quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Alemanha dá um baile na Europa

Todos em crise e a Alemanha ganhando

Tem algo errado no reino da Europa. Enquanto todos os países estão em crise, a Alemanha está ganhando por todos os lados. Na contabilidade não tem milagres, para existir um crédito, tem que existir um débito.

Por várias vezes já saíram notícias de que a Alemanha está se beneficiando da crise européia. Sem precisar dar um tiro de canhão, nem invadir formalmente qualquer país. As coisas são resolvidas através dos negócios financeiros, exportações e importações.

Não há dúvidas de que a Alemanha tem seus méritos, mas os demais países europeus não são tão estúpidos assim. Tudo indica que a regra do jogo precisa ser readequada. Doa a quem doer. Mas como está não pode ficar. Vejam esta matéria de Jamil Chade, correspondente do Estadão em Genebra.

“Economia alemã vai na contramão da crise e registra recordes
Estadão – Jamil Chade – Genebra - 03/01/2012

Dados de emprego, produção industrial e consumo domésticos relativos a 2011 são os maiores da última década

Enquanto a Espanha encerra as atividades de canais de tevê, a Grécia fecha escolas e Portugal vê seus jovens emigrarem para o Brasil, a Alemanha vive uma realidade totalmente diferente dos parceiros europeus. Dados revelados ontem mostram que o motor da economia europeia bateu um recorde no número de trabalhadores empregados em 2011, a produção industrial ficou acima da média e a expansão do consumo doméstico é a maior em dez anos.

Em 2011, a economia alemã criou mais de 500 mil postos de trabalho e, no total, 41,04 milhões de pessoas estão trabalhando. O número é 1,3% acima de 2010. O desemprego caiu para apenas 5,7%. Na Espanha e na Grécia, a taxa é quatro vezes maior.

Berlim colhe os frutos do modelo inspirado na experiência da Volkswagen: semanas de quatro dias de trabalho, em troca de um salário mais baixo. Mas, em compensação, uma população praticamente sem o temor do desemprego e que continua consumindo. O "kurtzarbeit", como ficou conhecido, rendeu votos para o governo de Angela Merkel e até o setor da construção civil registrou uma expansão na contratação de 1,7%.

Ontem, as bolsas europeias subiram diante dos números da produção industrial alemã, melhores que o previsto. As ações da Siemens, ThyssenKrupp e Suedzucker começaram o ano de 2012 com altas importantes.

O governo alemão é acusado pelos parceiros de não estar colaborando de forma suficiente para o resgate da União Europeia. Merkel, porém, insiste que só vai fornecer ajuda se os demais governos se comprometerem com uma lei de equilíbrio fiscal. Para críticos na Espanha e na Grécia, porém, os alemães têm amplamente se beneficiado da zona do euro, exportando justamente para esses mercados sua produção.

Em 2011, o país fechou com um superávit comercial de 150 bilhões, enquanto a maioria do bloco apresentou déficit. Além disso, a Alemanha viu o custo de financiar sua dívida desabar nos últimos meses. Investidores que tinham aplicações em papéis dos países periféricos do bloco migraram para os títulos do Bundesbank. Se não bastasse, crescem as acusações de que Berlim teria condicionado vantagens para empresas alemães em planos de privatização em Portugal e na Grécia.

Dados do consumo também mostram a saúde da economia alemã. Segundo a Câmara Alemã de Comércio e Indústria, os números de 2011 foram os mais fortes em mais de uma década.

"A demanda doméstica robusta ajudou a prevenir uma queda na economia. O ano passado foi o melhor ano para o consumo em mais de dez anos", declarou a entidade. A expansão foi de 1,2%, incentivada pela geração de novos postos de trabalho e a consequente queda do desemprego.

Diante do otimismo, a Daimler AG prevê produzir em 2012 um número recorde de veículos para o mercado alemão. Na Espanha, números oficiais mostram que o registro de veículos novos em 2011 foi o menor desde 1993.”

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