quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Vergonha Nacional

Imposto sindical na Constituição?

Um país que tem o Imposto Sindical como parte da sua Constituição, não deve ser chamado de país pleno de democracia. O Imposto Sindical e o Sistema S são heranças da Era Fascista de Vargas. A sustentação das entidades sindicais, sejam elas dos empresários ou dos trabalhadores, deve se dar através de Contribuições Voluntárias, como se faz com os partidos políticos, credos religiosos, entidades de lazer e congêneres.

O Sistema “S” também é sustentado através de impostos
e é gerido somente pelos empresários, com a cumplicidade dos governos. Não há participação dos trabalhadores. Mesmo no governo Lula, ele indicou alguns trabalhadores para a cúpula nacional de algumas instituições do Sistema “S”, mas isto não é a mesma coisa que regulamentar a gestão tripartite plena, entre empresários, trabalhadores e governo.

Precisamos avançar na consolidação da democracia brasileira
e evitar passar vergonhas como esta Audiência Pública que aconteceu em Brasília. Vejam a matéria abaixo:

“Empresários e sindicalistas unem-se na defesa do imposto sindical


VALOR ECONÔMICO - Política - SÃO PAULO - SP - 30/11/2011 - Pág. A7

Empresários e sindicalistas estão unidos na defesa do imposto sindical. Esta foi a tônica da primeira audiência pública sobre a possível substituição da contribuição sindical, que é compulsória, por uma taxa negocial, realizada ontem pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTTASP) da Câmara dos Deputados.
O encontro reuniu representantes das seis centrais sindicais e de três confederações de empresários. À exceção da Central Única dos Trabalhadores (CUT), todos foram enfáticos na defesa do modelo sindical como está hoje.

Segundo Adauto de Oliveira Duarte, diretor de relações trabalhistas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e também da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o fim do imposto sindical seria desastroso para sindicalistas e para empresários. A unicidade sindical, para os dois lados, é muito importante, ao definir os atores que sentarão à mesa de negociação, afirmou.

O deputado Laércio Oliveira (PR-SE), vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), também defendeu o imposto sindical. Tenho extremo orgulho do modelo atual, que permite a boa atuação dos sindicatos, e, do lado patronal, o excelente funcionamento do Sistema S, afirmou. Duarte e Oliveira foram efusivamente aplaudidos pelo auditório lotado de sindicalistas da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) - a única das seis cuja sede nacional fica em Brasília.

O presidente da NCST, José Calixto, criticou indiretamente a CUT e sindicatos como o dos metalúrgicos do ABC, filiado à CUT, que desde o início dos anos 90 devolve ao Ministério do Trabalho os recursos a que têm direito do imposto sindical. O fim da contribuição sindical desmantelaria todo o movimento sindical brasileiro, a exceção de alguns poucos sindicatos que conseguem viver sem, por meios que ninguém sabe entender como, afirmou Calixto.

O auditório na Câmara ficou quente quando o secretário-geral da CUT, Quintino Severo, abriu seu discurso. Nós [da CUT] somos contrários aos empresários e sindicalistas aqui presentes, uma vez que entendemos que o imposto sindical tem servido apenas para incentivar a criação de novos sindicatos, sem representação junto aos trabalhadores, disse Severo.

A audiência, segundo o deputado Sílvio Costa (PTB-PE), presidente da comissão e favorável à extinção do imposto, foi o primeiro passo para iniciar uma discussão real sobre os rumos do modelo sindical. Há quatro projetos de lei e três propostas de emenda à Constituição que tratam do imposto sindical tramitando na Câmara. (JV)”

O Brasil "on line"

O olhar no tempo...

O mundo atual é “on line”, plugado no celular e no computador, os carros têm TVs e ninguém consegue ficar um dia sem acessar algo. Começamos o dia sabendo como anda a bolsa do Japão, da Austrália e da China, e acabamos o dia vendo na TV o resumo do mundo. Tudo muito rápido, sem tempo para meditação e sem tempo para “não fazer nada”.

Até os jornais andam ficando iguais.
Nós assinamos a Folha de SP e o Estadão, e os dois estão ficando tão parecidos que, nestes últimos dois dias, até as fotos das capas são iguais. As manchetes são as mesmas, as matérias mudam de caderno ou de lugar na página do jornal, mas são quase iguais. E qual a diferença um do outro?

