sábado, 31 de dezembro de 2011

Romãs, Paz e Prosperidade

Este ano de 2012 já entrou para nossa história.

Foi o primeiro ano que o Brasil foi governado por uma mulher. E, graças a Deus, deu tudo certo e Dilma encerra o ano melhor do que entrou. Bem avaliada, com amplo apoio da população em geral e da classe média em especial. A economia sob controle, apesar dos solavancos e o debate final foi sobre o fato de nosso PIB ter ficado maior do que o PIB da Inglaterra ou Reino Unido. Sinais dos tempos!

No nosso ambiente de trabalho, tivemos também o primeiro ano com uma diretoria que tem como presidente uma bancária. Em 88 anos de existência pela primeira vez os bancários elegeram uma mulher para presidenta do Sindicato. Inovamos fazendo uma parceria com o Banco do Brasil e implantando três experiências de atendimento financeiro em três comunidades, de mais de quarenta mil habitantes cada, e sem nenhuma agência bancária. Esta foi a experiência do Olhar Local – Crédito e Desenvolvimento. E no dia 5 de Abril começamos o nosso Blog.

No ambiente familiar
, depois de seis anos de muito estudo e morando sozinha numa cidade do interior de São Paulo, nossa filha formou-se em medicina na UNESP de Botucatu. É uma alegria que não tem preço. Agora vem o desafio da residência médica, mas ela já esta exercendo a profissão, para alegria dela e de todos nós.

E para comemorar o final do ano, mostrarei fotos de romãs,
lembrando uma tradição de mais de dois mil anos.

Esta foto é para lembrar a todos o que é uma fruta romã.


Esta outra foto é de um pé grande de romã. Este tem mais de dois metros de altura e em alguns galhos nasceram até seis romãs juntas.







E este é o nosso pé de romã. Plantado no quintal de casa e é bem pequeno, não passa de meio metro de altura. Mas está cheio de flores.




Estamos agradecidos pelo bom ano que tivemos e esperamos que o novo ano traga muita paz, prosperidade e que tenhamos mais plantas e flores.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Mediocriadade DA e NA Folha S. Paulo

Manipulação de matérias e leitores

No último dia útil do ano, a Folha teve mais uma recaída e resolveu agredir parte significativa de seus leitores. Ao abrir o jornal nas páginas dois e três, deparei-me com uma manchete na pagina três que para mim tem duplo sentido. “O primeiro ano de Dilma: governo medíocre”. O jornal pretendeu agredir o governo Dilma, usando o subterfúgio de dar a declaração a outra pessoa .

O curioso que apesar do destaque dado ao título da matéria, quem assina não é uma pessoa que possa ser chamada de “o exemplo”, vejam o nome e o currículo dele:

ALBERTO GOLDMAN, 74, engenheiro civil, é vice-presidente da Executiva nacional do PSDB. Foi vice-governador de Serra, governador do Estado de São Paulo (2010), deputado federal, ministro dos Transportes (governo Itamar Franco) e secretário da Administração do Estado de São Paulo (governo Quércia). Além de bate-pau de Serra.

Os estalinistas, manipuladores e ditadores comunistas, que a Folha sempre combateu, tinham como uma das suas principais características adulterar fotografias e fatos históricos, além de matar os opositores.

O jornal “Folha de S. Paulo”, de uns tempos para cá, passou a misturar os fatos com suas versões e opiniões sobre os fatos. Dificultando o leitor saber o que é uma coisa e o que é outra. Para nós, leitores históricos do jornal, foi uma grande perda, além de termos que conviver com as chacotas dos adversários da Folha. Eles não conseguem entender o porquê continuamos a assinar o jornal. Respondo que é por que continuamos pluralistas e assinamos vários jornais.

A imprensa mais democrática, sempre procurou mostrar os fatos e suas opiniões sobre os fatos. Deixando ao leitor fazer o seu juízo de valor sobre o fato ocorrido e sobre a opinião do jornal. Esta é uma forma democrática e respeitosa de lidar com o leitor, com os clientes e com as instituições. Este é o papel da mídia numa sociedade moderna e democrática.

A luta contra a ditadura nos uniu durante muitos anos, gente de todas as cores e de todas as nacionalidades, unidos pelas Liberdades Democráticas! A Democracia, para o bem e para o mal, nos separou. Pessoas de esquerda e de direita passaram a usar a democracia para galgarem o poder a qualquer preço e todos ainda estamos devendo o aperfeiçoamento da Democracia no Brasil.

A Folha, Goldman, Dilma e todos nós que lutamos contra a ditadura, mesmo que seja em momentos e formas diferentes, devemos manter os princípios da liberdade plena e do respeito, sem isto sucumbiremos todos.

E eu tenho orgulho em afirmar:

O primeiro ano de Dilma foi muito melhor do que todos nós esperávamos.
Feliz Ano Novo para Dilma e para todos os brasileiros!


Flores sempre presentes Mariazinhas

Um pouco de terra e muitas flores

Ou um pouco de amor para transformar aridez em jardim, tristeza em alegria, solidão em solidariedade. Assim são as mariazinhas. Pequenas plantas que nascem entre as pedras, em pequenos vasos, em grandes jardins e quintais. Como dizia Pero Vaz de Caminha quando Cabral descobriu o Brasil: “Aqui plantando tudo dá”, principalmente se forem as mariazinhas.

Aos pés da “lágrima de cristo”, esta secou e renasceu, e sempre as mariazinhas estavam lá, solidárias e florindo para alegrar o pé de lágrimas de cristo. Aos pés do Jasmim, majestoso, chegando à janela do quanto de nossa filha, prendendo-se nas colunas, mas sem flores durante a maior parte do tempo. Enquanto isto, lá estão as mariazinhas florindo a alegrando o pé de Jasmim.

Ao lado do pé de Jabuticaba e do pé de romãs, enquanto estes brotam folhas, se fortalecem, aceitam lagartas e casulos, as mariazinhas brotam da terra em volta e floresce em várias cores, maiores e menores, alegrando o ambiente. Brotam até entre as pedras que formam o pequeno jardim japonês. Lá estão as mariazinhas.

E falar das flores de dezembro, falar das flores do final do ano e não falar das mariazinhas seria uma grande injustiça. Podem não ser as mais belas, mas são as que estão sempre presentes.

Vejam, então, esta foto das mariazinhas deste mês de dezembro.
Para alguns elas são como nossa mãe; para outros eles são como a mulher ou o marido, que estão juntos e solidários; para outros, elas são como os verdadeiros amigos.Não perguntam nada, apenas embelezam nossos dias.


Esta foto é do dia 23 de dezembro,
elas estavam preparando-se para o Natal.
E agora desejam a todos um Feliz Ano Novo!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

E se o Euro acabar?

As “forças ocultas” estão agindo

O jornal brasileiro Valor reproduziu matéria publicada no The Wall Stree Journal, de Londres, sobre a possibilidade de acabarem com o Euro, ou mudar o perfil da moeda. Isto pode significar mais um período de tensão na Europa e no mundo. Como diziam os gauleses (antiga França) “da mesma forma que temos medo de que o Céu caia sobre nossas cabeças”, se a Europa piorar, o mundo continuará a sentir seus reflexos. Portanto, precisamos continuar a ser cautelosos e torcer para que isto não aconteça.

“A silenciosa preparação para o fim do euro

Por Sara Schaefer Muñoz | The Wall Street Journal, de Londres – 27/12/11- Valor

Com a intensificação da crise da dívida da zona do euro nos últimos meses, pelo menos dois bancos multinacionais tomaram medidas para instalar sistemas eletrônicos de reserva capazes de lidar com as antigas moedas europeias, como a dracma grega, o escudo português e a lira italiana.

Mas fazer isso, como os bancos logo descobriram, não é tão fácil em um mundo financeiro que está tentando, ao mesmo tempo, mostrar confiança no debilitado euro e - por precaução - fazer planos para o possível desaparecimento da moeda comum.
Executivos de tecnologia nesses bancos contataram a Swift, cooperativa sediada na Bélgica que administra a rede utilizada nas transações financeiras internacionais, disseram pessoas a par do assunto. Os bancos queriam o apoio tecnológico da Swift e os códigos das várias moedas que seriam necessários para criar sistemas de becape.
Mas a Swift se recusou a dar algumas informações para esses planos e não revelou se os antigos códigos poderiam ser usados no sistema, disseram as pessoas a par do assunto.
Isso ocorre, em parte, porque os diretores da cooperativa temiam que divulgar as informações poderia alimentar mais dúvidas e instabilidade na zona do euro, segundo essas pessoas.

É um revés relativamente pequeno para os bancos, que agora estudam as mais diversas possibilidades, que vão desde contratos de empréstimos até a segurança dos funcionários de suas filiais, caso algum país decida se retirar do euro.
Mas é um exemplo dos obstáculos que os políticos, bancos e empresas europeias têm que enfrentar à medida que tentam se preparar para uma quebra da zona euro e, ao mesmo tempo, aplacar os temores do mercado.

"Assim que você começa a planejar para essa eventualidade [...] isso pode gerar conclusões precipitadas", disse Alastair Newton, analista político sênior da Nomura PLC. "Mas se as coisas derem errado e você não tiver um plano de contingência pronto, você estará em apuros."

O planejamento ocorre em um momento em que a ideia de uma ruptura da zona do euro ainda é mal vista por muitos. O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, disse recentemente que essas especulações sobre o fim do euro são "mórbidas". Mas tanto governos como empresas e firmas financeiras vêm intensificando discretamente seus planos, nas últimas semanas, para se preparar para a pior das hipóteses.

A Autoridade dos Serviços Financeiros britânica, agência de fiscalização dos bancos do Reino Unido, enviou cartas aos principais bancos do país pedindo informações atualizadas sobre seu nível de preparação. Um diálogo semelhante já foi iniciado entre os bancos e as agências reguladoras nos Estados Unidos nas últimas semanas, disseram pessoas a par do assunto.

O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido já começou a fazer planos de contingência para evacuar cidadãos britânicos da Espanha e Portugal, caso haja um colapso bancário nesses países, disse uma pessoa a par do assunto. Mostrando preocupação em não causar pânico, um porta-voz não quis dar nenhum detalhe, dizendo apenas que o Ministério está sempre se preparando para todo tipo de eventualidade.
Em outro sinal dos temores crescentes, algumas multinacionais com atividades na Grécia e em outros países no sul da Europa começaram a tirar seu dinheiro da Grécia quase diariamente - em comparação com o intervalo normal de duas semanas -, como precaução contra uma súbita desvalorização caso alguma moeda seja ressuscitada, disse um banqueiro a par das atividades das empresas.

Preparar seus sistemas para lidar com as antigas moedas europeias é uma das medidas que os bancos estão tomando para se proteger contra grandes interrupções em suas atividades, caso algum país saia de repente da zona do euro. As moedas têm códigos de três letras - tais como USD para o dólar americano - que os bancos usam em uma ampla gama de transações financeiras, de operações complexas feitas por bancos de investimentos até básicas transferências de recursos. Os códigos são determinados pela Organização Internacional para Padronização, com sede em Genebra, e usados pela Swift, cooperativa que formata e manda as ordens de pagamentos para cerca de 10.000 instituições em mais de 200 países.

