segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Os Bancos brasileiros viram gigantes

Algumas Histórias

A partir da matéria “O banco que entrega cartas” da ISTOÉ DINHEIRO - Finanças - SÃO PAULO - SP - 28/12/2011 - Nº 742, e de informações do Banco Central do Brasil.

1 – O Banco que o BB comprou – o Banco Postal


Quando as 6.195 agências do Banco Postal abrirem suas portas no dia 2 de janeiro, os caixas eletrônicos e os balcões de atendimento terão a marca do Banco do Brasil, no mesmo azul e amarelo dos Correios. Os funcionários já foram treinados e os sistemas de computador já estão preparados. O BB investiu cerca de R$ 13 milhões para preparar a rede para a mudança e aposta na ampliação dos locais de atendimento aos clientes do banco para receber o público de renda mais baixa que entrou no mercado nos últimos anos e gosta e precisa ir pessoalmente às agências porque não tem acesso à internet.

O BB tem hoje 55,6 milhões de clientes.

Desses, menos de quatro milhões usam a internet de forma regular e 44 milhões têm renda mensal inferior a R$ 1,5 mil. É esse o público-alvo do Banco Postal, que nos últimos dez anos foi operado pelo Bradesco.

Com as duas mil agências do Banco Postal, o BB estará em 95% das cidades brasileiras e faltarão apenas 192 cidades para alcançar a totalidade da cobertura geográfica do País continental. No cálculo do aumento da rentabilidade entram duas vertentes: a redução dos custos de cada operação e a ampliação dos produtos e serviços oferecidos.

A mesma transação - um pagamento de conta de luz, por exemplo
- custa R$ 2,95 para ser processada numa agência bancária regular. Num correspondente bancário, o custo cai para R$ 0,65 e na internet a despesa é de apenas R$ 0,17. É mais barato fazer o atendimento eletrônico, mas o banco necessita de presença física porque o cliente quer isso, diz Abreu.

Na outra ponta, está a rentabilização dos clientes já existentes. Vamos abrir cinco milhões de contas e ganhar mais R$ 18,68 por cliente por mês com os novos produtos adquiridos no banco, estima Caffarelli. Além disso, podemos rentabilizar os demais clientes de menor renda em R$ 10,40 por mês, afirma. Um exemplo são as aposentadorias: 70% delas são pagas pelo BB, mas apenas 7% desses clientes têm crédito consignado com a instituição. Uma parcela bem maior tem contratos com bancos de pastinha que fazem captação ativa dos clientes.


2 – O Banco que o Bradesco perdeu – o Banco Postal


Quando deixar de operar o Banco Postal, no dia 29, o Bradesco levará para sua base de clientes 11 milhões de contas abertas nos dez anos em que administrou o Banco Postal. Para evitar que elas migrem para o Banco do Brasil, o Bradesco abriu 1.003 novas agências nos últimos seis meses, desde que o BB venceu o leilão realizado pelos Correios.

Com este movimento de transferência do Banco Postal para o BB e de abertura de mais de mil agências, o Bradesco também precisou “bancarizar”, isto é, contratar como “Bancários” mais de seis mil pessoas.

O Bradesco está correndo atrás do Itaú e do Banco do Brasil, mas é um concorrente que não pode ser subestimado! Vamos deixar para avaliar o mercado no final de 2012 para ver como os bancos e os resultados serão apresentados.

3 – O Banespa que o Santander comprou: Uma pechincha


O Santander, quando comprou o Banespa por R$ 7 bilhões em 2000, também foi muito criticado na época, mas o que parecia alto demais se revelou uma pechincha anos depois e garantiu a presença do banco espanhol entre os gigantes do mercado brasileiro.
Hoje, não parece haver dúvida sobre o acerto de se investir no público de menor renda, cada vez mais incluso no mercado de consumo.

4 – O Itaú terá um lucro médio de 1,2 bilhão por mês, neste ano de 2011.

- Com um lucro anual próximo de 15 bilhões de reais em 2011, quantos Banespas o Itau poderia ter comprado?
- Com a incorporação do Unibanco, o Itaú passou o ano de 2011 enxugando agências e demitindo milhares de funcionários.

5 – A CEF – Caixa Econômica Federal é um gigante manco.

Mesmo a CEF tendo 2.258 agências até outubro deste ano e mais milhares de correspondentes bancários através das Lotéricas, acaba funcionando como um Banco manco. Um agente financeiro repassador de políticas públicas, como a poupança, a gestão do FGTS, a política habitacional e, principalmente os recursos das loterias, acaba sendo um Banco que não é uma empresa de capital aberto, não está presente na Bolsa de Valores e, portanto, acaba tendo uma forma de gestão diferenciada e sem agilidade.

6 – Cinco bancos controlam o mercado financeiro nacional
O Brasil possui 140 instituições financeiras, sendo que apenas cinco deles, Bando do Brasil, Bradesco, Itaú, Caixa Federal e Santander possuem 86% das Agências e mais de 80% dos ativos, dos depósitos e tudo que um banco precise ter. Os outros 135 bancos ficam com apenas 15% do restante financeiro do mercado brasileiro.
É um grande oligopólio.

Um comentário:

  1. No item 3 (O Banespa que o Santander comprou: Uma pechincha), você poderia informar também que os 35 bilhões de reais da parte podre do antigo Banco do Estado de São Paulo, resultado da péssima gestão tucana e do PMDB naquela instituição financeira nos últimos 20 anos, foram assumidos pelo governo federal e divididos por todo o povo que arcará com a bilionária dívida paulista.

    Uma beleza!

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