Um parece um professor jovem que fala de tudo superficialmente, é “fast food”, moderninho. Este é a Folha. O outro parece um professor mais velho, que fala profundamente sobre as coisas. É culto e escreve bem sobre os artistas e suas obras. Escreve bem sobre economia, dialogando com os empresários e governantes. É como se fosse o pai ou a mãe da gente. Este é o Estadão. Os dois são importantes e se complementam.

Mas, quando eles começam a se copiar, ficam iguais os pais velhos que querem freqüentar festas de crianças. Ou crianças que querem passar a noite na farra. Não combinam! É tudo culpa da internet. Jornal virou notícia requentada. Você já sabe tudo que vai sair publicado no outro dia. Então, por que ler jornais? Por que o jornal deveria ser mais analítico do que a internet. Esta sim, deve ser “fast food”. O jornal deve ser como um livro. Você folheia rapidamente e depois lê com tempo, com calma.

Se vocês observarem, o que eu mais faço é pegar matérias dos jornais e dar uma cara nova, fazendo uma introdução para contextualizá-las, dando um título mais atrativo e vinculando a outros assuntos que eu considere relevante.
Por exemplo, o Estadão saiu na frente e publicou a entrevista de Jim O’Neil, autor do termo BRIC e presidente da Goldman Sachs Asset Management. Hoje, quatro dias depois a Folha publicou o mesmo assunto, sem dar o mesmo destaque do Estadão.

O’Neil diz que o Brasil poderá ser desenvolvido já nos próximos 20 anos!
Eu acho que o Brasil fica moderno antes de 20 anos. Minha data para o Brasil é 2025. De onde eu tirei isto? De um olhar histórico e de projeção de gerações. Vamos pensar juntos?

Pense na geração dos anos 50 e 60.
Pouca escolaridade, pouco trabalho formal, vida rural e pouco urbana. Sem geladeira, fogão, chuveiro elétrico e televisão. Sem vida social organizada.
Agora pense na geração dos anos 70 e 80. Muita gente fazendo faculdade, empregos de qualidade e muitas oportunidades de negócios. Vida mais urbana que rural. Casas com geladeira, fogão a gás, chuveiro elétrico e televisão para quase todos. O Brasil passou a ter vida social ativa, com movimento estudantil, sindicatos fortes e partidos como ninguém nunca tinha visto antes. Era a democracia moderna chegando!

Dos anos 90 para cá, o Brasil é outro. Sem inflação, com eleições democráticas constantes, com imprensa patrulhando tudo, a economia crescendo e gerando emprego para a maioria da população economicamente ativa. O Brasil velho vai ficando para trás, mas a população mais velha vai aumentando assustadoramente. Já não somos um país de jovens!

Estamos em 2011 e para 2025 faltam apenas 14 anos. Temos tempo para sermos modernos? Se mantivermos o ritmo atual, sim. O que precisamos superar é a síndrome de “vira-lata”, é esta mania de querer levar vantagem em tudo e o salve-se quem puder. E aí a imprensa pode ajudar muito nisto. A ser uma imprensa cidadã. Já pensou?

A internet está sendo determinante nesta transformação.
Em qualquer lugar do Brasil as pessoas têm computadores e acesso à internet! Quando alguém faz ou fala alguma bobagem, imediatamente todo mundo fica sabendo. Lembram da bolinha de papel na cabeça do candidato? Caiu no ridículo! As pessoas já não ficam mais impunes. Podem não ser condenadas pelas nossas leis, que são velhas e nossa estrutura judiciária é viciada, mas quem erra paga. Nem que pague através das redes sociais e da internet.

E aí, o Brasil se transforma. Como o velhinho que mora no interior da Bahia e ficou encantado por que na roça que ele sempre viveu passou a ter “luz para todos” e ele podia ver a novela e assistir ao futebol. Passou a ser cidadão brasileiro!

Ah, este seu olhar...


Como você vê o Brasil?

O estrangeiro nos vê com otimismo, e você?

Vejam alguns destaques da entrevista de JIM O’NEILL, presidente da Goldman Sachs Asset Management, publicada no jornal O Estado de São Paulo de domingo, 27/11/2011.

"Brasil pode se tornar desenvolvido em 20 anos"

O Estado de São Paulo – 27nov2011 – Daniela Milanese – corresp. em Londres.

Entrevista - Jim O’Neill, presidente da Goldman Sachs Asset ManagementPara o economista criador dos Brics, Brasil, Rússia, Índia e China não podem mais ser considerados países emergentes.

