quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Estadão furou o esquema

E noticiou sobre a violência na Colômbia

No dia 20 de outubro passado, eu coloquei um texto neste blog com o título: “Nossa imprensa não quer ver” e subtítulo “A Violência na Colômbia”. Ontem, pela primeira vez, vi um grande jornal publicar uma informação, mesmo sendo ao pé da página, sobre a violência na Colômbia e a “parceria” com os Estados Unidos.

Não é novidade que este jornal seja “O Estado de São Paulo”.
O Estadão sempre foi conservador, mas nunca foi neoliberal nem cínico. Apoiou o golpe de 64 no Brasil, mas se refez rapidamente e nunca contribuiu com cobertura ao terror.

O jornal, além de publicar a matéria da AP, Agência Internacional de Notícias, ainda destacou o “Para Lembrar” onde informa que os Estados Unidos tinham elo com o DAS – o órgão paramilitar da Colômbia, financia e não informa a quantidade de dólares enviados. O Estadão está de parabéns, mais uma vez.

Na Colômbia eles até hoje matam sindicalistas e oposicionistas em qualquer lugar. Seja no campo ou na cidade. No Brasil ainda se mata, mas é comum ser no campo. A Colômbia é o país da América do Sul onde mais se mata ativistas, mesmo vivendo numa aparente democracia. E nossa imprensa sempre defendeu Uribe e a ocupação americana naquele país, como necessária para se combater o narcotráfico.

Ainda bem que o novo presidente da Colômbia tem contribuído efetivamente para diminuir os paramilitares e a cumplicidade institucional.

A história é sempre assim, se começa combatendo bandidos e terroristas, e rapidinho passam a espionar e matar cidadãos comuns. Lembram na campanha eleitoral de Serra quando ele falava da importância do combate ao narcotráfico nas fronteiras? Era o aborto, o narcotráfico, a Kroll escutando informalmente nossos ministros, as palestras na embaixada... Começa sempre assim.


Colômbia desmantela agência de inteligência envolvida em crimes

Escritório que teve 20 de seus agentes presos por espionar críticos do ex-presidente Uribe será substituído até dezembro
O Estado de SP, Quarta, 02 de Novembro de 2011, 03h03 BOGOTÁ

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, anunciou ontem que desmantelará a principal agência de inteligência do país. Agentes do polêmico Departamento Administrativo de Segurança, mais conhecido por sua sigla, "DAS", haviam se envolvido nos últimos anos em vários escândalos de escutas clandestinas e apoio a forças paramilitares acusadas de graves violação dos direitos humanos.

A maioria dos cerca de 6 mil funcionários da agência será realocada em outras instituições do Estado. Santos já tinha indicado que planejava criar um novo escritório de inteligência, cujos detalhes serão revelados nos próximos dias.

A Justiça colombiana vinha travando uma dura batalha contra agentes do DAS acusados de espionar críticos do ex-presidente Álvaro Uribe - incluindo jornalistas, juízes e ativistas de direitos humanos. No mês passado, o primeiro chefe da agência no governo Uribe, Jorge Noguera, foi condenado pelo assassinato de um professor universitário em 2004. Sua sucessora, Maria del Pilar Hurtado, obteve asilo no Panamá - com ajuda do ex-presidente colombiano - para escapar de uma investigação sobre espionagem de rivais políticos do governo.

A denúncia de que espiões do DAS tinham montado uma rede clandestina foi feita em 2009 pela revista Semana. Desde então, 20 agentes do departamento foram presos e dezenas ainda estão sendo investigados.

Ontem, Santos tentou preservar a imagem da agência. "Muitas pessoas do DAS foram estigmatizadas - de forma injusta, eu diria. Tantos cidadãos de bem não podem pagar por uns poucos pecadores", disse o presidente, ao lado do atual diretor do escritório, Felipe Muñoz. Mais de 90% dos funcionários do DAS continuarão no serviço público, disse Muñoz. O departamento fechará as portas em 31 de dezembro. / AP
Reforma. Santos tenta preservar a imagem geral da agência

Para Lembrar:

EUA tinham elo com o DAS
A DEA, policia federal antidrogas dos EUA, tinha estreitos contatos com o Departamento Administrativo de Segurança (DAS), da Colômbia. Até 2009, a parceria era um dos pilares do chamado “Plano Colômbia”, iniciativa patrocinada pelos EUA para combater o narcotráfico. As cifras da ajuda ao DAS são secretas. A pressão de grupos de defesa dos direitos humanos nos EUA teria reduzido a cooperação.

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