terça-feira, 1 de novembro de 2011

Aprendendo com a liberdade

A Internet e a Imprensa

Com a doença de Lula, voltou a aparecer na imprensa um debate interessante.
“O quê é a liberdade de opinião?”
“Qual é o limite para se escrever preconceitos, agressões, provocações e mentiras?”

Estas questões sempre me faz lembrar as lutas contra as ditaduras, sejam elas de direita, de esquerda, religiosas ou laicas.

Augusto Campos, ex-presidente do nosso sindicato, ainda durante a ditadura militar no Brasil, dizia que é comum as pessoas defenderem a democracia quando elas estão na oposição, mas quando viram governo ou poder, passam por cima da democracia e do respeito às minorias.

Não foi por acaso que, desde 1979, já na preparação do Encontro Nacional dos Trabalhadores em Oposição à Estrutura Sindical – ENTOES, já definimos que, nas assembléias para se eleger delegados aos encontros, estaria garantido o direito da participação das minorias que conseguissem mais de 20% de votos da assembléia, quando houvesse apenas duas chapas, e mais de 10% quando houve mais de duas chapas concorrendo. Nosso sindicato foi um dos precursores desta regra na vida sindical brasileira. Hoje isto faz parte dos estatutos da CUT.

Respeitar as diferenças e as minorias é a coisa mais difícil para o ser humano. Mas, se analisarmos historicamente, há uma evolução extraordinária! Por exemplo, o direito de as mulheres votarem e serem votadas, só aconteceu no século vinte. É coisa muito recente! Ainda existem no mundo vários países que a “Democracia e as Eleições” valem somente para as etnias reconhecidas pelo grupo dominante.

Quando Gutenberg descobriu a impressora a Igreja Católica tremeu por que perdeu o monopólio do livro e do saber. Quando surgiu a internet, as redes sociais e acabaram as ditaduras no Brasil e na América Latina, a Rede Globo e outros proprietários de meios de comunicação foram sentindo o que é a existência de versões diferentes das suas.Tiveram que aprender a conviver com a diferença. Uma das piores heranças das ditaduras foi sobre a informação e a educação.

Nossa imprensa tem estimulado o ódio contra Lula e o PT. Assim, por tabela, também estimula a baixaria do bispo de Guarulhos com seus panfletos contra a candidata Dilma, a baixaria da Veja e a baixaria sobre a doença de Lula.

Mas os blogueiros e a esquerda precisam constituírem seus próprios meios de comunicação. Precisamos ter nossos Rádios, TVs, Jornais, Revistas, Sites, Blogs, etc.

Quando ainda era dirigente da CUT, chegamos a ter a nível nacional mais de seis milhões de boletins por mês, mais de vinte revistas mensais, mais de mil programas de rádios e mais de mil e trezentos jornalistas à disposição dos sindicatos. Se juntar tudo, fica maior do que a maioria destas empresas privadas e reacionárias de comunicação. Não foi por acaso que, quando tentamos comprar a TV Manchete, houve uma reação muito grande de Antonio Carlos Magalhães, que era ministro das comunicações.

O melhor limite na escrita é a reação do público e das instituições. Quando nos calamos e nos omitimos sobre as barbáries, a gente acaba estimulando-as. Nossa grande imprensa não tem autoridade para “apontar o dedo” para ninguém. Ela é mãe do “jogo sujo” e para criticar a baixaria, precisa primeiro fazer autocrítica.

O mundo é plural. As pessoas são todas diferentes entre si. E a Democracia pressupõe conviver com as diferenças e com a equidade. Só se aprende Democracia, convivendo com ela. É como nadar, não se aprende no seco.

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