Antes do fim desta década, um representante dos Brics ocupará a chefia do Fundo Monetário Internacional. Até 2020, o yuan e o real passarão a compor o Direito Especial de Saques (SDR, na sigla em inglês), "moeda" do FMI, ao lado do dólar, euro, iene e libra. O Brasil tem as maiores chances de se tornar um país desenvolvido, o que pode ocorrer em 20 anos.

Jim O'Neill continua sonhando com o futuro dos Brics. A história da criação do conceito, a evolução dos países e suas perspectivas estão no livro The Growth Map: Economic opportunity in the Brics and Beyond (O Mapa do crescimento: as oportunidades econômicas nos Brics e além), que terá lançamento global em 5 de dezembro e deverá ter versão em português em 2012.

Em entrevista exclusiva à Agência Estado, em Londres, ele mantém o tom sempre otimista e contemporizador. Admite que a grave crise da zona do euro afetará os Brics, mas acha que a China, longe de ser uma bolha prestes a estourar, tem capacidade de contrabalançar os problemas do velho continente.
Para ele, os Brics não têm coerência como grupo político, por serem países muitos diferentes. Porém, precisam fazer parte da governança global. O'Neill prevê que eles se tornarão parte de um novo grupo, um G-9, menor e mais efetivo do que o G-20, a ser formado também por Estados Unidos, Japão, zona do euro, Reino Unido e Canadá.

Fanático por futebol e torcedor do Manchester United, ele diz que estará no Brasil para a Copa de 2014 - afinal, esteve em todos os quatro últimos mundiais. A seguir, os principais trechos da entrevista:

O sr., em algum momento, imaginou que o conceito dos Brics se tornaria tão famoso?
Eu nunca imaginei, isso mudou minha vida profissional. É extraordinário.

Se pudesse voltar no tempo, teria feito alguma escolha diferente?
Nos três primeiros anos, eu pensei sobre o México. Mas, quando olho para trás, não me arrependo. Na época, a escolha do Brasil foi a mais controversa.

A inclusão do Brasil foi sua maior aposta. Arriscado, não?
(Risos) Foi muito arriscado. Pessoas no Brasil dizem isso ainda hoje. Mas, como eu já estava no mercado há muitos anos, eu sabia da importância das metas de inflação. Isso foi o que realmente me influenciou.

O sr. diz que a maior conquista do Brasil foi o controle da inflação. Algumas pessoas acreditam que o BC acaba de abandonar as metas de inflação. Como avalia?
Não acho que tenha abandonado. Mas não está tão independente como já foi. Talvez tenha apenas sido muito astuto quando olhou os problemas externos três meses atrás.

O sr. fala sobre o risco que a apreciação cambial traz ao País. Estamos vendo muita pressão no câmbio nos últimos dias com a crise europeia. Seria essa a reversão desordenada que o sr. teme?
A situação na Europa se tornou muito problemática nas últimas semanas, especialmente em relação à Europa. As autoridades europeias precisam ser mais decisivas, pois o mercado está muito nervoso. Falta confiança sobre as decisões políticas na Europa.

Essa turbulência pode afetar fortemente o real?
Já está afetando. A situação é muito frágil. Para ser honesto, muito vai depender da China. Se a China mostrar mais liderança, se a inflação lá cair e eles cortarem os juros e permitirem mais valorização da moeda, será muito importante para contrabalançar a crise na Europa.

O sr. diz que os Brics não podem mais ser chamados de mercados emergentes. Qual é a perspectiva para que se tornem países desenvolvidos?
Acho que o Brasil tem, provavelmente, a maior chance. Até o fim desta década, a renda per capita terá dobrado. A economia está hoje perto de US$ 2 trilhões e o PIB per capita, próximo de US$ 15 mil. Talvez até o fim desta década seja de US$ 30 mil. Em 20 anos, o Brasil pode se tornar um país desenvolvido.

O que ainda precisa ser feito no Brasil?
Mais investimentos do setor privado e inovação.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O tempo e as flores da nandina

Cinco meses e várias belezas

Estes últimos meses tenho acompanhado com mais dedicação dois assuntos: o primeiro é o processo de conclusão do curso de medicina de nossa filha e a maratona para tentar entrar na residência médica; o segundo é a situação econômica da Europa e Estados Unidos. Dois assuntos de dar insônia a qualquer um.

Mas, dentro do possível, eu procuro me alimentar com as flores e as plantas do nosso bairro. Enquanto não temos respostas de nenhuma das angústias acima, vamos também mostrar as flores, que ninguém é de ferro. São flores que vão e flores que vem. São flores que voltam e outras que surgem como novidades. Só quem presta atenção é capaz de perceber isto.

