

Desde a semana passada que estou querendo repercutir o estudo que o pessoal que trabalha com Luiz Carlos Mendonça de Barros, fez sobre os PIBs do Brasil e da Argentina. São números assustadores e que devemos prestar bastante atenção. Resolvi reproduzir grande parte da matéria publicada na Folha do dia 30/12/11, e que eu tinha ouvido os comentários dele na Rádio Bandeirantes.

Luiz Carlos Mendonça de Barros geralmente é muito bom de argumentos, mas o que me incomodou foi a conclusão dele. Ele responsabilizou o fracasso da economia argentina “à mão pesada – quase fascista – do peronismo”.

Da mesma forma que eu sempre tive reservas com o varguismo, sempre vi como, carta do mesmo baralho, o peronismo. Frutos da industrialização e da urbanização dos países latino americanos. Os governos conservadores e latifundiários da época não foram capazes de responder às demandas das massas urbanas, abrindo portas ao populismo militarista.

Mas, a história da Argentina conviveu com peronistas e não peronistas, militares e não militares, entreguistas e não entreguistas no governo. E mesmo assim, todos andaram para trás. Menem era peronista e foi um dos presidentes argentinos mais entreguistas da história. Menem dizia que Argentina e Estados Unidos de Clinton era “unha e carne”, até dolarizou o país, piorando mais ainda a situação.

A Europa está afundando com governos que se recusam a fazer consulta ao eleitorado, e estão caindo pela esquerda e pela direita. A Argentina, pelo menos, ainda é o povo que está decidindo. E lá pessoas como Domingos Cavalo não voltam ao governo.

Pode demorar um pouco mais, mas eles merecem encontrar o bom caminho. Na História, todos os países e povos, têm jeito. Quanto à conclusão de Luiz Carlos, que é uma pessoa que convivi e gosto muito, creio que foi um pouco de entusiasmo e falta de cuidado. Coisas de final de ano. Acontece. Vejam um resumo da matéria:

“Sucesso e fracasso
Luiz Carlos Mendonça de Barros – Folha S. Paulo – 30/12/11

Os fatos são suficientemente fortes para mostrar que olhar para a Argentina com inveja não faz o menor sentido
A mídia brasileira e a mundial deram grande destaque ao fato de que o Brasil tomou, em 2011, o lugar da Inglaterra como a sexta maior economia do mundo. Isso estava previsto para ocorrer somente em 2013, mas a crise europeia e o elevado crescimento brasileiro no ano passado fizeram com que ocorresse agora.

Nos próximos anos - entre 2013 e 2014 - será a vez da poderosa França ser ultrapassada pelo Brasil nessa competição entre nações emergentes e países desenvolvidos que já dura uma década. Com a Europa entrando em um período longo - talvez mais de cinco anos - de ajustes estruturais e o Brasil surfando um crescimento continuado, talvez até a poderosa Alemanha fique para trás antes que a década atual termine.

Mas, nesta minha última coluna do ano, quero chamar a atenção do leitor para as economias emergentes perdedoras e que, por erros próprios, estão fora dessa arrancada de crescimento.

Em 1980, entre as 20 maiores economias do mundo, a Argentina ocupava a 10ª posição e o Brasil, a 16ª. Vinte anos depois essas posições tinham se invertido, com o Brasil na 10ª posição e a Argentina na 16ª.

Em 2010, o Brasil já era a 7ª economia no mundo e a Argentina estava fora da lista das 20 maiores. Um desastre completo nestes 30 anos.

Nas projeções do FMI para 2015, o Brasil já será a 5ª economia do mundo, ultrapassando a França, e a Argentina estará relegada à 27ª posição. Que fracasso...

Podemos dizer que o sucesso brasileiro dos últimos anos vem de certa sabedoria - política e técnica- de equilibrar liberdade de mercado com uma intervenção limitada do governo. Já na Argentina a mão pesada -quase fascista- do peronismo destruiu as forças vivas que se desenvolvem em uma economia de mercado e criou um corpo deformado de monopólio de poder do Estado.

Manter esse equilíbrio no Brasil, respeitando as novas demandas por liberdade e racionalidade dos mercados na medida em que nossa economia se desenvolve, será a grande responsabilidade do governo Dilma nos próximos anos. Já a Argentina parece que não tem mais jeito.”

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