quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Como você vê o Brasil?

O estrangeiro nos vê com otimismo, e você?

Vejam alguns destaques da entrevista de JIM O’NEILL, presidente da Goldman Sachs Asset Management, publicada no jornal O Estado de São Paulo de domingo, 27/11/2011.

"Brasil pode se tornar desenvolvido em 20 anos"

O Estado de São Paulo – 27nov2011 – Daniela Milanese – corresp. em Londres.

Entrevista - Jim O’Neill, presidente da Goldman Sachs Asset ManagementPara o economista criador dos Brics, Brasil, Rússia, Índia e China não podem mais ser considerados países emergentes.

Antes do fim desta década, um representante dos Brics ocupará a chefia do Fundo Monetário Internacional. Até 2020, o yuan e o real passarão a compor o Direito Especial de Saques (SDR, na sigla em inglês), "moeda" do FMI, ao lado do dólar, euro, iene e libra. O Brasil tem as maiores chances de se tornar um país desenvolvido, o que pode ocorrer em 20 anos.

Jim O'Neill continua sonhando com o futuro dos Brics. A história da criação do conceito, a evolução dos países e suas perspectivas estão no livro The Growth Map: Economic opportunity in the Brics and Beyond (O Mapa do crescimento: as oportunidades econômicas nos Brics e além), que terá lançamento global em 5 de dezembro e deverá ter versão em português em 2012.

Em entrevista exclusiva à Agência Estado, em Londres, ele mantém o tom sempre otimista e contemporizador. Admite que a grave crise da zona do euro afetará os Brics, mas acha que a China, longe de ser uma bolha prestes a estourar, tem capacidade de contrabalançar os problemas do velho continente.
Para ele, os Brics não têm coerência como grupo político, por serem países muitos diferentes. Porém, precisam fazer parte da governança global. O'Neill prevê que eles se tornarão parte de um novo grupo, um G-9, menor e mais efetivo do que o G-20, a ser formado também por Estados Unidos, Japão, zona do euro, Reino Unido e Canadá.

Fanático por futebol e torcedor do Manchester United, ele diz que estará no Brasil para a Copa de 2014 - afinal, esteve em todos os quatro últimos mundiais. A seguir, os principais trechos da entrevista:

O sr., em algum momento, imaginou que o conceito dos Brics se tornaria tão famoso?
Eu nunca imaginei, isso mudou minha vida profissional. É extraordinário.

Se pudesse voltar no tempo, teria feito alguma escolha diferente?
Nos três primeiros anos, eu pensei sobre o México. Mas, quando olho para trás, não me arrependo. Na época, a escolha do Brasil foi a mais controversa.

A inclusão do Brasil foi sua maior aposta. Arriscado, não?
(Risos) Foi muito arriscado. Pessoas no Brasil dizem isso ainda hoje. Mas, como eu já estava no mercado há muitos anos, eu sabia da importância das metas de inflação. Isso foi o que realmente me influenciou.

O sr. diz que a maior conquista do Brasil foi o controle da inflação. Algumas pessoas acreditam que o BC acaba de abandonar as metas de inflação. Como avalia?
Não acho que tenha abandonado. Mas não está tão independente como já foi. Talvez tenha apenas sido muito astuto quando olhou os problemas externos três meses atrás.

O sr. fala sobre o risco que a apreciação cambial traz ao País. Estamos vendo muita pressão no câmbio nos últimos dias com a crise europeia. Seria essa a reversão desordenada que o sr. teme?
A situação na Europa se tornou muito problemática nas últimas semanas, especialmente em relação à Europa. As autoridades europeias precisam ser mais decisivas, pois o mercado está muito nervoso. Falta confiança sobre as decisões políticas na Europa.

Essa turbulência pode afetar fortemente o real?
Já está afetando. A situação é muito frágil. Para ser honesto, muito vai depender da China. Se a China mostrar mais liderança, se a inflação lá cair e eles cortarem os juros e permitirem mais valorização da moeda, será muito importante para contrabalançar a crise na Europa.

O sr. diz que os Brics não podem mais ser chamados de mercados emergentes. Qual é a perspectiva para que se tornem países desenvolvidos?
Acho que o Brasil tem, provavelmente, a maior chance. Até o fim desta década, a renda per capita terá dobrado. A economia está hoje perto de US$ 2 trilhões e o PIB per capita, próximo de US$ 15 mil. Talvez até o fim desta década seja de US$ 30 mil. Em 20 anos, o Brasil pode se tornar um país desenvolvido.

O que ainda precisa ser feito no Brasil?
Mais investimentos do setor privado e inovação.

Um comentário:

  1. não se pode criticar pt porque a bolsa familia justifica tudo,mas com ela aumentou o roubo do dinheiro publico,a violencia até no campo e a educação é uma vergonha,sem falar na saúde que causa fúria.parabéns por enveredar pela preservação dos pássaros e natureza é melhor até apagar aquela apresentação do inicio.

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