Uma dúvida que os bancos têm, e que até agora não conseguiram esclarecer, é se os códigos que deixaram de ser usados, como GRD para a dracma grega, valerão no sistema atual da Swift. Um porta-voz da Swift disse que a empresa está preparada para tomar quaisquer medidas necessárias para manter as operações normais, mas que "não é apropriado neste momento que a Swift comente sobre questões especificamente associadas à zona do euro."

Se uma nova moeda surge, ela fica a cargo da agência de manutenção afiliada à Organização Internacional para Padronização. Um porta-voz dessa agência, a SIX Interbank Clearing Ltd., disse que o grupo tem vários projetos para "cenários calamitosos", mas que os planos de contingência para tais situações até o momento são sigilosos.Uma vez que um banco saiba qual é o código, será relativamente simples criar um programa para aquela nova moeda, de acordo com especialistas em tecnologia. O banco precisará, então, ajustar sua infraestrutura para o volume esperado e garantir que os dados relativos aos bancos correspondentes estejam corretos. O sistemas precisarão, então, ser modificados e testados, disse um executivo do setor de tecnologia de um banco em Londres, um processo que leva de uma a duas semanas.”

O Japão que existe no Brasil

Apesar da distância entre os dois países

O lugar do mundo que tem mais japonês sem ser no Japão é o Brasil. E no Brasil onde tem mais japonês é em São Paulo. Antigamente era também no bairro da Liberdade. Em 1970 eu vim morar em São Paulo e, por acaso, fui estudar no Colégio Estadual Presidente Roosevelt, na Rua São Joaquim, bem no coração da Liberdade e em frente ao Bunka, Centro Cultural Brasil Japão.

De lá para cá são mais de quarenta anos e são muitas histórias. Mas, neste Natal eu recebi um cartão de Boas Festas, enviado por uma brasileira, amiga também de muitos anos, mas a figura é uma ilustração japonesa. Talvez ela estivesse sensibilizada com a capacidade japonesa de recuperação depois do violento terremoto que atingiu o Japão.

Vejam que figura bonita e significativa.


Guardei cópia da ilustração e comentei com meu irmão, que morou dez anos no Japão, casou e teve filha lá, e vai passar férias com a família em fevereiro próximo, em Nagoia. Ficamos lembrando também do tempo do Roosevelt e quando começamos a fazer amizade com os alunos japoneses. Foi um processo lento e gradual mas que gerou muitas amizades que duram até hoje.

Naquela época o pessoal japonês já tinha uma vida cultural ativa. Eles eram de Ibiuna, Oswaldo Cruz, Pompéia, Marília, Londrina, muitos já viviam na capital há várias gerações. E muitos cantavam músicas de Koyanagi Rumiko, que fazia muito sucesso na comunidade.

Aproveitando o clima de final de ano e o recebimento do cartão de Natal da nossa amiga, resolvi mostrar as duas coisas. O cartão muito significativo e uma música de Koyanagi Rumiko, que quem não é japonês não vai entender nada, só a melodia. Sei que fez um sucesso muito grande na época.

Ouçam Koyanagi Rumiko cantando “Seto no Hanayome” acompanhada por um coral de senhoras.



Esta história é para mostrar que o Brasil também tem um grande Japão entre nós e temos muitos brasileiros morando e trabalhando no Japão, já foram mais de trezentos mil. Uma colega nossa está indo visitar o filho e o ex-marido que trabalham lá há vários anos.

Vamos começar o Ano Novo fazendo origami e cantando músicas da nossa infância ou adolescência, isto faz bem à saúde e estimula a solidariedade.
Que a amizade entre os povos continue e que o imigrantes sejam respeitados e valorizados.
O mundo é nossa Pátria!
Banzai!

Flores de Dezembro

Cada mês um tipo de flor

Ao contrário do Hemisfério Norte, onde a neve cobre tudo e o Ano Novo é sem flores, no Brasil temos flores todos os meses. Algumas vão e voltam, outras florescem o ano todo. Este clima deve ter influenciado muito nossa maneira de ser, nossos valores e comportamentos. Se Deus provê em abundância, as pessoas acabam não trabalhando tanto para melhorar o padrão de vida.

Se além da fartura da Natureza, as pessoas trabalharem de forma planejada e organizada, todos ganharemos, as famílias terão mais recursos e o país será melhor. Nossa realidade está mostrando isto. Todos querem vir trabalhar e ganhar dinheiro no Brasil, além de participar de nossas festas. É claro!

Ter flores no jardim e no quintal, por exemplo, requer cuidados, investimentos, planejamento e também carinho com as plantas, a terra, os insetos e os pássaros que passam a freqüentar sua casa. Mas o resultado é muito bom e a sua vida passa a ter mais alegria.

Na entrada da nossa casa nós temos degraus com canteiros com plantinhas. Tem meses que elas não dão flores e há meses que as flores aparecem para nos receber quando saímos de casa e quando voltamos.

Neste mês de dezembro as plantas do primeiro e do terceiro degraus voltaram a aparecer, só que, em função do calor, elas nasceram menores e com menos brilho nas cores.

Vejam as flores amarelinhas:


Já o degrau do meio, que tem outro tipo de planta, deu várias flores cor-de-rosa. Bem bonitinhas e delicadas:


As nandigas estão sem flores e o jasmim está crescendo.
E assim nós vamos chegando ao final do ano.
Amanhã eu mostro mais flores para vocês.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Transparência no Judiciário Brasileiro

Número citados por Helio Gaspari

A partir da matéria publicada na Folha de São Paulo, de autoria de Helio Gaspari – 25/12/2011 – De Louis.Brandeis@edu para Peluso@org, destaquei dados que chamam atenção de qualquer pessoa séria. A imprensa rapidamente deu uma recuada sobre os números e voltou ao debate sobre a competência das instâncias jurídicas.

Este assunto é tão importante ou mais do que "aquelas denúncias articuladas com corruptos assumidos, como no caso do Ministério dos Esportes". Se houve a denúncia, independente de quem seja o denunciante, os fatos precisam ser verificados. Se isto vale para Chico, deve valer também para Francisco.

Vejam os números apresentados por Hélio Gaspari:


"Nesse litígio com a juíza Eliana Calmon, corregedora do CNJ, o Judiciário foi capturado pelo estilo do noticiário policial.
Acusam-na de querer investigar em torno de 200 mil pessoas.

A juíza pediu ao órgão competente do Estado que examine, principalmente, as movimentações financeiras anuais superiores a R$ 500 mil nas declarações de renda de magistrados, servidores do Judiciário e parentes próximos.

Ora, essas 200 mil pessoas são a base, assim como 5,7 milhões de declarações de renda são a base sobre a qual trabalha a Receita Federal.
As omissões de rendimento que caíram na malha fina foram 320 mil.

No caso do CNJ, as movimentações estranhas foram 3.438.
Essas, é bom que sejam investigadas.
Achou-se uma movimentação geral de R$ 173 milhões em dinheiro vivo.

Desse montante, R$ 60 milhões giraram em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.
Três cidadãos, em tribunais paulistas e baianos, moveram R$ 116,5 milhões num só ano.
No TRT do Rio, uma só pessoa rodou US$ 157 milhões.

Não há invasão de privacidade no exame de documentos oficiais
quando o Estado investiga uma invasão do patrimônio da coletividade."

Concluindo:
Mais do que a invasão do patrimônio público, mais do que o prejuízo financeiro, tem o prejuízo ético e moral.
A Justiça deve ser o exemplo para o país.
Caso contrário, não poderá julgar ninguém.

USA - 2018 a antítese de 1918

A queda da hegemonia americana

Voltando à matéria divulgada pela revista The Economist e que mostrei com o texto em inglês, para ganhar tempo. Agora apresento-a em português, que pode ter alguns problemas técnicos na tradução, mas que todas as pessoas que não dominam o inglês, o que é a ampla maioria dos brasileiros, poderão ter uma idéia da gravidade das informações.

Como gosto de História, coloquei como título um jogo de datas, já que a matéria da Economist é “um jogo de encontros econômicos”. Em 1918, com o fim da primeira guerra mundial, os Estados Unidos consolidaram-se como primeira potência bélica e econômica no mundo. Por ironia, a projeção apresentada na matéria da Economist é para o ano de 2018. Um século depois. Se um é a antítese do outro, qual será a síntese para a Humanidade?

O JOGO DO “ENCONTRO”
27 de dezembro de 2011, 14:00 por The Economist on-line

Convidamos-lhe a prever quando a China vai ultrapassar a América

O PIB dos EUA é ainda cerca de duas vezes maior que da China (usando taxas de câmbio de mercado). Para prever quando a distância (gap) pode ser fechada, The Economist atualizou seu gráfico interativo abaixo com os números mais recentes do PIB. Isso permite que você conecte suas próprias suposições sobre o crescimento real do PIB em taxas de inflação da China e América, e taxa de câmbio do yuan frente ao dólar.

Nos últimos dez anos,o crescimento real do PIB foi em média 10,5% ao ano na China e 1,6% na América; inflação (medida pelo deflator do PIB) em média 4,3% e 2,2% respectivamente. Desde quando Pequim desistiu da indexação ao dólar em 2005, o yuan subiu em uma média anual de pouco mais de 4%. Nosso melhor palpite para a próxima década é que as médias anuais de crescimento do PIB será de 7,75% na China e 2,5% nos Estados Unidos, as taxas de inflação média será de 4% e 1,5%, e apreciação(valorização) do yuan por 3% ao ano.

Conecte esses números e a China ultrapassará os Estados Unidos em 2018. Alternativamente, se a taxa de crescimento real da China desacelerar para uma média de apenas 5%, em seguida, (deixando as outras hipóteses inalteradas) não irá se tornar o número um até 2021. O que você acha?

Uma análise mais ampla feita, pelo The Economist, acha que a China já ultrapassou a América na metade ou mais de 21 diferentes indicadores , incluindo a produção industrial, exportações e investimento fixo. O gráfico abaixo prediz quando a China vai superar EUA sobre o resto. Em 2014, por exemplo, a China poderá ser o maior importador do mundo e ter as maiores vendas de varejo.

A América (Estados Unidos) será ainda uma dos tops nas tabelas classificativas, poucos por uma margem maior. Sua capitalização de mercado de ações é quatro vezes maior que o da China, e que gasta cinco vezes mais na defesa. Apesar de orçamento de defesa da China está crescendo mais rapidamente, sobre as taxas de crescimento recente da América, a China continuará a ser maior até 2025.

Quando a China passará os Estados Unidos?

We invite you to predict when China will overtake America

A Economist, revista séria e de muita influência no mundo dos negócios, resolveu divulgar uma matéria com um exercício numérico de projeções sobre quando a China irá ultrapassar os Estados Unidos na economia. Não consegui copiar os gráficos, mas faço questão de reproduzir o texto, mesmo que seja em inglês.

