quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Brasil "on line"

O olhar no tempo...

O mundo atual é “on line”, plugado no celular e no computador, os carros têm TVs e ninguém consegue ficar um dia sem acessar algo. Começamos o dia sabendo como anda a bolsa do Japão, da Austrália e da China, e acabamos o dia vendo na TV o resumo do mundo. Tudo muito rápido, sem tempo para meditação e sem tempo para “não fazer nada”.

Até os jornais andam ficando iguais.
Nós assinamos a Folha de SP e o Estadão, e os dois estão ficando tão parecidos que, nestes últimos dois dias, até as fotos das capas são iguais. As manchetes são as mesmas, as matérias mudam de caderno ou de lugar na página do jornal, mas são quase iguais. E qual a diferença um do outro?

Um parece um professor jovem que fala de tudo superficialmente, é “fast food”, moderninho. Este é a Folha. O outro parece um professor mais velho, que fala profundamente sobre as coisas. É culto e escreve bem sobre os artistas e suas obras. Escreve bem sobre economia, dialogando com os empresários e governantes. É como se fosse o pai ou a mãe da gente. Este é o Estadão. Os dois são importantes e se complementam.

Mas, quando eles começam a se copiar, ficam iguais os pais velhos que querem freqüentar festas de crianças. Ou crianças que querem passar a noite na farra. Não combinam! É tudo culpa da internet. Jornal virou notícia requentada. Você já sabe tudo que vai sair publicado no outro dia. Então, por que ler jornais? Por que o jornal deveria ser mais analítico do que a internet. Esta sim, deve ser “fast food”. O jornal deve ser como um livro. Você folheia rapidamente e depois lê com tempo, com calma.

Se vocês observarem, o que eu mais faço é pegar matérias dos jornais e dar uma cara nova, fazendo uma introdução para contextualizá-las, dando um título mais atrativo e vinculando a outros assuntos que eu considere relevante.
Por exemplo, o Estadão saiu na frente e publicou a entrevista de Jim O’Neil, autor do termo BRIC e presidente da Goldman Sachs Asset Management. Hoje, quatro dias depois a Folha publicou o mesmo assunto, sem dar o mesmo destaque do Estadão.

O’Neil diz que o Brasil poderá ser desenvolvido já nos próximos 20 anos!
Eu acho que o Brasil fica moderno antes de 20 anos. Minha data para o Brasil é 2025. De onde eu tirei isto? De um olhar histórico e de projeção de gerações. Vamos pensar juntos?

Pense na geração dos anos 50 e 60.
Pouca escolaridade, pouco trabalho formal, vida rural e pouco urbana. Sem geladeira, fogão, chuveiro elétrico e televisão. Sem vida social organizada.
Agora pense na geração dos anos 70 e 80. Muita gente fazendo faculdade, empregos de qualidade e muitas oportunidades de negócios. Vida mais urbana que rural. Casas com geladeira, fogão a gás, chuveiro elétrico e televisão para quase todos. O Brasil passou a ter vida social ativa, com movimento estudantil, sindicatos fortes e partidos como ninguém nunca tinha visto antes. Era a democracia moderna chegando!

Dos anos 90 para cá, o Brasil é outro. Sem inflação, com eleições democráticas constantes, com imprensa patrulhando tudo, a economia crescendo e gerando emprego para a maioria da população economicamente ativa. O Brasil velho vai ficando para trás, mas a população mais velha vai aumentando assustadoramente. Já não somos um país de jovens!

Estamos em 2011 e para 2025 faltam apenas 14 anos. Temos tempo para sermos modernos? Se mantivermos o ritmo atual, sim. O que precisamos superar é a síndrome de “vira-lata”, é esta mania de querer levar vantagem em tudo e o salve-se quem puder. E aí a imprensa pode ajudar muito nisto. A ser uma imprensa cidadã. Já pensou?

A internet está sendo determinante nesta transformação.
Em qualquer lugar do Brasil as pessoas têm computadores e acesso à internet! Quando alguém faz ou fala alguma bobagem, imediatamente todo mundo fica sabendo. Lembram da bolinha de papel na cabeça do candidato? Caiu no ridículo! As pessoas já não ficam mais impunes. Podem não ser condenadas pelas nossas leis, que são velhas e nossa estrutura judiciária é viciada, mas quem erra paga. Nem que pague através das redes sociais e da internet.

E aí, o Brasil se transforma. Como o velhinho que mora no interior da Bahia e ficou encantado por que na roça que ele sempre viveu passou a ter “luz para todos” e ele podia ver a novela e assistir ao futebol. Passou a ser cidadão brasileiro!

Ah, este seu olhar...


3 comentários:

  1. As mulheres já mudaram a Medicina

    O número de mulheres médicas deve superar o de homens em 20 anos, segundo a pesquisa "Demografia Médica do Brasil", que os conselhos federal (CFM) e regional paulista (Cremesp) da profissão apresentam hoje.
    Hoje elas são 41,2% do total -145 mil contra 206 mil médicos.
    Na década de 60, eram apenas 12,9%.
    A demora da "virada" é explicada pelo pequeno número de mulheres que seguiam a profissão há alguns anos. Entre os médicos veteranos, os homens são 81% dos que têm mais de 70 anos, 82% dos que têm entre 65 e 69 e 74% dos que estão entre 60 e 64.
    Elas são maioria (53%) entre os de menos de 29 anos.
    Folha de SP – Monica Bergamo – 30/11/2011 – Ilustrada.
    Quando a Doutora Zilda Arns entrou na faculdade de medicina, era a única mulher na classe. Os tempos mudaram...

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  2. è verdade, boa música, lembra meu Pai...

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