terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O Brasil que dá certo

E que todos participam

Ontem foi mais um dia de gozação na internet. O pessoal queria saber como a Rede Globo e a imprensa tucana iria reagir à notícia de que o Brasil passara a Inglaterra no tamanho do PIB. À noite o pessoal riu muito vendo a Globo News gaguejando, sem graça, quando teve que comentar o assunto.

Estes vexames que “os jornalistas formadores de opinião” da mídia tradicional brasileira passam, poderiam ser evitados se eles fossem mais profissionais e éticos. Eles não precisam deixar de ser tucanos, mas precisam ser profissionais e separar o “fato” do “comentário sobre o fato”.

Eles precisam aprender com os comentaristas esportivos, todos eles torcem para um determinado time, mas na hora do jogo, eles precisam atuar com a maior neutralidade possível. E eles conseguem!

O Brasil sempre foi um país “deitado eternamente em berço esplêndido”. Mas este gigante está tomando consciência da sua capacidade e, aos poucos, vai conquistando o seu lugar. E todos contribuíram e contribuem para isto. Desde os portugueses religiosos, escravocratas e aventureiros, assim como os imigrantes, os negros que para cá vieram como escravos, os índios nativos e toda esta mistura de gente que veio no século passado. Todos temos virtudes e defeitos!

Uma outra característica nossa é que somos um país de poucos heróis. Muitos dos citados em nossa história oficial são heróis inventados. Batalhas e guerras que não merecem ter a versão que constam nos livros. Nossa história precisa ser reescrita, incluindo outros atores e outras versões. Para garantir que nosso país se identifique com todos que contribuíram para sua grandeza.

Apesar da redemocratização recente, ainda continuamos querendo dar nomes de pessoas aos fatos históricos, como se individualmente estas pessoas fossem “o pai” ou “a mãe” dos fatos. Como se eles fossem imprescindíveis. Esta é uma visão simplista da história. O fim da escravidão no Brasil viria com ou sem a lei da libertação dos escravos assinada pela Princesa Isabel.

Quanto à modernização econômica, desde os produtores de cana-de-açucar do Nordeste, os produtores de café de São Paulo, os produtores de soja no Sul e Centro Oeste, passando pela exportação mineral, a industrialização com Getúlio Vargas e Juscelino, passando também pelo “milagre econômico” da ditadura militar. Tudo isto contribuiu para o Brasil de hoje.

Na história atual, depois das eleições diretas, Collor com toda sua corrupção, também contribuição com a abertura econômica. Fernando Henrique, mesmo com o neoliberalismo entreguista, também contribuiu muito com o Plano Real e para mostrar que o povo precisava ser mais ativo e não deixar acabar com o patrimônio público. E finalmente Lula e Dilma estão fazendo um governo de combinação do crescimento econômico com inclusão social de milhões de brasileiros, inclusive mantendo alguns princípios do neoliberalismo.

Não existe um santo padroeiro. Não há por que fazer o jogo da mitificação desta ou daquela pessoa. Não precisa beatificar Dona Ruth pela campanha de “Educação Solidária”, nem precisa beatificar Lula como “o pai dos pobres”. Precisamos sim, reconhecer que todos contribuíram e que todos são importantes. Não precisa ter inveja de um operário que fez mais do que muitos “doutores”.

Para o povo, o importante é o milagre e não o santo. Troquem os santos e mantenham os milagres, as igrejas continuarão cheias. Troquem os santos e acabem com os milagres e os fiéis trocarão de igreja e de fé. Para a História, os fatos e as pessoas são importantes. E quanto mais entendermos os fatos e incluirmos as pessoas, mais teremos democracia participativa e teremos menos mitificação.

A democracia moderna passa pela pluralidade, pela diversidade, pela inclusão e participação de todos. Instituições como o parlamento, os partidos políticos, o judiciário, as forças de segurança, o sistema “S”, os sindicatos e os meios de comunicação, precisam ser repensadas e redefinidas. Para que o trabalho coletivo se sobreponha aos milagreiros e aos manipuladores.

2 comentários:

  1. Grande Nego Velho!!! É necessário que haja um banho de educação e, este, acho que já começou. Só assim teremos um povo com consciência crítica, necessária às escolhas mais qualificadas. Concordo com o Guido Mantega quando diz que precisaremos de, pelo menos, 20 anos para adquirir um padrão de vida europeu, ou seja, mais um ciclo de 5 gestões com o rítimo imprimido nos governos do nosso companheiro Lula e companheira Dilma.

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  2. RECOLHIDO DO TEXTO DO GILMAR:

    "...Muitos dos citados em nossa história oficial são heróis inventados..."

    "...Nossa história precisa ser reescrita, incluindo outros atores e outras versões..."

    "...ainda continuamos querendo dar nomes de pessoas aos fatos históricos..."

    "...Fernando Henrique, mesmo com o neoliberalismo entreguista, também contribuiu muito com o Plano Real..."

    =========
    OUTRA VERSÃO:

    Nossa história tem herói inventado (Fernando Henrique) e precisa ser reescrita, incluindo atores (Itamar Franco) e não dar nome (falso) a fato histórico (Plano Real).

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