terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Os Setúbal e os trabalhadores

Religiosa que ajudou os pobres

Talvez eu seja um saudosista, por que quando eu vi na Folha de São Paulo de hoje a nota de falecimento da Madre Júlia, nome religioso de Dona Yolanda Setúbal, com a matéria que reproduzo abaixo, fiquei imaginando sobre a vida e os caminhos que as pessoas de uma mesma família podem percorrer.

Conheci o Sr. Olavo Setúbal quando eu era presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, como conheci também Roberto Setúbal. É evidente que o Banco Itaú que convivi nos anos 80 era bem diferente deste Itaú tão grande, tão lucrativo e tão desumano. Naquela época os dirigentes do banco eram mais receptivos às demandas dos trabalhadores. Os funcionários eram tão importantes quanto os clientes e os acionistas.

A Família Setúbal tem contribuído muito para o Brasil
. Mesmo Roberto Setúbal, com toda sua dureza em mandar demitir milhares de funcionários do Itaú, também contribuiu ao construir o maior banco privado brasileiro. É um bom investidor, mas precisa lembrar que muitos demitidos passarão um Natal sem emprego perante seus filhos e familiares. Isto não é um bom espírito natalino, isto não lembra Jesus.

Neste Natal, precisamos nos lembrar das pessoas
que fazem “a opção pelos pobres”, das pessoas que trabalham ajudando todos a crescer na vida, lembrar de pessoas que, mesmo sendo presidente de um grande banco, sempre tratou seus subordinados com respeito, e lembrar que não adianta gastar milhões de reais com propaganda e não levar em consideração o moral dos seus funcionários nem a tranqüilidade dos seus clientes.

Que 2012 traga mais esperança para os funcionários do Itaú Unibanco, com menos demissões e mais respeito no dia a dia. E que a Família Setúbal possa continuar a ver seus familiares serem admirados pelos brasileiros. Veja a matéria da Folha de hoje:

“Yolanda Setubal (1924-2011) - Religiosa que ajudou os pobres
Folha S. Paulo – 20/12/2011 - ESTÊVÃO BERTONI -

Em Manaus (AM), Yolanda Setubal escolheu morar na periferia. Coerente com seus princípios, acreditava que, se ia trabalhar com os pobres, tinha de viver como os pobres. Yolanda pertencia à família que controla o Itaú, o maior banco privado do país.

Nascida em São Paulo, era filha do advogado Laerte Setubal. Seu primo Olavo foi prefeito de São Paulo, ministro das Relações Exteriores e um dos banqueiros mais conhecidos do Brasil. Seu irmão Laerte Filho é membro do conselho da Itaúsa, que controla as empresas do grupo.

Em 1946, Yolanda entrou para a congregação Nossa Senhora Cônegas de Santo Agostinho. Concluiu o noviciado na Bélgica e tornou-se então a madre Maria Júlia.

De volta ao Brasil, foi uma das diretoras do colégio Nossa Senhora do Morumbi. Saiu de lá após se ligar à Teologia da Libertação. Foi se dedicar às comunidades eclesiais de base na zona leste da capital. "Ela saiu da diretoria de um colégio que educava as elites e optou pelas comunidades pobres", conta a socióloga Maria Alice Setubal, filha de Olavo Setubal.

Em Manaus, um centro cultural ganhou seu nome. Trabalhou ainda em Goiânia, integrou grupos de estudos no Sedes Sapientiae, em SP, e dirigiu sua congregação, cuja história estava escrevendo. Há pouco tempo, ainda fazia questão de andar de ônibus. Era culta e discreta, contam suas amigas religiosas.

Morreu na segunda (12), dia em fez 87 anos, devido a uma embolia. A missa do sétimo dia será hoje, às 11h, no colégio Madre Alix, na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1.555, em São Paulo. “

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