Quem quiser ler os gráficos e o texto é só copiar o link:
http://www.economist.com/blogs/dailychart/2010/12/save_date


Mesmo sendo um “jogo”, não posso dizer: “divirta-se”.

The dating game
Dec 27th 2011, 14:00 by The Economist online

We invite you to predict when China will overtake America

AMERICA'S GDP is still roughly twice as big as China’s (using market exchange rates). To predict when the gap might be closed, The Economist has updated its interactive chart below with the latest GDP numbers. This allows you to plug in your own assumptions about real GDP growth in China and America, inflation rates and the yuan’s exchange rate against the dollar. Over the past ten years, real GDP growth averaged 10.5% a year in China and 1.6% in America; inflation (as measured by the GDP deflator) averaged 4.3% and 2.2% respectively.

Since Beijing scrapped its dollar peg in 2005, the yuan has risen by an annual average of just over 4%. Our best guess for the next decade is that annual GDP growth averages 7.75% in China and 2.5% in America, inflation rates average 4% and 1.5%, and the yuan appreciates by 3% a year. Plug in these numbers and China will overtake America in 2018. Alternatively, if China’s real growth rate slows to an average of only 5%, then (leaving the other assumptions unchanged) it would not become number one until 2021. What do you think?

A broader analysis by The Economist finds that China has already overtaken America on well over half of 21 different indicators, including manufacturing output, exports and fixed investment. The chart below predicts when China will surpass America on the rest.

By 2014, for example, it could be the world’s biggest importer and have the largest retail sales. America still tops a few league tables by a wider margin. Its stockmarket capitalisation is four times bigger than China’s, and it spends five times as much on defence. Even though China’s defence budget is growing faster, on recent growth rates America’s will remain larger until 2025.

Um pé de quê?

Aprendendo com Regina Casé

Uma das melhores pessoas na televisão brasileira ainda é Regina Casé. Simpática, dinâmica, divertida e educadora. Qualquer que seja o papel que ela represente, nos divertimos e aprendemos com ela.

Neste domingo assistimos ao programa “Um pé de quê?”, onde uma das plantas mostradas era uma que tinha várias combinações com a palavra Guiné. Por ser uma planta natural do Brasil que os portugueses levaram para a África e lá foi descoberta como sendo de “mil e uma utilidades”. Depois voltou para o Brasil e os escravos passaram a usá-la inclusive para “amansar” senhores de escravo que assediavam belas escravas.

Nesta semana, quando ia comprar pão na Vila Madalena, sempre que estacionava o carro, observava uma bela árvore do outro lado da Rua Wizard com flores bonitas e belos cachos de frutas parecendo pitombas em cores verdes. Uma das vezes desci do carro e fui tentar tirar umas fotos mesmo à distância, por que a árvore é alta e meu celular não tem teleobjetiva. Foto boa é sempre de perto.

Vejam parte da árvore com as belas flores e vários cachos de frutas que parecem pitombas verdes. O brilho do sol dificulta ver os frutos do lado esquerdo.


– Um pé de quê?

Não sei o nome da árvore e fiquei com muita vontade de tocar a campaínha e perguntar aos moradores que tipo de árvore é aquela. Não toquei por inibição e até agora não sei o nome. Se eu tivesse uma forma de perguntar a Regina Casé, eu iria saber.

Mas, no pé da árvore que eu não sei o nome, tem vários tipos de plantas e um dos tipos parece pés de Guiné. Aquele tipo que Regina Casé mostrava na televisão.

Vejam a planta que eu acho que é um pé de guiné...


E vejam como as flores da plantinha são bonitas.

Deveria existir uma forma rápida de saber os nomes das plantas na internet.

Já pensaram?


Por falar em flores, na Rua Madalena, que também fica na Vila Madalena, há várias casas cheias de rosas de várias cores.
O problema é que o trânsito lá é agitado e eu ainda não consegui tirar as fotos.

Provavelmente ficarão para 2012. O ano das rosas...

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O Brasil que dá certo

E que todos participam

Ontem foi mais um dia de gozação na internet. O pessoal queria saber como a Rede Globo e a imprensa tucana iria reagir à notícia de que o Brasil passara a Inglaterra no tamanho do PIB. À noite o pessoal riu muito vendo a Globo News gaguejando, sem graça, quando teve que comentar o assunto.

Estes vexames que “os jornalistas formadores de opinião” da mídia tradicional brasileira passam, poderiam ser evitados se eles fossem mais profissionais e éticos. Eles não precisam deixar de ser tucanos, mas precisam ser profissionais e separar o “fato” do “comentário sobre o fato”.

Eles precisam aprender com os comentaristas esportivos, todos eles torcem para um determinado time, mas na hora do jogo, eles precisam atuar com a maior neutralidade possível. E eles conseguem!

O Brasil sempre foi um país “deitado eternamente em berço esplêndido”. Mas este gigante está tomando consciência da sua capacidade e, aos poucos, vai conquistando o seu lugar. E todos contribuíram e contribuem para isto. Desde os portugueses religiosos, escravocratas e aventureiros, assim como os imigrantes, os negros que para cá vieram como escravos, os índios nativos e toda esta mistura de gente que veio no século passado. Todos temos virtudes e defeitos!

Uma outra característica nossa é que somos um país de poucos heróis. Muitos dos citados em nossa história oficial são heróis inventados. Batalhas e guerras que não merecem ter a versão que constam nos livros. Nossa história precisa ser reescrita, incluindo outros atores e outras versões. Para garantir que nosso país se identifique com todos que contribuíram para sua grandeza.

Apesar da redemocratização recente, ainda continuamos querendo dar nomes de pessoas aos fatos históricos, como se individualmente estas pessoas fossem “o pai” ou “a mãe” dos fatos. Como se eles fossem imprescindíveis. Esta é uma visão simplista da história. O fim da escravidão no Brasil viria com ou sem a lei da libertação dos escravos assinada pela Princesa Isabel.

Quanto à modernização econômica, desde os produtores de cana-de-açucar do Nordeste, os produtores de café de São Paulo, os produtores de soja no Sul e Centro Oeste, passando pela exportação mineral, a industrialização com Getúlio Vargas e Juscelino, passando também pelo “milagre econômico” da ditadura militar. Tudo isto contribuiu para o Brasil de hoje.

Na história atual, depois das eleições diretas, Collor com toda sua corrupção, também contribuição com a abertura econômica. Fernando Henrique, mesmo com o neoliberalismo entreguista, também contribuiu muito com o Plano Real e para mostrar que o povo precisava ser mais ativo e não deixar acabar com o patrimônio público. E finalmente Lula e Dilma estão fazendo um governo de combinação do crescimento econômico com inclusão social de milhões de brasileiros, inclusive mantendo alguns princípios do neoliberalismo.

Não existe um santo padroeiro. Não há por que fazer o jogo da mitificação desta ou daquela pessoa. Não precisa beatificar Dona Ruth pela campanha de “Educação Solidária”, nem precisa beatificar Lula como “o pai dos pobres”. Precisamos sim, reconhecer que todos contribuíram e que todos são importantes. Não precisa ter inveja de um operário que fez mais do que muitos “doutores”.

Para o povo, o importante é o milagre e não o santo. Troquem os santos e mantenham os milagres, as igrejas continuarão cheias. Troquem os santos e acabem com os milagres e os fiéis trocarão de igreja e de fé. Para a História, os fatos e as pessoas são importantes. E quanto mais entendermos os fatos e incluirmos as pessoas, mais teremos democracia participativa e teremos menos mitificação.

A democracia moderna passa pela pluralidade, pela diversidade, pela inclusão e participação de todos. Instituições como o parlamento, os partidos políticos, o judiciário, as forças de segurança, o sistema “S”, os sindicatos e os meios de comunicação, precisam ser repensadas e redefinidas. Para que o trabalho coletivo se sobreponha aos milagreiros e aos manipuladores.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Os Bancos brasileiros viram gigantes

Algumas Histórias

A partir da matéria “O banco que entrega cartas” da ISTOÉ DINHEIRO - Finanças - SÃO PAULO - SP - 28/12/2011 - Nº 742, e de informações do Banco Central do Brasil.

1 – O Banco que o BB comprou – o Banco Postal


Quando as 6.195 agências do Banco Postal abrirem suas portas no dia 2 de janeiro, os caixas eletrônicos e os balcões de atendimento terão a marca do Banco do Brasil, no mesmo azul e amarelo dos Correios. Os funcionários já foram treinados e os sistemas de computador já estão preparados. O BB investiu cerca de R$ 13 milhões para preparar a rede para a mudança e aposta na ampliação dos locais de atendimento aos clientes do banco para receber o público de renda mais baixa que entrou no mercado nos últimos anos e gosta e precisa ir pessoalmente às agências porque não tem acesso à internet.

O BB tem hoje 55,6 milhões de clientes.

Desses, menos de quatro milhões usam a internet de forma regular e 44 milhões têm renda mensal inferior a R$ 1,5 mil. É esse o público-alvo do Banco Postal, que nos últimos dez anos foi operado pelo Bradesco.

Com as duas mil agências do Banco Postal, o BB estará em 95% das cidades brasileiras e faltarão apenas 192 cidades para alcançar a totalidade da cobertura geográfica do País continental. No cálculo do aumento da rentabilidade entram duas vertentes: a redução dos custos de cada operação e a ampliação dos produtos e serviços oferecidos.

A mesma transação - um pagamento de conta de luz, por exemplo
- custa R$ 2,95 para ser processada numa agência bancária regular. Num correspondente bancário, o custo cai para R$ 0,65 e na internet a despesa é de apenas R$ 0,17. É mais barato fazer o atendimento eletrônico, mas o banco necessita de presença física porque o cliente quer isso, diz Abreu.

Na outra ponta, está a rentabilização dos clientes já existentes. Vamos abrir cinco milhões de contas e ganhar mais R$ 18,68 por cliente por mês com os novos produtos adquiridos no banco, estima Caffarelli. Além disso, podemos rentabilizar os demais clientes de menor renda em R$ 10,40 por mês, afirma. Um exemplo são as aposentadorias: 70% delas são pagas pelo BB, mas apenas 7% desses clientes têm crédito consignado com a instituição. Uma parcela bem maior tem contratos com bancos de pastinha que fazem captação ativa dos clientes.


2 – O Banco que o Bradesco perdeu – o Banco Postal


Quando deixar de operar o Banco Postal, no dia 29, o Bradesco levará para sua base de clientes 11 milhões de contas abertas nos dez anos em que administrou o Banco Postal. Para evitar que elas migrem para o Banco do Brasil, o Bradesco abriu 1.003 novas agências nos últimos seis meses, desde que o BB venceu o leilão realizado pelos Correios.

Com este movimento de transferência do Banco Postal para o BB e de abertura de mais de mil agências, o Bradesco também precisou “bancarizar”, isto é, contratar como “Bancários” mais de seis mil pessoas.