Vejam esta sequência de flores da Nandina.
Em cinco meses elas deram várias oportunidades para tirar ótimas fotos.

Vejam esta foto com as flores abertas. Elas são de 18 de novembro.



Vejam a nandina ainda em botões. A foto é de 09 de novembro.





Vejam esta foto de julho. Os frutos da nandina com uma flor de “pata de vaca” que caiu da árvore da vizinha.






Finalmente, vejam estes frutos da nandina, depois de meses com flores, surgem estes frutos que também duram meses. E ficam ainda mais bonitos quando tomam banho de chuva. A foto é de outubro passado.


Se a gente precisa saber lidar com o tempo das flores da nandina, precisamos também aprender a lidar com o tempo das provas para residência médica e com o tempo da economia brasileira e internacional. Enquanto Dilma precisa olhar “para o rato e para o gato”, nós precisamos olhar também para as flores e as plantas.

Dilma de olho na crise econômica

Um olho no rato e outro no gato

A política é importante, mas a economia é fundamental. Este é o princípio básico do governo Dilma, como foi no governo Lula. Se a economia estiver sobre controle, com inflação baixa, desemprego baixo, salários em crescimento, aposentados satisfeitos, trabalhadores rurais produzindo e vendo seus produtos valorizados, por mais que os partidos políticos e a imprensa deem trabalho, pode chover canivetes que a avaliação do governo fica positiva. E, se souber fazer uma boa campanha, não perde eleições.

Este é um princípio universal. O povo não tem ideologia, o povo tem necessidades. Dilma, que tem uma boa formação econômica, sabe ser dura na administração pública e sabe que a sua firmeza na relação com os políticos tem contribuído para estabilizar o país.

Vejam um bom exemplo de como Dilma trabalha. Um olho na economia brasileira e outro olho na economia internacional. É um olho no rato e outro olho no gato...

“No iPad de Dilma, dois boletins diários da crise
Presidente segue de perto a economia e convoca Mantega para reuniões

27 de novembro de 2011 – Vera Rosa/Brasilia - O Estado de S.Paulo
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,no-ipad-de-dilma-dois-boletins-diarios-da-crise,803538,0.htm

Preocupada com o impacto da crise mundial no Brasil, a presidente Dilma Rousseff lê todo dia, religiosamente, dois boletins econômicos: um de manhã e outro à tarde. Os papers são preparados pelo Ministério da Fazenda e contêm dados sobre câmbio, taxa de juros, preço de commodities e risco país. Dilma recebe as análises por e-mail criptografado e acompanha os cenários em seu iPad.

Nessas ocasiões, não é raro ela passar a mão no telefone e cobrar mais detalhes do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Vira e mexe "Guidinho", como é chamado pela presidente, tem de correr ao Palácio do Planalto para reuniões não agendadas.
Depois de cruzar informações de todos os cantos, Dilma chegou a uma conclusão: os primeiros três meses de 2012 vão caminhar "devagar". A partir do segundo trimestre, porém, a economia brasileira começará a reagir, na esteira do aumento do salário mínimo, do corte de juros e das desonerações de impostos para setores estratégicos. A equipe econômica estima que, mesmo com o abalo internacional, o crescimento pode chegar a 4,5% ou até 5%, no ano que vem, se houver investimento privado.

É isso o que Dilma tem dito em conversas reservadas com empresários,
como Josué Gomes da Silva, da Coteminas; Benjamin Steinbruch, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), e Jorge Gerdau, coordenador da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade do governo. Banqueiros do porte de Roberto Setúbal, do Itaú Unibanco, também integram o time de interlocutores da presidente.
Embora tenha estilo diferente, Dilma mantém alguns hábitos do antecessor e padrinho político Luiz Inácio Lula da Silva. Gosta, por exemplo, de ouvir economistas de fora do governo, como Otaviano Canuto, vice-presidente do Banco Mundial para Redução da Pobreza e Gerenciamento Econômico, Delfim Netto e Luiz Gonzaga Belluzzo.

"A locomotiva do governo Dilma é a economia,
já que as crises políticas são uma constante. Sob nenhuma hipótese ela vai deixar isso fazer água", resumiu um auxiliar da presidente.

Para enfrentar a turbulência, Dilma decidiu fortalecer a economia doméstica e turbinar os investimentos. Ela está convencida de que os juros podem cair até chegar a 9% ao ano, por volta de maio de 2012. Atualmente, ela tem três obsessões: acelerar o crescimento, fazer a inflação convergir para 4,5%, que é o centro da meta, e monitorar a taxa de câmbio.

