terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Bancos na Espanha e nos Estados Unidos

O Crédito Imobiliário e a esperteza americana

Vejam que coisa curiosa. Você começa a ler uma matéria sobre o Banco Santander e a crise na Espanha, e no meio do texto descobre como os bancos americanos fizeram para “socializar os riscos do crédito imobiliário” com o mundo todo, diminuindo seus próprios riscos.

Já os espanhóis fizeram o crédito direto ao comprador de imóveis, ficando com o risco direto e os prejuízos.

Vejam o resumo da matéria que saiu no Estadão de hoje.

“Oferta no Brasil ajuda Santander na Espanha


09 de outubro de 2009 - Leandro Modé - O Estadao de S.Paulo
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A oferta pública de ações no Brasil vai ajudar o banco Santander a cobrir rombos
provocados pelo estouro da bolha imobiliária na Espanha.

Em um comunicado enviado à Bolsa de Madri, a instituição informou que obteve um ganho extraordinário de 1,43 bilhão (R$ 3,7 bilhões) com a operação. O montante, segundo o texto, se destinará a "provisões genéricas".

Um analista explicou que esse dinheiro é fruto de ganhos contábeis. Não se trata, segundo ele, de recursos obtidos diretamente com a oferta - até porque, no prospecto da operação, o banco disse que usará tudo o que foi arrecadado na própria filial brasileira.

No balanço global do Santander, explicou o especialista, a filial brasileira tem um determinado valor. Após a operação na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e na Bolsa de Nova York, esse valor aumentou, gerando um ganho de capital para a matriz que pode ser revertido em lucro.

Como o banco tem enfrentado perdas expressivas na Espanha,

decorrentes da crise imobiliária (agravada pela crise econômica), preferiu utilizar os ganhos extraordinários para fortalecer as provisões (reservas anticalote).

O analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu, explicou que
a crise imobiliária na Espanha afetou os bancos
de forma distinta do que nos Estados Unidos.


"Os bancos espanhóis fizeram os empréstimos diretamente aos clientes

e, por isso, esses créditos ainda estão em seus balanços", afirmou.

Nos EUA, a maior parte dessas operações passou por um processo de securitização.


Ou seja, o empréstimo foi fatiado, empacotado e vendido a investidores no mundo todo. O ganho da aplicação vinha dos juros pagos pelos mutuários.

Santacreu também explicou que, assim como nos EUA, a crise econômica piora os índices de inadimplência, não só no segmento imobiliário.

O Produto Interno Bruto (PIB) espanhol caiu 4,1% no segundo trimestre do ano
, na comparação com igual período de 2008. A taxa de desemprego no país, na casa de 18%, é a mais alta da Europa.

"No momento, o Brasil é um contraponto à Espanha", disse Santacreu.
"Aqui, o crédito imobiliário está começando a crescer, enquanto na Espanha há uma crise profunda.”

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