O Bradesco está correndo atrás do Itaú e do Banco do Brasil, mas é um concorrente que não pode ser subestimado! Vamos deixar para avaliar o mercado no final de 2012 para ver como os bancos e os resultados serão apresentados.

3 – O Banespa que o Santander comprou: Uma pechincha


O Santander, quando comprou o Banespa por R$ 7 bilhões em 2000, também foi muito criticado na época, mas o que parecia alto demais se revelou uma pechincha anos depois e garantiu a presença do banco espanhol entre os gigantes do mercado brasileiro.
Hoje, não parece haver dúvida sobre o acerto de se investir no público de menor renda, cada vez mais incluso no mercado de consumo.

4 – O Itaú terá um lucro médio de 1,2 bilhão por mês, neste ano de 2011.

- Com um lucro anual próximo de 15 bilhões de reais em 2011, quantos Banespas o Itau poderia ter comprado?
- Com a incorporação do Unibanco, o Itaú passou o ano de 2011 enxugando agências e demitindo milhares de funcionários.

5 – A CEF – Caixa Econômica Federal é um gigante manco.

Mesmo a CEF tendo 2.258 agências até outubro deste ano e mais milhares de correspondentes bancários através das Lotéricas, acaba funcionando como um Banco manco. Um agente financeiro repassador de políticas públicas, como a poupança, a gestão do FGTS, a política habitacional e, principalmente os recursos das loterias, acaba sendo um Banco que não é uma empresa de capital aberto, não está presente na Bolsa de Valores e, portanto, acaba tendo uma forma de gestão diferenciada e sem agilidade.

6 – Cinco bancos controlam o mercado financeiro nacional
O Brasil possui 140 instituições financeiras, sendo que apenas cinco deles, Bando do Brasil, Bradesco, Itaú, Caixa Federal e Santander possuem 86% das Agências e mais de 80% dos ativos, dos depósitos e tudo que um banco precise ter. Os outros 135 bancos ficam com apenas 15% do restante financeiro do mercado brasileiro.
É um grande oligopólio.

Legitimidade e Transparência no Judiciário

Quando a Folha quer, ela vai na veia

Os jornais a Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo decidiram “cutucar a onça com vara curta”, isto é, resolveram enfrentar a mais conservadora corporação brasileira que é o Poder Judiciário e a OAB. Incluo a OAB por que toda vez que mexer com juízes, delegados, e tudo que tiver como pré-requisito funcional o diploma de advogado e a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil, eles estarão juntos se auto-defendendo. A legalidade herdada da ditadura está acima da legitimidade da democracia atual.

Eu tenho divulgado mais matérias do Estadão do que da Folha, mas, neste Natal a Folha foi mais incisiva e didática na questão do Judiciário. Helio Gaspari fez uma ótima matéria sobre o assunto, que abordarei em outra mensagem no blog. Ponto para a Folha de São Paulo.

Vejam que a polêmica vem da época de Fernando Henrique Cardoso
, que contou com o apoio operacional de Nelson Jobim, (lembram dele?) e das instâncias legais para resolver campanhas salariais e greves dos Juízes.

A confusão começou com os parlamentares, deputados e senadores, e se espalhou por todos os níveis do legislativo e do judiciário. Está na hora de passar a Constituição a limpo.

“Polêmica sobre auxílio começou há uma década
Folha S. Paulo – de Brasilia – 25/12/2011.

A polêmica sobre o pagamento de auxílio-moradia a juízes remonta ao ano 2000, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) concedeu o adicional para encerrar uma greve do Poder Judiciário.

A decisão do Supremo veio na forma de uma liminar concedida num domingo pelo então ministro Nelson Jobim. Ela estendeu a todos os juízes, inclusive aposentados, um adicional salarial que na época variava de R$ 1.969 a R$ 3.000 por mês.

O benefício era concedido a deputados federais e senadores, que contam com auxílio-moradia ou têm direito a apartamento funcional porque passam parte da semana em Brasília, longe dos Estados em que moram.

Em 1992, os ministros do STF estenderam o benefício a si mesmos e o incorporaram aos próprios salários. Mais tarde, juízes do país inteiro passaram a reivindicar o auxílio, a título de equiparação.

Encerrada a greve, os Tribunais Regionais Federais de Recife e Porto Alegre passaram a exigir o pagamento retroativo do benefício, argumentando que todo o restante da magistratura ficou durante os anos 1990 sem equiparação com o STF.

A decisão de Jobim em 2000 foi tomada com base em pedido da Ajufe (Associação de Juízes Federais), que, assim como hoje, pedia aumento salarial para a categoria.

Em março de 2008, uma medida administrativa do Conselho da Justiça Federal concedeu o pagamento retroativo, estabelecendo o período de setembro de 1994 a dezembro de 1997 para a contabilização do benefício. A medida era extensível aos aposentados que estivessem em atividade na ocasião e a pensionistas. Foi copiada pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho e passou a ser aplicada até mesmo para juízes classistas, categoria extinta no final de 1999.

Só para os juízes trabalhistas, a União teria de arcar com mais de R$ 1 bilhão para fazer jus ao benefício. Esses pagamentos chamaram a atenção da corregedoria do CNJ, que diz não questionar o direito dos juízes a esse dinheiro, mas sim a forma como os valores foram repassados pelos tribunais.

Segundo informações do conselho, tribunais pagaram o benefício sem critério, para alguns juízes em parcela única. No caso de São Paulo, por exemplo, também não ficou claro o índice de correção monetária usado em alguns casos. Alguns desembargadores chegaram a receber até R$ 1 milhão de uma vez.”

Brasil supera Inglaterra

E é Sexta Economia Mundial

Para quem gosta de falar mal dos governos petistas, esta notícia publicada na UOL não deve ter passado pelos “censores políticos tucanos”. Não deve ter nenhum de plantão, devem estar “no caribe”!

Lula já cantou este crescimento do Brasil, muito antes dos jornais britânicos e da UOL. Isto mostra que o Brasil está no caminho certo. Combatendo a pobreza com inclusão social , distribuição de renda e crescimento econômico. Sem sacrificar a liberdade e a democracia.

Dilma já deve ter visto a noticia no seu “tablet”, lá nas praias da Bahia.


“Brasil supera Reino Unido e se torna 6ª maior economia, diz entidade
UOL Economia - BBC - 26/12/2011 - 07h33

O Brasil deve superar o Reino Unido e se tornar a sexta maior economia do mundo ao fim de 2011, segundo projeções do Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios (CEBR, na sigla em inglês) publicadas na imprensa britânica nesta segunda-feira.

Segundo a consultoria britânica especializada em análises econômicas, a queda do Reino Unido no ranking das maiores economias continuará nos próximos anos com Rússia e Índia empurrando o país para a oitava posição.

O jornal "The Guardian" atribui a perda de posição à crise bancária
de 2008 e à crise econômica que persiste em contraste com o boom vivido no Brasil na rabeira das exportações para a China.

O "Daily Mail", outro jornal que destaca o assunto nesta segunda-feira, diz que o Reino Unido foi "deposta" pelo Brasil de seu lugar de sexta maior economia do mundo, atrás dos Estados Unidos, da China, do Japão, da Alemanha e da França.

Segundo o tabloide britânico, o Brasil, cuja imagem está mais frequentemente associada ao "futebol e às favelas sujas e pobres, está se tornando rapidamente uma das locomotivas da economia global" com seus vastos estoques de recursos naturais e classe média em ascensão.

Um artigo que acompanha a reportagem do "Daily Mail", ilustrado com a foto de uma mulher fantasiada sambando no Carnaval, lembra que o Império Britânico esteve por trás da construção de boa parte da infraestrutura da América Latina e que, em vez de ver o declínio em relação ao Brasil como um baque ao prestígio britânico, a mudança deve ser vista como uma oportunidade de restabelecer laços históricos.

"O Brasil não deve ser considerado um competidor por hegemonia global, mas (é)um vasto mercado para ser explorado", conclui o artigo intitulado "Esqueça a União Europeia... aqui é onde o futuro realmente está".

A perda da posição para o Brasil é relativizada pelo "Guardian", que menciona uma outra mudança no sobe-e-desce do ranking que pode servir de consolo aos britânicos.

"A única compensação (...) é que a França vai cair em velocidade maior". De acordo com o jornal, Sarkozy ainda se gaba da quinta posição da economia francesa, mas, até 2020, ela deve cair para a nona posição, atrás do tradicional rival Reino Unido.

O enfoque na rivalidade com a França, por exemplo, foi a escolha da reportagem do site "This is Money" intitulada: "Economia britânica deve superar francesa em cinco anos".”

Um som para não se esquecer

E uma voz para se lembrar

Além das flores, a música sempre marcou a humanidade e a vida de cada um.
Quando eu cheguei em São Paulo, no início dos anos 70, apesar da ditadura, a música brasileira fazia muito sucesso internacionalmente. Era uma das poucas formas de o povo se expressar e mostrar sua alegria, sem a presença tão marcante da repressão. Que não era nada branda, era terrível! Anos Médici que pegava, matava e sumia com o corpo.

Mas todos os jovens gostavam de violão. Era o símbolo da época. Era a voz da liberdade! E nós tínhamos uma colega que estava aprendendo “bossa nova” por que ia fazer um intercâmbio e precisava tocar as músicas mais representativas do Brasil da época. E era muito bonito vê-la tocar Corcovado.

Hoje cedo, procurando umas notícias no computador, achei esta versão de Corcovado na voz divina e maravilhosa de Nara Leão. Não precisa comentar mais nada, é só apertar o botão e ouvi-la para entender o que eu estou dizendo.



E depois de tanto tempo, “O Rio de Janeiro continua lindo...”

domingo, 25 de dezembro de 2011

A árvore de Natal da nossa rua

Dos galhos secos à beleza das flores

Eu desejei um Natal cheio de flores para os leitores e amigos deste blog.
Hoje cedo, dia 25 de dezembro, quando fui até à padaria comprar pão fresco, aproveitei e dei uma parada para tirar umas fotos daquela que eu escolhi como sendo a Árvore de Natal da Nossa Rua.
Vejam como ela está cheia de Flores:


Morar na Vila Madalena e vilas vizinhas, possibilita voce conviver com muitos jardins e quintais floridos. Esta árvore ficou durante muitos meses seca, tão seca que parecia um migrante nordestino. Não tive coragem de tirar fotos na época.

Agora ela está tão florida que parece um migrante nordestino depois de dezenas de anos morando em São Paulo. Muito trabalho, muita chuva, muito trânsito, ônibus, caminhões, motoqueiros. Mesmo assim, os imigrantes crescem e aparecem.


Vejam esta foto, cheia de flores e tem até uma placa avisando que caminhões não devem estacionar ao lado da árvore.

Todos precisam apreciar à beleza das flores.


Como eu tinha falado em Natal cheio de flores, esta árvore caprichou no Natal e deu flores até perto do chão...




