segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Algo errado na Medicina

Maratona de provas para residência médica

Alguma coisa está errada com a Medicina no Brasil. Historicamente é o curso mais concorrido, dura seis anos de dedicação exclusiva e os cursos particulares custam uma verdadeira fortuna. Tem curso que custa mais de cinco mil reais por mês. Concluído o curso a felicidade bate na porta? Ledo engano! Aí começa outra maratona, que é um verdadeiro inferno.

Por exemplo, neste sábado à tarde houve prova de residência para a Unesp Botucatu. Os médicos (já que não são mais estudantes de medicina) nem descansam e já pegam a estrada para São Paulo. São 240 km debaixo de uma chuva torrencial perigosíssima e cheia de pedágios. Acordam no domingo às seis horas e correm para fazer a Prova de Residência da USP. Ao chegar no local das provas, encontram milhares e milhares de concorrentes! Gente do Brasil inteiro, com malas, apostilas e muita vontade de passar.

Acaba a prova da USP, você pensa que estes médicos “exaustos” vão descansar? Bobagem, muitos deles vão pegar os carros ou vão de ônibus para Ribeirão Preto, mais de quatro horas de ônibus, para fazerem prova nesta segunda-feira, na USP de Ribeirão. Terminada a prova de Ribeirão vão descansar? Ainda não... Pegam o ônibus ou o carro e voltam para São Paulo para fazerem revisão no cursinho que os preparam para novas provas para quem passar para a segunda fase.

Segunda fase?
Sim, além das provas em forma de teste ou abertas, quem passar tem que fazer prova “prática”, devem enviar Currículo e ainda passar por entrevistas. Um verdadeiro inferno! E quantas vagas existem? Em média são 8 a 10 vagas por área. Quando aparecem...

Depois desta maratona toda, seis anos de faculdade, dois ou três anos de residência, com mais dois ou três complementares na especialização, é hora de os médicos ganharem dinheiro? Não é tão simples assim. Quer ver?

O Estado de São Paulo é conhecido como o estado mais rico do Brasil. O seu governador, que governa o estado há mais de dez anos, é médico e bom católico. Muito bom, assim ele vai valorizar os médicos e a saúde pública. Vejam quanta bondade!

No dia 11/11/11, dia da colação de grau dos alunos do Curso de Medicina da Unesp-Botucatu, no Estado de São Paulo, o jornal Estadão, no Caderno “Vida”, página A18, publicou a tabela dos NOVOS SALÁRIOS dos profissionais na área da Saúde no Estado de São Paulo:

Médicos – R$.l.826,64
Psicólogos – R$.l.l86,00
Fisioterapeuta – R$.l.l86,00
Enfermeiro – R$.l.369,00
Auxiliar de Enfermagem – R$.888,21
Dentista – R$.l.862,64
Nutricionista – R$.l.l86,00
O Vale-Refeição era de R$.4,00, o novo valor não estava definido na matéria. Refeição a R$4,00? Como fica a saúde pública? Se o estado de São Paulo é assim, como é a situação dos 27 Estados brasileiros?

Nós, os pais dos médicos recém-formados, fazemos tudo que for necessário para que nossos filhos façam uma boa especialização, uma boa residência e sejam médicos brilhantes, curando as pessoas e se realizando na vida. Mas, se for para ganhar este tipo de salário, jamais serão “servidores públicos”. Assim, não dá para ser feliz nem exigir seriedade do pessoal de saúde. Com a palavra os governadores, prefeitos, parlamentares e governo federal.

Além de apoiar nossos filhos e filhas, o que podemos fazer é “enviar umas flores de presente”, pequenas flores de Hortência. Frágeis, esforçadas, verdadeiras heroínas que brotam nos nossos jardins e trazem esperanças para as mães e os pais, que não medem sacrifícios nem telefonemas para acompanharem esta maratona da residência (ou da resistência dos médicos recém-formados).

Os jovens médicos são como estas flores, estudam em grupos, dez a doze horas por dia, moram em "repúblicas" ou sozinhos em pequenos apartamentos. Longe da família e dos amigos, criando novas amizades e novas famílias.

O curioso é que, como as flores, eles não são todos iguais, existem jovens de todos os tipos. Os tímidos, os alegres, os louros, os morenos e os japoneses. Os de perto e os mineiros e alguns de estados mais distantes como Maranhão e Amazonas.

São brasileiros cheios de esperanças e que precisam de apoio e estímulo para serem os Médicos do Brasil.

Um comentário:

  1. Arlindo Chinaglia, ex-presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo e ex-presidente da Câmara Federal.

    Seu companheiro de militância na CUT.

    Conversa com ele e vai descobrir outros segredos e contradições.

    Aproveita pra perguntar o que está sendo discutido no Congresso e desenvolvido pelo governo para responder às suas indagações nesta postagem.

    Tome um chá de camomila antes da conversa.

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