segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Faxina Lá e Cá

Não dá para esconder

A imprensa lançou a campanha da “Faxina no Governo Dilma”
e vem impondo uma dinâmica de manter “o governo nas cordas”, mostrando a fragilidade na governabilidade pública. Os corruptos antigos, como conhecem a máquina governamental, sabem identificar as fragilidades do governo de ampla coalizão partidária.

Acontece que esta cultura de “governar de forma inescrupulosa” para manter maioria legislativa, judiciária e na imprensa, não é um problema federal. É uma herança da ditadura militar e da República Velha, que a redemocratização e a Constituinte não resolveram. Conciliaram com a hegemonia conservadora.

Como o Estado de São Paulo foi o principal beneficiário do regime militar, também foi o mais resistente à passar o país a limpo e à democratização das instituições públicas em todos os níveis. Na maioria das vezes, quando São Paulo quer, o Brasil se curva.

Agora a Folha de São Paulo tem feito uma campanha mostrando a fragilidade no Judiciário e um alguns problemas na gestão do Estado de São Paulo. Não sei se a Folha defende Serra ou Alckmin, mas está cobrando providência dos tucanos sobre vários temas importantes como segurança,transporte, educação e saúde. Além dos cuidados na administração do “caixa dois” com empreiteiras.

Lenta e gradualmente, a democracia vai chegando aos governos estaduais e, mais devagar ainda, aos governos municipais. No final do processo, poderá chegar ao Judiciário. O brasileiro tem como uma das suas características a paciência e a tolerância. Mas, aos poucos a institucionalização da democracia, da cidadania e da equidade social fará parte dos nossos direitos na prática, e não apenas como discurso.

E todos nós nos importaremos com os moradores de rua, com os atropelados, com os analfabetos e abandonados nos hospitais públicos, não apenas como manipulação política. Yes, we can!

Vinícius Mota hoje fez um bom texto na Folha, que serve para todos.

“Sim, ele se importa
Vinicius Mota – Folha S. Paulo – 21/11/2011. Pág. 2 vinimota@uol.com.br

SÃO PAULO - Parece irritado o governador Geraldo Alckmin com a decisão da juíza Simone Casoretti, que na sexta suspendeu contratos da linha 5 do metrô paulistano e afastou o presidente da empresa. O tucano classificou a ordem judicial de "absoluta irresponsabilidade" e prometeu dela recorrer ainda hoje.

Ricardo Feltrin, da Folha, soube em abril de 2010 os resultados da licitação da linha 5, que só seriam divulgados oficialmente seis meses depois. Documentou-os em vídeo e cartório e esperou. Em outubro, quando o governo abriu os envelopes, batata: lote por lote, estavam lá as empresas vencedoras conforme antecipado.

A concorrência, aberta na gestão José Serra, foi finalizada quando seu vice, Alberto Goldman, completava o mandato. Ficou para Alckmin, empossado em janeiro, a decisão de validar ou anular a licitação.

Começou um jogo bruto de construtoras a fim de intimidar o governo e a reportagem deste jornal. Empreiteiras contrataram peritos para colocar em dúvida a publicação.Incapazes de atestar qualquer trapaça, formularam argumentações laterais, como a de que existem meios técnicos de fraudar uma gravação em vídeo como aquela, de modo a simular que havia sido feita no passado.

Lançaram questionamentos genéricos e imprecisos para lembrar ao governo que, anulada a licitação, partiriam para cima na Justiça, cobrando indenizações fabulosas. A pressão deu certo, e Alckmin validou a concorrência. Evitou contencioso com empreiteiras, mas expôs-se a uma duríssima refrega, que apenas se inicia, com o Ministério Público.

Haveria, portanto, risco à sequência das obras fosse qual fosse a decisão do governador. A questão era definir a causa e o adversário.
Opção A: anular uma licitação sobre a qual pesa indício veemente de conluio e enfrentar as empreiteiras. Opção B: validar tudo e desafiar o interesse público.
Alckmin escolheu seu lado. "Yes, he cares."

Nenhum comentário:

Postar um comentário