E como eu só mostrei partes da árvore, para poder mostrar a árvore em “corpo inteiro”, eu precisei atravessar a rua e, do outro lado da calçada, tirar esta foto.


É uma árvore numa esquina que limita os caminhos e as encruzilhadas. Vila Beatriz, Vila Madalena, Vila Ida, portugueses, italianos, judeus, muçulmanos, nordestinos, todos se encontram nestes bairros e nestas vilas.

E, independente da origem e da religião de cada um, ao se encontrarem, todos desejam um Feliz Natal!

Um Natal cheio de flores, como esta árvore,
que foi cuidada com carinho pelos moradores
da casa com a calçada que tem esta árvore.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Um Natal cheio de Flores

Apesar do calor em São Paulo

Faz tempo que nossa cidade não tem tanto calor, como está acontecendo neste ano. As plantas ficam murchas e as flores diminuem. Mas, quando chove o verde fica mais forte novamente.

Para superar a chatice política e reforçar o espírito natalino, hoje cedo resolvi tirar umas fotos das flores do nosso pequeno jardim para deixar como lembranças para o dia de amanhã, o 24 de Dezembro de 2011, quando se comemora o Natal.

Vocês se lembram das várias etapas do pé “Lágrimas de Cristo”? Que ele floresce e depois seca, renascendo mais tarde e florindo de baixo até em cima? Pois veja esta foto do nosso pé de “Lágrimas de Cristo”! Aqui as lágrimas são de alegria. São mais flores do que folhas...


Perto do pé de jabuticaba e das mariazinhas, nós temos um pé de romãs que está cheio de flores, que eu vou deixar para mostra na semana do Ano Novo, para dar sorte... Mas, ao lado do pé de romãs, há uma planta que eu não sei o nome e tem uma na frente da casa, só que lá a flor é mais clara e menor. Aqui a flor é vermelha e maior. Vejam que beleza!


E os casulos, das lagartas do pé de jabuticaba, continuam crescendo e estão quase prontos. Vejam a foto de um deles, escondido entre as folhas, que eu tirei hoje cedo. Talvez eles estejam esperando o Ano Novo. Que cresçam e sejam felizes!





E para Todos Vocês
um Natal cheio de Amor,
Alegria,
Boas Comidas e,
principalmente,
Muita Fraternidade.

Privatización y Piratería

O mundo quer saber

Luxemburgo, Índia e outros países. O mundo continua querendo mais notícias sobre o livro. Além dos catorze países que já acessaram este blog, agora foi a vez da ÍNDIA e de LUXEMBURGO. Pela primeira vez alguém de Luxemburgo acessou este blog. Só da Alemanha houve 46 acessos sobre o livro. Os tucanos que se cuidem...

Vejam a matéria do blog de Rodrigo Vianna. Vamos passar para o inglês?
“Na Argentina o livro está na capa do jornal “Página 12″. Os argentinos ficaram bem informados. E o mais curioso, veja como um dos jornais de São Paulo é apresentado na reportagem:

“El jueves 15, el diario Folha de Sao Paulo, ligado a Serra, publicó una nota sobre el tema, destacando las declaraciones de los acusados que buscan descalificar al periodista y sus denuncias”.

Privatización y piratería
Por Marco Aurélio Weissheimer, do Página 12

El libro A privataria tucana (1), del periodista Amaury Ribeiro Jr., trajo de vuelta al debate político brasileño el proceso de privatizaciones liderado por el gobierno del ex presidente Fernando Henrique Cardoso.

Producto de doce años de trabajo, el libro denuncia la existencia de un esquema de corrupción y lavado de dinero que habría sido armado alrededor de importantes líderes del PSDB (Partido de la Social Democracia Brasilera), entre ellos el ex ministro de Planeamiento y de Salud, ex gobernador de San Pablo y ex candidato a presidente de la República José Serra, que en el gobierno de Fernando Henrique Cardoso comandó, como ministro de Planeamiento, el proceso de privatizaciones, especialmente en el sector de las telecomunicaciones.

El libro se transformó en un fenómeno en las redes sociales y una piedra en el zapato de la prensa brasileña. A pesar de haberse agotado la primera edición, de 15.000 ejemplares, en cerca de cuatro días, los principales vehículos de comunicación del país adoptaron un silencio ensordecedor sobre el tema. Solamente en los últimos días, una semana después de que el texto se convirtiera en uno de los temas más debatidos en Internet, los llamados grandes medios comenzaron a hablar del libro de una manera un tanto insólita, a saber, priorizando la versión de los acusados.

Hasta el último viernes, según informaciones de la editorial, unos 50.000 ejemplares ya habían sido vendidos –en siete días– y otros 30.000 están llegando a las librerías en los próximos días.

Publicado por Geraçao Editorial, el libro de 343 páginas relata lo que llama “verdadera piratería practicada con dinero público en beneficio de fortunas privadas, por medio de las llamadas off-shores, empresas de fachada del Caribe, región tradicional e históricamente dominada por la piratería”.

La publicación tiene un elemento explosivo adicional, relacionado con las disputas internas en el PSDB. El autor dice que el punto de partida de la investigación ocurrió cuando trabajaba en el diario Estado de Minas y recibió la misión de hacer un reportaje investigativo sobre una red de espionaje que habría sido estimulada por José Serra para producir un dossier en contra del ex gobernador de Minas Gerais Aécio Neves, que estaría manteniendo algunos romances discretos en Río de Janeiro. Ese dossier tendría la finalidad de desacreditar a Aécio Neves en la disputa interna con Serra, por indicación del candidato del PSDB a las elecciones presidenciales del 2010.

Esa pauta inicial, relata Ribeiro Jr., terminó conduciéndolo a una investigación mucho más amplia, implicando a Ricardo Sérgio de Oliveira, ex tesorero de las campañas de Serra y Cardoso, el propio Serra y tres de sus parientes: Verônica Serra, su hija; el yerno Alexandre Bourgeois y el primo Gregório Marín Preciado. El resultado de esa investigación es un relato sobre la trayectoria que habría sido recorrida por el dinero ilícito, de las off-shores y empresas de fachadas en Brasil, y la consecuente “internación” de ese dinero que habría ido a parar a las fortunas personales de los implicados.

La investigación del periodista terminó alcanzando también al PT
(Partido de los Trabajadores). En el último capítulo, Amaury Ribeiro Jr. relata un episodio de espionaje interno de la campaña presidencial de 2010, que habría sido montado por el actual presidente del partido, Rui Falcao, parar derribar al grupo ligado a Fernando Pimentel, actual ministro de Desarrollo, Industria y Comercio Exterior. Además de eso, indica que el PT, en el primer año del gobierno de (Luis Inácio da Silva) Lula, habría retrocedido en las investigaciones de la CPI (Comisión Parlamentaria de Investigación) del Banestado (Banco del Estado de San Pablo), que investigaba la existencia de esquemas de lavado de dinero, involucrando a importantes figuras de la vida política brasileña.

Pero el tema central del libro es realmente el proceso de privatizaciones,
que ya fue objeto de varias denuncias en los últimos años, pero nunca con la harta documentación presentada por Amaury Ribeiro Jr. Una gran parte de esos documentos tiene como origen la CPI del Banestado, que suministró informaciones sobre la existencia de un proceso de lavado de dinero que habría sido obtenido ilegalmente de las privatizaciones. Ese es el punto de partida del texto, que se extiende hasta las elecciones presidenciales del año pasado.

El comportamiento silencioso es diferente de aquél adoptado por los medios brasileños en los últimos meses, quienes se dedicaron a la publicación de sucesivas denuncias contra ministros del gobierno de la presidenta Dilma Rousseff. En su gran mayoría, basadas en afirmaciones hechas por terceros, esas denuncias no siguieron la regla que ahora los grandes medios dicen utilizar para adoptar una posición de cautela con respecto al libro: “Necesitamos averiguar la veracidad de las denuncias antes de publicar algo”.

Sin embargo, la aplastadora presión del tema a través de redes sociales, blogs, portales de izquierda y la revista Carta Capital –que publicó su nota de tapa sobre el libro– terminó por producir fisuras en el bloqueo de los medios. El jueves 15, el diario Folha de Sao Paulo, ligado a Serra, publicó una nota sobre el tema, destacando las declaraciones de los acusados que buscan descalificar al periodista y sus denuncias. En el mismo día, coincidentemente, el ex presidente Fernando Henrique Cardoso y el PSDB divulgaron una nota oficial calificando las denuncias como “calumniosas”.

Mientras tanto, en la Cámara de Diputados, el diputado Protógenes Queiroz anunció ese jueves haber obtenido las 173 firmas necesarias para instalar una Comisión Parlamentaria de Investigación de la Privataria Tucana, destinada a investigar fraudes en el proceso de privatizaciones del gobierno de Cardoso. El pedido será protocolado la semana próxima.

(1) Privataria Tucana: privataria es un neologismo que mezcla las palabras privatización + piratería, y tucana se refiere al pájaro tucán, símbolo del PSDB.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O mundo quer saber da "privataria tucana"

Não podemos apagar a História

Nem tudo que é legal, é legítimo. O que ontem foi vendido como um bom negócio, hoje evidencia-se como um engodo. A grande imprensa escondeu e depois tentou denegrir o livro sobre a “Privataria Tucana”. O mundo da internet precisou fazer um grande movimento divulgando o livro e exigindo explicações dos poderes constituídos sobre a pertinência das denúncias.

Eu fiz uma nota divulgando o lançamento do livro ontem em nosso sindicato dos bancários e, como todos sabem que eu gosto de usar referências históricas, coloquei como título “As forças ocultas tucanas”.

O curioso foi que, mesmo a nossa grande imprensa escondendo o assunto, houve uma grande procura pelo assunto no blog internacional. Eu acho que o pessoal do PSDB deveria ficar preocupado.

Vejam a lista dos países que acessaram o blog
para conhecer “as forças ocultas tucanas”:
Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido/Inglaterra, França, Japão, Portugal, Chile, Letônia, Polônia, Ucrânia, Rússia, China, Suécia e Suíça. Além de centenas de pessoas do Brasil.

Eu acho que, independente do que se pense do autor, o Congresso Nacional, o Judiciário e a Imprensa Nacional deveriam dar mais atenção ao assunto, por que têm mortos que andam e contam histórias comprometedoras. Os poder judiciário também anda em rebuliço e em 2012 teremos eleições municipais em todo país.

Da mesma forma, que já contaram muita coisa do PT, podem também contar coisas do PSDB. E depois de contada, fica difícil de ser negada. Se, em vez de só jogar pedra, a imprensa ajudasse a melhorar a democracia brasileira, todos sairíamos ganhando. Como diz um velho militante: Podemos ter o direito de errar, mas não temos o direito de nos omitir.

Dilma com o povo de São Paulo

No Centro Sindical dos Bancários

Estamos na véspera do Natal e uma grande multidão faz fila na Rua Tabatinguera, 192. O Centro Sindical dos Bancários. Não é greve dos bancários, nem assembléia do Banco do Brasil ou do Banespa. Também não é distribuição de cestas básicas ou presentes.

