quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A Dor da Morte

Na Alegria e na Tristeza

Quando vou a algum casamento na Igreja Católica, sempre fico impressionado com o clima geral de festa e com o momento do juramento de fidelidade dos noivos. O casal repete solenemente: “Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na fartura e na escassez”.

Sempre comento que as pessoas juram e, muitas vezes, nem se lembram do que falaram, e se separam com a maior facilidade, com pouca tolerância.

- Neste final de semana tivemos a formatura da nossa filha, o que nos causou a maior alegria da vida. Mas, também tivemos dois falecimentos, que servem como alerta para todos nós.


1 - Quando estávamos nos preparando para um almoço comemorativo da formatura, recebemos o telefonema de um colega de trabalho, nos informando que uma colega nossa e grande amiga tinha comunicado que o marido de sua filha teve um acidente e faleceu. Sendo que o velório seria no dia 14, segunda-feira.

Nós estivemos no casamento deste jovem casal e eu também prestei bem atenção no juramento na Igreja perto de nossas casas. Janete e Veloso, pais da moça, trabalharam por trinta anos na Caixa Econômica Federal, ela foi gerente e superintende geral em São Paulo, e ele foi gerente de agência. Dois amigos de muitos anos e militantes históricos do nosso sindicato dos bancários de São Paulo. Viajamos e trabalhamos juntos por muitos anos.

Janete sempre perguntava a filha quando teria um neto e a filha pedia para esperar reformar e mobiliar o apartamento para depois ter um filho. O apartamento estava pronto e mobiliado e talvez estivesse chegando a hora do filho. O destino levou Vicente. E Berly, a filha de Janete e Veloso, não teve tempo de ter um filho com ele. São as coisas do destino.


2 – Vejam esta carta que um diretor do nosso sindicato enviou, agradecendo a presença dos diretores no velório do pai.

“Senti o verdadeiro sentido da palavra Companheiro, quando da morte de meu pai, fomos agraciados com a presença e o conforto de vários colegas do sindicato no velório. Não imaginava o quão importante é o fato, acho que tal apoio até nos amadurece mais, aprendemos a militar a solidariedade que muitas vezes limita-se ao discurso.

O seu Alberto, meu pai, não era um homem de nossa época, rigoroso e rígido nos conceitos, mas tinha um coração de ouro. Lembro-me certa vez, que do quintal de casa avistei uma cena pitoresca e triste: uma família inteira andava pela minha rua numa carroça, os rostos não deixavam duvida, as crianças esquálidas e andrajosas exalavam a fome e a desesperança. Quando olho para o lado meu pai estava em prantos, chorando muito, e pediu que eu parasse a carroça e pôs-se a pedir que minha mãe trouxesse tudo o que pudesse da dispensa para doar à família.

Tal cena me veio à memória agora que ele partiu.
Meu pai nasceu no Brás, dos anos 30, e tinha como irmão o Sr. Ramiro, que era membro do Partido Comunista e braço direito do Cavaleiro da Esperança, o Luis Carlos Prestes, meu tio teve o infortúnio de partir cedo, aos 41 anos, de câncer no estômago. Dizia meu pai que o Ângelo Arroio e boa parte do PC do B estiveram em seu enterro. Mas é a vida, espero que os dois estejam matando a saudade, em algum bom lugar.

A todos aqueles que de certa forma nos apoiaram, agradeço com a mão estendida para a amizade,Paulo Sobrinho”

Ser militante, ser dirigente, ser mais velho, tudo isto, muitas vezes, nos faz pensar que seremos fortes na morte. Ledo engano, somos humanos e mortais, como todos os outros. E precisamos ter a humildade de expressar nossos sentimentos e carências. E nós, colegas e amigos, temos a obrigação de prestar solidariedade.


As plantas e as flores estão presentes em nossa vida e em nossa morte.
Na alegria e na tristeza, na fartura e na escassez.

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