sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Iraque - Uma guerra para ser esquecida?

O Oriente Médio mais desorganizado

Depois de gastar 1,257 trilhão de dólares, morrerem 120 mil pessoas, sendo apenas 4,483 americanas, e passarem nove anos infernais, os Estados Unidos declaram encerrada uma guerra que serviu mais para desorganizar o Oriente Médio, do que para punir os terroristas que explodiram as Torres Gêmeas. Nem George W. Bush nem os americanos são muito chegados aos ensinamentos da Arte da Guerra. O ódio é o maior inimigo da boa estratégia e do baixo custo humano e material.

A principal derrota para todos nós nesta guerra, foi tirar os sunitas do poder e entregá-lo para os xiitas. Se o Irã já estava forte, depois da invasão ao Iraque, ficou mais forte ainda. Não foi à toa que a pressão sobre Israel cresceu e os países árabes que sempre foram governados pelos sunitas passaram a viver sob um movimento de massa articulado pelos religiosos muçulmanos.

A nova tática não é da guerra direta e do terrorismo, agora a palavra de ordem é “mais emprego, mais liberdade e eleições diretas já!”. Assim, as formas de governos autoritários herdados da segunda guerra mundial vão sendo substituídos por governos plebiscitários, hegemonizados pelas seitas xiitas ou articuladas com elas.
O jogo de xadrez mundial ficou mais complexo e o futuro está mais difícil de ser previsto ou planejado. Não é por acaso que o livro de Henry Kissinger, “Sobre a China”, está fazendo tanto sucesso.

Como não se faz omelete sem quebrar os ovos, da mesma forma que a Europa usou as Cruzadas para tentar resolver seus problemas, os americanos tentaram usar o Oriente Médio para resolver a crise econômica estrutural que aumentava nos Estados Unidos. Ganharam tempo e eleições, mas não impediram o avanço da crise econômica e seus reflexos sobre a Europa e o Mundo.

O jogo de xadrez continua. Os americanos estão voltando para casa mais uma vez com o moral aquém do seu passado de glória quando ganhava todas as guerras, principalmente contra a Espanha e suas Colônias. Os tempos são outros e é mais do que evidente que a “regra do jogo” precisa ser repensada e reorganizada. A crise aparece primeiro na economia e depois passa rapidamente para a política e, se não resolvida, vira batalhas de ruas e de países...
Vejam este resumo do Estadão:

“Sem falar em vitória, EUA declaram oficialmente fim da guerra no Iraque


Conflito incômodo. Tentando amenizar a percepção de que saída de soldados americanos abandonará os iraquianos à própria sorte após quase nove anos de combates, secretário de Defesa americano assegura que Washington se manterá 'ao lado do povo' do país.

Estadão -16/12/2011, 03h07-Denise Chrispim Marin, correspondente / WASHINGTON

Com uma cerimônia discreta em Bagdá e sem festejos em Washington, os EUA declararam ontem, formalmente, o fim da guerra no Iraque. Considerado o mais controvertido conflito liderado pelos EUA depois do Vietnã, a guerra custou US$ 1,257 trilhão ao contribuinte americano, 4.483 vidas de militares do país e o sacrifício de 115,5 mil civis iraquianos. A palavra "vitória" tem sido cuidadosamente evitada pelo governo de Barack Obama.

Assim como fez Obama em seu discurso de quarta-feira, em Fort Bragg, Panetta evitou ontem a assinalar a vitória americana no conflito. Em janeiro 2009, quando Obama tomou posse, os EUA mantinham 180 mil soldados em mais de 500 bases no Iraque. Cerca de 1 milhão de soldados passaram pelo front em nove anos.
O conflito não passava de uma "guerra idiota" a ser concluída o quanto antes, avaliava Obama na sua campanha eleitoral de 2008.

A guerra fora autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU em 2003, sob forte pressão do governo de George W. Bush e o argumento da presença de armas químicas de destruição em massa no Iraque. Países como a França e o Brasil se opuseram à intervenção. As armas jamais foram encontradas, e as fotos de arsenais exibidas à ONU mostraram-se falsas. Os EUA continuaram no front, agora sob o pretexto de democratizar o país.”

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