São os trabalhadores e trabalhadoras que coletam papel e papelão nas ruas de São Paulo para serem reciclados. É uma profissão dos excluídos e abandonados pelos governos anteriores a Lula e Dilma. Agora eles são gente que sentam e cantam com a presidenta da república e seus ministros presentes.

Estavam presentes também dirigentes sindicais da CUT e da UGT, dirigentes de estatais como BB, Petrobrás, BNDES e Correios. Velhos e novos militantes que enfrentaram a ditadura nas ruas e nas prisões e que hoje ao se encontrem rememoram as velhas lutas e as novas conquistas.

Dilma reafirma seu compromisso em ser a presidenta de todos os brasileiros, especialmente dos mais pobres.

Todos também homenagearam Lula
e desejaram muito sucesso no seu tratamento. Ele não pôde comparecer, mas todos estavam com ele.

Vejam Dilma falando no Centro Sindical dos Bancários, na manhã de hoje. A foto é de longe, mas é importante ter esta visão abrangente.


Neste mesmo Centro Sindical há muitos anos atrás, nós promovemos um show diferente. Um show alternativo. E foi o dia que esta quadra esportiva viu mais gente. Era uma fila que ia até a Praça João Mendes. E as pessoas perguntavam o que ia acontecer ali. E a resposta era uma só:

Vai ter um show de Raul Seixas!

Hoje cedo, quando vinha para o Centro, escutei na Rádio USP, várias canções antigas. E ri comigo mesmo ao ouvir o locutor dizer que “Tente outra vez” era composição de Raul Seixas e Paulo Coelho. Dois monstros da nossa história dos anos sessenta para cá.

E naquele Centro Sindical de hoje, vários monstros da nossa história política estavam presentes. Muitos deles ouviram esta música quando ainda estavam na clandestinidade. Usando outros nomes e sobrenomes. E se alimentavam das músicas de Raul Seixas e Paulo Coelho.

Por ironia, ontem a noite tivemos o lançamento também no Sindicato dos Bancários de São Paulo, do livro “Privataria Tucana” e compareceram mais de quinhentas pessoas. Foram vendidos 350 livros, por que não tinha mais para vender. Parece que os tempos estão mudando...

Neste Natal, as músicas do velho Raul Seixas podem estar sinalizando uma nova fase para aqueles que lutaram por um mundo mais solidário, mais humano e mais fraterno. E mesmo Paulo Coelho morando longe e Raul continuar cantando no céu, nós aqui no Brasil vamos continuar trabalhando para um Brasil Sem Miséria.

E quando estivermos desanimados, nos lembraremos destes trabalhadores e trabalhadoras das Ruas do Brasil e cantaremos: Tente outra vez... Mataremos a saudade dos velhos tempos, e ficaremos felizes com o que fizemos e continuamos a fazer.

Tente outra vez... Música de Raul Seixas e Paulo Coelho

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Dia 22 Dilma estará com a gente

Dilma abraça os trabalhadores

Desde 2002 os trabalhadores brasileiros estão acostumados a ver o seu presidente da república vir ao seu encontro no Natal. Em 500 anos de história, o Brasil nunca tinha visto um presidente abraçar um morador de rua ou um catador de papel e papelão que vende para sustentar-se e dorme nas marquises dos prédios.

Lula começou esta nova fase de valorização dos trabalhadores mais pobres e Dilma está dando continuidade ao programa Natal com os Recicladores de São Paulo. Já foi assim no ano passado e nesta quinta-feira, dia 22, Dilma está no Centro Sindical dos Bancários de São Paulo, na Rua Tabatinguera, 192, para congratular-se com estes trabalhadores e trabalhadoras.

Nossa imprensa pode não reconhecer a importância deste gesto. No entanto, volta e meia sai nos jornais um pouco sobre os trabalhos sociais e o reconhecimento internacional. Destaco partes da matéria que saiu no dia 19, segunda-feira, no Estadão, mostrando que 65 países estão importando nossos programas sociais. Mais uma vez, ponto para o Estadão.

“Governo 'exporta' programas sociais


A estimativa é que 65 países já tenham se inspirado em idéias brasileiras, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida

19/12/2011 | 3h 04 – Lisandra Paraguassu / Brasilia - O Estado de S.Paulo
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,governo-exporta-programas-sociais-,812785,0.htm?p=1

Estima-se dentro do governo que 65 países usem algum dos programas brasileiros. Apesar de recente, o Minha Casa, Minha Vida já entrou na pauta de cooperação externa do Brasil. Hoje há seis países africanos e latino-americanos que recebem ajuda brasileira para implantá-lo.

"O Brasil é visto hoje como um laboratório de políticas sociais, tanto pelos países que vêm pedir cooperação como pelos desenvolvidos, que nos pedem para fazer mais projetos", justifica o presidente da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), embaixador Marcos Farani.

Transferência de renda.
Um dos projetos mais pedidos é o fiador de boa parte da popularidade de Lula, o Bolsa Família. De acordo com Farani, os programas do Ministério do Desenvolvimento Social, com ênfase na transferência de renda para famílias pobres, só perdem para os da Agricultura, que vão desde o desenvolvimento de tecnologias pela Embrapa até os de compra local, passando por financiamento de agricultura familiar e alternativas para o produção de biocombustíveis.

Atualmente, pelo menos 14 países copiam ou planejam copiar o Bolsa Família. A procura pelo programa, no entanto, tem arrefecido. As dificuldades de implantação do projeto muitas vezes assustam os possíveis candidatos a "Lulas" locais. A promessa de popularidade nem sempre compensa os problemas que surgem.

Investimento. Normalmente, o lado brasileiro da cooperação não custa muito. São apenas os recursos para enviar e manter técnicos no país que recebe o projeto. No caso do Gran Misión Vivienda, na Venezuela, a projeção é de pouco menos de US$ 270 mil.

Há casos, no entanto, em que o Brasil participa mais ativamente. Em Moçambique e Angola, a criação do Pintando a Liberdade - projeto do Ministério do Esporte em que presos fabricam material esportivo - contou com a doação de matéria-prima por empresas brasileiras.

Outro projeto ao qual o ex-presidente Lula dava muita atenção, o dos biocombustíveis, também teve mais investimentos brasileiros. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) foi a responsável por estudos de viabilidade em pelo menos 12 países latino-americanos e africanos.”

Brasil, o futuro é agora.

As Forças Ocultas Tucanas

E o lançamento do livro da “privataria tucana”

Além da correria do Natal e do Ano Novo, ainda aparecem debates políticos como o lançamento do livro da “privataria tucana”, hoje à noite, no nosso Sindicato, com a presença do autor, de debatedores e dos principais blogueiros que moram em São Paulo. Amorim, Nassif e muitos mais.

Todo final de ano é a mesma coisa, principalmente quando o Natal cai num sábado. Além de ter que fazer os trabalhos normais, temos que participar das festas de confraternização, comprar presentes, visitar os amigos e desejar milhões de Boa Sorte e Feliz Ano Novo. Os mais rabugentos acham que é uma festa consumista. Mas, se a gente não tiver pelo menos alguns dias para comemorar, lembrar dos amigos e dos colegas, será que a vida terá alguma graça?

Vale a pena dar uma paradinha para participar deste lançamento e deste ato contra a privataria tucana, onde aparecem os indícios da corrupção em grande escala!

Se fosse um ato contra a corrupção petista, teria cobertura de toda imprensa, da Rede Globo, os comentaristas da CBN estariam presentes, até Jabor viria matar a saudade dos sindicatos e dos tempos de militante contra a ditadura. A Folha e a UOL estariam dando flashes convocando a militância para este “ato cívico” e o Estadão enviaria alguns jornalistas para ver a manifestação.

Eu gosto de somar esforços com a grande imprensa quando ela reforça a democracia. Quando eles criticam os juízes corruptos ou mal intencionados, dou parabéns quando eles criticam a guerra do Iraque, chamando-a de Estúpida, apoio quando eles pegam políticos botando dinheiro na cueca ou dando entrevista cínica. Até assino os dois principais jornais de São Paulo!

Mas não gosto quando a grande imprensa fica cínica, ditatorial e manipuladora, querendo esconder as informações ou achando que os leitores são idiotas! Depois não sabem por que seus candidatos perdem eleições!

Na época da ditadura militar eu assinava todos os jornais alternativos que eram contra a ditadura. Cheguei a ter 14 assinaturas! Como militante, todos que conviveram comigo sempre me viram defendendo a liberdade partidária, religiosa e de imprensa. Sempre fui um libertário!

Não gosto de maniqueísmo, não gosto do termo PIG, não gosto da forma odienta como “os lados” se posicionam, acusando-se mutuamente. Ambos estão certos e ambos estão errados. Vamos reconhecer que o Brasil precisa ter suas estruturas melhoradas, revisadas e transformadas.
E todos podemos contribuir para isto.


Portanto, aqueles que puderem vir ao nosso Sindicato, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, hoje, às 19:00hs venham assistir à palestra do autor do livro, Amaury Jr e o debate com personalidades como Nassif e muitos outros jornalistas.

Sem medo de ser feliz!
Com o Natal de Jesus no coração e muito amor para distribuir em 2012.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Os Setúbal e os trabalhadores

Religiosa que ajudou os pobres

Talvez eu seja um saudosista, por que quando eu vi na Folha de São Paulo de hoje a nota de falecimento da Madre Júlia, nome religioso de Dona Yolanda Setúbal, com a matéria que reproduzo abaixo, fiquei imaginando sobre a vida e os caminhos que as pessoas de uma mesma família podem percorrer.

Conheci o Sr. Olavo Setúbal quando eu era presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, como conheci também Roberto Setúbal. É evidente que o Banco Itaú que convivi nos anos 80 era bem diferente deste Itaú tão grande, tão lucrativo e tão desumano. Naquela época os dirigentes do banco eram mais receptivos às demandas dos trabalhadores. Os funcionários eram tão importantes quanto os clientes e os acionistas.

A Família Setúbal tem contribuído muito para o Brasil
. Mesmo Roberto Setúbal, com toda sua dureza em mandar demitir milhares de funcionários do Itaú, também contribuiu ao construir o maior banco privado brasileiro. É um bom investidor, mas precisa lembrar que muitos demitidos passarão um Natal sem emprego perante seus filhos e familiares. Isto não é um bom espírito natalino, isto não lembra Jesus.

Neste Natal, precisamos nos lembrar das pessoas
que fazem “a opção pelos pobres”, das pessoas que trabalham ajudando todos a crescer na vida, lembrar de pessoas que, mesmo sendo presidente de um grande banco, sempre tratou seus subordinados com respeito, e lembrar que não adianta gastar milhões de reais com propaganda e não levar em consideração o moral dos seus funcionários nem a tranqüilidade dos seus clientes.

