domingo, 6 de novembro de 2011

Argentina e Brasil: Quantas vezes perderam o trem da história?

Podemos aprender com os argentinos

Ariel Palácios talvez seja o brasileiro que mais entende de Argentina e de argentinos. Mesmo lendo vários livros de história da Argentina é muito difícil entender como um país tão rico “perdeu o trem da história”. O Brasil sempre foi rico por natureza, mas nunca teve um povo ou uma elite que justificasse a riqueza natural do país.

Agora com Lula o Brasil começa a adquirir autoestima. Já teve com Juscelino, foi derrubada com os militares e o milagre econômico autoritário, e agora volta a acreditar na sua missão histórica. O futuro chegou para nós, mas ainda não voltou para a Argentina. Precisamos aprender juntos.

País era considerado um pedaço da Europa

06 de novembro de 2011 | 3h 06 - BUENOS AIRES - O Estado de S.Paulo

"Como poderia fracassar um país dotado de tal sorte?" Essa era a pergunta que na segunda semana de maio de 1910 o jornal La Prensa estampava, dias antes da celebração do centenário da 'Revolução de Maio'. Na época, o país estava no ponto culminante de seu prestígio internacional e representava 50% de todo o PIB latino-americano.

A cidade de Buenos Aires - cujas ruas eram decoradas com estátuas importadas da França - era chamada de "a Paris da América do Sul". A própria Argentina era considerada um 'pedaço da Europa'. Escritores em todo o mundo consideravam que o país rivalizaria em pouco tempo com os EUA.

Em apenas uma geração, a Argentina havia passado de ser o cenário dos últimos "malones", denominação dos ataques de tribos indígenas, para ser o primeiro país na América Latina a ter metrô.

Os argentinos exibiam exuberante otimismo e acreditavam que o país estava destinado a um futuro brilhante. Mas, a era dourada da Argentina ficou no passado. Hoje o país é responsável por 10% do PIB do continente, perdendo para o Brasil o posto de líder regional. Além disso, do décimo posto do PIB per capita mundial em 1910 a Argentina caiu para o quinquagésimo lugar. Longe de aspirar um nível social "europeu", os sociólogos afirmam que a Argentina aproxima-se cada vez mais do padrão de profundas divisões sociais.

Desde o primeiro grande ajuste econômico, em 1975 (conhecido como "El Rodrigazo", em alusão ao ministro Celestino Rodrigo), a Argentina já passou por seis crises econômicas graves. /A.P.

Argentina busca novo rumo pós-eleições
Reeleita, a presidente Cristina Kirchner esperou o fechamento das urnas para adotar medidas de características impopulares

06 de novembro de 2011 | 3h 05
ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES - O Estado de S.Paulo

A Argentina, país que vem registrando taxas expressivas de crescimento, optou por buscar novo caminho econômico logo após a vitória da presidente Cristina Fernández de Kirchner. Pouco depois de contabilizados os votos, o governo baixou restrições cambiais e cancelou subsídios e o próximo passo, já se discute em Buenos Aires, seria um ajuste econômico para reduzir os gastos fiscais que dispararam neste ano eleitoral.

Como o Brasil já havia feito no passado (mudanças de rumo nos planos Cruzado e Real), Cristina esperou para adotar novas medidas econômicas, que poderiam soar como impopulares, depois do fechamento das urnas. O país apesar de registrar taxas chinesas de crescimento (em média 8% ao ano) enfrenta uma série de problemas cujas soluções foram adiadas pela administração Kirchner, entre elas a escalada inflacionária, a persistência da pobreza, a dependência de subsídios estatais por parte de diversos setores empresariais privados e a dificuldade da Argentina em voltar aos mercados internacionais de crédito, fato que levou o país a contrair dívidas com a Venezuela de Hugo Chávez.

A dívida pública, que após o calote e a reestruturação dos títulos argentinos alcançava US$ 144 bilhões em 2007, atualmente é de US$ 173 bilhões, segundo a Secretaria de Finanças. No entanto, o governo argumenta que o peso da dívida, que era de 64,9% do PIB há quatro anos, caiu para 37,9%.

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