Que 2012 traga mais esperança para os funcionários do Itaú Unibanco, com menos demissões e mais respeito no dia a dia. E que a Família Setúbal possa continuar a ver seus familiares serem admirados pelos brasileiros. Veja a matéria da Folha de hoje:

“Yolanda Setubal (1924-2011) - Religiosa que ajudou os pobres
Folha S. Paulo – 20/12/2011 - ESTÊVÃO BERTONI -

Em Manaus (AM), Yolanda Setubal escolheu morar na periferia. Coerente com seus princípios, acreditava que, se ia trabalhar com os pobres, tinha de viver como os pobres. Yolanda pertencia à família que controla o Itaú, o maior banco privado do país.

Nascida em São Paulo, era filha do advogado Laerte Setubal. Seu primo Olavo foi prefeito de São Paulo, ministro das Relações Exteriores e um dos banqueiros mais conhecidos do Brasil. Seu irmão Laerte Filho é membro do conselho da Itaúsa, que controla as empresas do grupo.

Em 1946, Yolanda entrou para a congregação Nossa Senhora Cônegas de Santo Agostinho. Concluiu o noviciado na Bélgica e tornou-se então a madre Maria Júlia.

De volta ao Brasil, foi uma das diretoras do colégio Nossa Senhora do Morumbi. Saiu de lá após se ligar à Teologia da Libertação. Foi se dedicar às comunidades eclesiais de base na zona leste da capital. "Ela saiu da diretoria de um colégio que educava as elites e optou pelas comunidades pobres", conta a socióloga Maria Alice Setubal, filha de Olavo Setubal.

Em Manaus, um centro cultural ganhou seu nome. Trabalhou ainda em Goiânia, integrou grupos de estudos no Sedes Sapientiae, em SP, e dirigiu sua congregação, cuja história estava escrevendo. Há pouco tempo, ainda fazia questão de andar de ônibus. Era culta e discreta, contam suas amigas religiosas.

Morreu na segunda (12), dia em fez 87 anos, devido a uma embolia. A missa do sétimo dia será hoje, às 11h, no colégio Madre Alix, na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1.555, em São Paulo. “

Professores também apóiam os Bancários na CUT

Metalúrgicos, Professores, Comerciários...

Num gráfico, um ponto é um indicador, dois pontos uma linha indicativa, três pontos é uma tendência para baixo ou para cima. Os Ramos Nacionais da CUT aos poucos vão se definindo em relação a presidência da CUT e ao nome de Vagner Freitas.

No início eram dirigentes e pessoas que se posicionavam a favor de Vagner, aos poucos passou a ter a definição também de diretorias de sindicatos e federações, agora são as entidades nacionais dos trabalhadores das categorias profissionais mais importantes do Brasil que estão se definindo como sendo a hora de os bancários assumirem a presidência da CUT. E que o Ramo Nacional dos Bancários, representado pela Contraf, Confederação Nacional deveria dar o pontapé inicial sugerindo um nome.

Com a definição dos Bancários da Contraf a favor do nome de Vagner Freitas, veio a definição dos Metalúrgicos da CNM e agora dos Professores da CNTE. Democracia é o respeito à diversidade e à unidade de ação.

Aos poucos a candidatura de Vagner Freitas vai criando condições para chegar ao Congresso Nacional da CUT, a ser realizado em 2012, como um nome da ampla maioria dos delegados eleitos em assembléias. Vejam a importante Moção dos Professores do Brasil:

MOÇÃO DE APOIO

A Articulação da CNTE apóia a indicação dos Bancários e o nome de Vagner Freitas para presidente da CUT Nacional.

Durante reunião realizada em Brasília no dia 15 deste mês
, a articulação da CNTE - Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação debateu diversos temas, entre eles a sucessão na Central Única dos Trabalhadores.

Após entender que chegou o momento da Central ser presidida pelo ramo bancário, devido ao histórico de luta e a efetiva contribuição deste ramo na construção da CUT e no processo de fortalecimento da classe trabalhadora, a Articulação da CNTE, respeitando a decisão do ramo bancário que indicou Vagner Freitas como o candidato do ramo, decidiu por seguir esta orientação e apoiar a candidatura do companheiro bancário Vagner pelo seu compromisso com todo conjunto das categorias de trabalhadores (as), em especial à educação.

Vagner Freitas é trabalhador bancário do Bradesco de São Paulo, foi presidente da Contraf-CUT por dois mandatos, é o atual Secretário de Administração e Finanças da CUT e conta com apoio da articulação da CNTE.

São Paulo, 19 de Dezembro de 2011
Articulação da Confederação Nacional
dos Trabalhadores em Educação – CNTE

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

As Rosas da Padaria e o Santos F.C.

Para não dizer que não falei dos Santos

Neste domingo, acordei bem cedo, preparei o café e fui comprar pão do lado de casa para ter mais tempo para acompanhar o jogo do Santos contra o Barcelona. Como sou corintiano, torceria para o Santos, como o time do Brasil, contra o melhor time do mundo, mas que não era brasileiro.

Ao chegar na padaria vi que o canteiro de flores no pé da parede estava cheio de rosas. Resolvi tirar uma foto em homenagem ao Santos Futebol Clube e ao gesto do dono da padaria em abrir um buraco na calçada para fazer um canteiro de flores.


Ao chegar em casa, tomamos café e, enquanto minha esposa lia os jornais, eu fiquei no sofá atento para o futebol. O problema era que só o Barcelona jogava... Foram passando os minutos e o Santos não começava a jogar, só olhando a troca de passes dos jogadores do Barcelona. Saiu o primeiro gol e parecia que a partida seria de 8 a 0, ou 6 a 1.

Fiquei tão triste que resolvi convidar minha esposa para ir fazer nossa caminhada matinal no Parque Villa Lobos. A vantagem do jogo era que, naquele momento, não tinha ninguém no parque. Todos estavam vendo o jogo. Quando fomos tomar a água de coco o vendedor estava reclamando que, além de não ter ninguém no parque, o Santos já estava perdendo de três.

Quando voltamos para casa, o pessoal já estava chegando cabisbaixo. Muricy é um bom técnico, mas desta vez voltou ao velho estilo quando estava no São Paulo. O Santos deu a bola para o Barcelona e esqueceu de pegar de volta.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Um Jornal de Coragem

O fim da 'guerra estúpida'

Leiam o Editorial do Estadão sobre a Guerra do Iraque, publicado ontem.
Editorial do “O Estado de S. Paulo” - 17/12/2011

Emad Risn, colunista de um jornal de Bagdá, provavelmente resumiu melhor do que ninguém o que significa para os iraquianos o fim oficial da guerra iniciada há quase nove anos pelos Estados Unidos, a pretexto de eliminar a ameaça encarnada pelo ditador Saddam Hussein com seus arsenais de destruição em massa que Washington decerto sabia serem fictícios. "A guerra só acabou para os americanos", escreveu Risn. "Ninguém sabe se a guerra terminará também para nós." A invasão do Iraque, de fato, não serviu nem para mitigar a hostilidade ancestral entre as suas principais seitas etnorreligiosas - os majoritários xiitas, os sunitas que os oprimiam sob Saddam e os curdos separatistas concentrados no norte do país. Entregues a selvagens matanças recíprocas, xiitas e sunitas convergiram apenas na insurgência contra os invasores para tornar intolerável a sua presença. Até o fim do mês, os 4 mil militares americanos remanescentes terão partido.

A guerra que começou com uma mentira termina com uma meia-verdade. A mentira: George W. Bush usou desde o início o ultraje de 11 de setembro de 2001 para destruir Saddam - o que o primeiro Bush, George H. W., foi desaconselhado a fazer na Guerra do Golfo de 1991 pela Arábia Saudita aliada dos Estados Unidos. Era o que queriam também os teóricos neoconservadores enquistados nos centros de decisão de Washington, com a sua fantasia de implantar no coração do mundo árabe uma democracia pró-ocidental. A preocupação com a segurança de Israel, os interesses econômicos e geoestratégicos americanos no petróleo iraquiano, os cálculos eleitorais do presidente e o seu ódio a Saddam, que ameaçara matar o seu pai -, eis a origem da catástrofe infligida ao Iraque, sob a capa das suas imaginárias armas químicas e atômicas. A ignorância abissal de Bush fez o resto. Até pouco antes da invasão, ele desconhecia o antagonismo entre xiitas e sunitas.

A meia-verdade: ao ordenar a retirada total das tropas, salvo as poucas centenas de soldados incumbidos de guardar a fortaleza que abriga os diplomatas americanos em Bagdá, Barack Obama estaria apenas sendo fiel à promessa de campanha, que lhe rendeu não poucos votos, de encerrar de uma vez por todas o que chamava de "guerra estúpida" (e passaria a chamar "guerra de escolha", para diferenciá-la da "guerra necessária" no Afeganistão).

Na realidade, o que deu o empurrão definitivo para a saída foi a recusa do governo iraquiano do primeiro-ministro (xiita) Nuri Kamal al-Maliki de assegurar imunidade às tropas que ficassem por delitos de qualquer natureza. O país não esquecerá as atrocidades de soldados americanos na prisão de Abu Ghraib, em Bagdá. Nenhuma autoridade iraquiana, por sinal, compareceu na quinta-feira à solenidade de 45 minutos conduzida sobriamente pelo secretário de Defesa Leon Panetta no aeroporto de Bagdá para formalizar o fim da guerra.

As estatísticas são devastadoras. As baixas fatais americanas foram da ordem de 5 mil, sem contar as dos aliados britânicos, australianos e de outras nacionalidades. Cerca de 110 mil civis iraquianos pereceram e 1,5 milhão fugiu para países vizinhos. Não se conhece ao certo o custo financeiro, para os Estados Unidos, da sua imperdoável aventura. O custo oficial é de US$ 800 bilhões, mas estimativas independentes falam em até US$ 3 trilhões. Seja qual for o dado verdadeiro, é impossível dissociar dele o estado crítico das finanças americanas - sem falar que boladas milionárias foram desviadas por empresas contratadas por Washington para prestar serviços no Iraque. A corrupção iraquiana não fica muito a dever. O país está estilhaçado em mais de um sentido. Desde a invasão, em 17 de março de 2003, a população de Bagdá não sabe o que é ter um dia inteiro com energia elétrica. Teme-se que as forças de seguranças treinadas e financiadas pelos Estados Unidos sejam leais antes às suas seitas do que ao governo de turno. O vácuo de poder é palpável.

E os aiatolás xiitas iranianos assistem a tudo, deliciados. Na sua soberba cegueira, os americanos lhes deram o que não conseguiam desde a Revolução Islâmica de 1979: ser uma influência poderosa na política iraquiana.

sábado, 17 de dezembro de 2011

USA – Fatos de Guerras e História

Um depoimento para ser guardado

O autor do artigo abaixo e publicado originalmente no The New York Times e hoje no Estadão, é ex-coordenador de Reconstrução no Iraque e fundou o Projeto da Lista para Reassentar Aliados Iraquianos. É um americano de primeira grandeza e com acesso ao governo dos Estados Unidos. Seu depoimento vale para todas as gerações e todos os povos. É uma lição de vida.

O abandono dos aliados iraquianos

Ameaçados por radicais em seu país, colaboradores da ocupação americana não têm respaldo para deixar o Iraque

Estadão, 17 de Dezembro de 2011, 03h06 – Kirk W. Johnson – NYT.
http://m.estadao.com.br/noticias/impresso,o-abandono-dos-aliados-iraquianos,812120.htm

Em de 6 de maio de 1783, Guy Carleton, o comandante britânico encarregado de encerrar a ocupação dos EUA, subiu a bordo do Perseverance e navegou pelo Rio Hudson para se encontrar com George Washington e discutir a retirada britânica. Washington ficou furioso ao saber que Carleton tinha enviado navios cheios de americanos para o Canadá, incluindo escravos libertos que haviam se colocado do lado dos britânicos durante a revolução.

A Grã-Bretanha sabia que esses legalistas eram considerados traidores e não teriam futuro nos Estados Unidos. Os britânicos cumpriram sua obrigação moral de resgatá-los enviando centenas de navios aos portos de Nova York, Charleston e Savannah. Como narrou a historiadora Maya Jasanoff, aproximadamente 30 mil foram evacuados de Nova York para o Canadá durante meses.

Duzentos e vinte e oito anos depois, o presidente Barack Obama está encerrando nossa própria guerra longa e confusa, mas não temos nenhum Guy Carleton no Iraque. Apesar de o anúncio do fim da missão militar americana no Iraque, na quinta-feira, ninguém está agindo para assegurar nossa proteção e reassentamento dos que ficaram do nosso lado.

No começo desta semana, Obama falou às tropas em Fort Bragg, Carolina do Norte, do "marco extraordinário de dar um fim à guerra no Iraque".

Foram esquecidas suas palavras da campanha em 2007, de que "intérpretes, funcionários de embaixada e fornecedores estão sendo alvos de assassinatos". Ele acrescentou: "E, no entanto, nossas portas estão fechadas. Não é assim que tratamos nossos amigos." Quatro anos depois, o governo Obama recebeu apenas uma minúscula fração de nossos aliados, apesar de haver escaneamentos de olhos, impressões digitais, detectores de mentira e cartas de soldados e diplomatas atestando por eles. Em vez disso, nós os obrigamos a se submeter a um processo bizantino que hoje demora um ano e meio ou mais.

A triste verdade é que não precisamos mais deles agora que estamos saindo, e reassentar refugiados não é um assunto vencedor em campanhas eleitorais. Durante um ano, venho pedindo a membros do governo Obama para cuidar que o ato final dessa guerra não seja manchado pela traição. Eles não escutaram, adotando uma política de pensamento positivo, na esperança de que tudo funcione da melhor maneira.

Enquanto isso, os iraquianos que nos serviram lealmente estão ameaçados. O líder extremista xiita Muqtada al-Sadr declarou que os iraquianos que ajudaram os Estados Unidos são "proscritos". Quando os britânicos saíram do Iraque, alguns anos atrás, houve uma execução pública de 17 desses proscritos - seus cadáveres largados nas ruas de Basra como advertência. Apenas algumas semanas atrás, bateram à porta de um intérprete iraquiano para o Exército dos EUA; um policial iraquiano lhe disse ameaçadoramente que ele seria decapitado em breve. Outro empregado, na base americana de Ramadi, está escondido depois de receber uma ameaça de morte da milícia de Sadr.

Não é a primeira vez que abandonamos nossos aliados. Em 1975, o presidente Gerald Ford e Henry Kissinger ignoraram os muitos vietnamitas que ajudaram tropas americanas até as semanas finais da Guerra do Vietnã. Àquela altura, era tarde demais.

A mesma história lamentável ocorreu no Laos, onde os EUA abandonaram dezenas de milhares do povo Hmong que os haviam ajudado.

Foi somente meses depois da queda de Saigon e muito sangue derramado que os EUA conduziram um enorme esforço de alívio, retirando de avião mais de 100 mil refugiados para condições seguras. Dezenas de milhares foram triados numa base em Guam, bem distante do território continental americano.

O presidente Bill Clinton usou a mesma base para salvar as vidas de quase 7 mil curdos iraquianos em 1996. Mas quem mencionar a Opção Guam para alguém em Washington, hoje em dia, receberá um olhar vazio de amnésia histórica ou ouvirá que "o 11/9 mudou tudo". E assim nossa política nas semanas finais dessa guerra é tão simples quanto vergonhosa: entregue sua papelada e espere. Se conseguir sobreviver nos próximos 18 meses, talvez o deixemos entrar. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK “

E por falar em Paz, nada melhor do que matar a saudade de Joan Baez, cantando Diamonds and Rust - Live, 1975

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Iraque - Uma guerra para ser esquecida?

O Oriente Médio mais desorganizado

Depois de gastar 1,257 trilhão de dólares, morrerem 120 mil pessoas, sendo apenas 4,483 americanas, e passarem nove anos infernais, os Estados Unidos declaram encerrada uma guerra que serviu mais para desorganizar o Oriente Médio, do que para punir os terroristas que explodiram as Torres Gêmeas. Nem George W. Bush nem os americanos são muito chegados aos ensinamentos da Arte da Guerra. O ódio é o maior inimigo da boa estratégia e do baixo custo humano e material.

A principal derrota para todos nós nesta guerra, foi tirar os sunitas do poder e entregá-lo para os xiitas. Se o Irã já estava forte, depois da invasão ao Iraque, ficou mais forte ainda. Não foi à toa que a pressão sobre Israel cresceu e os países árabes que sempre foram governados pelos sunitas passaram a viver sob um movimento de massa articulado pelos religiosos muçulmanos.

A nova tática não é da guerra direta e do terrorismo, agora a palavra de ordem é “mais emprego, mais liberdade e eleições diretas já!”. Assim, as formas de governos autoritários herdados da segunda guerra mundial vão sendo substituídos por governos plebiscitários, hegemonizados pelas seitas xiitas ou articuladas com elas.
O jogo de xadrez mundial ficou mais complexo e o futuro está mais difícil de ser previsto ou planejado. Não é por acaso que o livro de Henry Kissinger, “Sobre a China”, está fazendo tanto sucesso.

Como não se faz omelete sem quebrar os ovos, da mesma forma que a Europa usou as Cruzadas para tentar resolver seus problemas, os americanos tentaram usar o Oriente Médio para resolver a crise econômica estrutural que aumentava nos Estados Unidos. Ganharam tempo e eleições, mas não impediram o avanço da crise econômica e seus reflexos sobre a Europa e o Mundo.

O jogo de xadrez continua. Os americanos estão voltando para casa mais uma vez com o moral aquém do seu passado de glória quando ganhava todas as guerras, principalmente contra a Espanha e suas Colônias. Os tempos são outros e é mais do que evidente que a “regra do jogo” precisa ser repensada e reorganizada. A crise aparece primeiro na economia e depois passa rapidamente para a política e, se não resolvida, vira batalhas de ruas e de países...
Vejam este resumo do Estadão:

“Sem falar em vitória, EUA declaram oficialmente fim da guerra no Iraque


Conflito incômodo. Tentando amenizar a percepção de que saída de soldados americanos abandonará os iraquianos à própria sorte após quase nove anos de combates, secretário de Defesa americano assegura que Washington se manterá 'ao lado do povo' do país.

Estadão -16/12/2011, 03h07-Denise Chrispim Marin, correspondente / WASHINGTON

Com uma cerimônia discreta em Bagdá e sem festejos em Washington, os EUA declararam ontem, formalmente, o fim da guerra no Iraque. Considerado o mais controvertido conflito liderado pelos EUA depois do Vietnã, a guerra custou US$ 1,257 trilhão ao contribuinte americano, 4.483 vidas de militares do país e o sacrifício de 115,5 mil civis iraquianos. A palavra "vitória" tem sido cuidadosamente evitada pelo governo de Barack Obama.

Assim como fez Obama em seu discurso de quarta-feira, em Fort Bragg, Panetta evitou ontem a assinalar a vitória americana no conflito. Em janeiro 2009, quando Obama tomou posse, os EUA mantinham 180 mil soldados em mais de 500 bases no Iraque. Cerca de 1 milhão de soldados passaram pelo front em nove anos.
O conflito não passava de uma "guerra idiota" a ser concluída o quanto antes, avaliava Obama na sua campanha eleitoral de 2008.

A guerra fora autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU em 2003, sob forte pressão do governo de George W. Bush e o argumento da presença de armas químicas de destruição em massa no Iraque. Países como a França e o Brasil se opuseram à intervenção. As armas jamais foram encontradas, e as fotos de arsenais exibidas à ONU mostraram-se falsas. Os EUA continuaram no front, agora sob o pretexto de democratizar o país.”

Bachelet e Dilma, duas mulheres exemplares

Dilma e Bachelet continuam fazendo História

As ditaduras não dobraram estas mulheres. “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”, este é um refrão de uma musica brasileira na época das ditaduras militares no Brasil, no Chile, na Argentina e em quase todos os países da América Latina. Ditaduras patrocinadas pelos Estados Unidos em nome da Guerra Fria. Nos jornais de hoje aparecem fotos de pessoas jogadas ao mar pelos militares argentinos e que iam parar nas praias do Uruguai.

Depois de ver a família e a própria vida atacadas pela repressão dos militares, estas mulheres estudaram e trabalharam muito, sendo que uma foi eleita Presidenta do Chile e a outra Presidenta do Brasil. Michelle Bahcelet hoje é diretora executiva da ONU Mulheres e esteve no Brasil esta semana quando aproveitou para fazer os maiores elogios ao trabalho que Dilma vem desenvolvendo no governo.

Embora de forma tímida, o Estadão de hoje publica uma nota em negrito onde reproduz parte dos elogios contidos no discurso de Michelle Bachelet.
Vale a pena todo mundo ler.

“Bachelet elogia 'vontade política' da presidente Dilma
Estadão - Sexta, 16 de Dezembro de 2011, 03h06 – Rafael Moraes Moura

Em um discurso repleto de elogios, a diretora executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet, diz que acompanha com "muito entusiasmo" a atuação da presidente Dilma Rousseff, destacando o papel da presidente brasileira na Assembleia-Geral das Nações Unidas e no encontro do G-20 em Cannes.

"Você tem sido uma grande embaixadora mundial da proteção social e dos temas que temos defendido", discursou Bachelet no Palácio do Planalto, após entregar à Dilma a versão em português do relatório Piso de proteção social para uma globalização equitativa e inclusiva, publicado pela Organização Internacional do Trabalho.

"Nosso grupo tem acompanhado com muito entusiasmo a atuação internacional da presidente Dilma. O esforço e a vontade política do seu governo e de seus antecessores, em particular do presidente Lula, de proteger as pessoas que menos têm, vem produzindo resultados", disse Bachelet.

Ela destacou ainda que tem analisado com "muito interesse" o programa Brasil sem Miséria.“

Volta por cima” cantada por Noite Ilustrada.