O governo trabalha com um cenário pessimista para a economia mundial no ano que vem. Não é só: acredita que problemas políticos na Europa e nos EUA podem agravar o quadro, com consequências a longo prazo. Apesar das incertezas, Dilma avalia que já tomou as medidas necessárias para amortecer os efeitos da crise, ao menos por enquanto. A questão, agora, é apenas de calibragem.

Depois da queda de seis ministros - cinco dos quais sob suspeita de corrupção - e com uma reforma da equipe prevista para o início de 2012, a presidente faz de tudo para mostrar que o Brasil pode escapar da crise sem sobressaltos.”

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Algo errado na Medicina

Maratona de provas para residência médica

Alguma coisa está errada com a Medicina no Brasil. Historicamente é o curso mais concorrido, dura seis anos de dedicação exclusiva e os cursos particulares custam uma verdadeira fortuna. Tem curso que custa mais de cinco mil reais por mês. Concluído o curso a felicidade bate na porta? Ledo engano! Aí começa outra maratona, que é um verdadeiro inferno.

Por exemplo, neste sábado à tarde houve prova de residência para a Unesp Botucatu. Os médicos (já que não são mais estudantes de medicina) nem descansam e já pegam a estrada para São Paulo. São 240 km debaixo de uma chuva torrencial perigosíssima e cheia de pedágios. Acordam no domingo às seis horas e correm para fazer a Prova de Residência da USP. Ao chegar no local das provas, encontram milhares e milhares de concorrentes! Gente do Brasil inteiro, com malas, apostilas e muita vontade de passar.

Acaba a prova da USP, você pensa que estes médicos “exaustos” vão descansar? Bobagem, muitos deles vão pegar os carros ou vão de ônibus para Ribeirão Preto, mais de quatro horas de ônibus, para fazerem prova nesta segunda-feira, na USP de Ribeirão. Terminada a prova de Ribeirão vão descansar? Ainda não... Pegam o ônibus ou o carro e voltam para São Paulo para fazerem revisão no cursinho que os preparam para novas provas para quem passar para a segunda fase.

Segunda fase?
Sim, além das provas em forma de teste ou abertas, quem passar tem que fazer prova “prática”, devem enviar Currículo e ainda passar por entrevistas. Um verdadeiro inferno! E quantas vagas existem? Em média são 8 a 10 vagas por área. Quando aparecem...

Depois desta maratona toda, seis anos de faculdade, dois ou três anos de residência, com mais dois ou três complementares na especialização, é hora de os médicos ganharem dinheiro? Não é tão simples assim. Quer ver?

O Estado de São Paulo é conhecido como o estado mais rico do Brasil. O seu governador, que governa o estado há mais de dez anos, é médico e bom católico. Muito bom, assim ele vai valorizar os médicos e a saúde pública. Vejam quanta bondade!

No dia 11/11/11, dia da colação de grau dos alunos do Curso de Medicina da Unesp-Botucatu, no Estado de São Paulo, o jornal Estadão, no Caderno “Vida”, página A18, publicou a tabela dos NOVOS SALÁRIOS dos profissionais na área da Saúde no Estado de São Paulo:

Médicos – R$.l.826,64
Psicólogos – R$.l.l86,00
Fisioterapeuta – R$.l.l86,00
Enfermeiro – R$.l.369,00
Auxiliar de Enfermagem – R$.888,21
Dentista – R$.l.862,64
Nutricionista – R$.l.l86,00
O Vale-Refeição era de R$.4,00, o novo valor não estava definido na matéria. Refeição a R$4,00? Como fica a saúde pública? Se o estado de São Paulo é assim, como é a situação dos 27 Estados brasileiros?

Nós, os pais dos médicos recém-formados, fazemos tudo que for necessário para que nossos filhos façam uma boa especialização, uma boa residência e sejam médicos brilhantes, curando as pessoas e se realizando na vida. Mas, se for para ganhar este tipo de salário, jamais serão “servidores públicos”. Assim, não dá para ser feliz nem exigir seriedade do pessoal de saúde. Com a palavra os governadores, prefeitos, parlamentares e governo federal.

Além de apoiar nossos filhos e filhas, o que podemos fazer é “enviar umas flores de presente”, pequenas flores de Hortência. Frágeis, esforçadas, verdadeiras heroínas que brotam nos nossos jardins e trazem esperanças para as mães e os pais, que não medem sacrifícios nem telefonemas para acompanharem esta maratona da residência (ou da resistência dos médicos recém-formados).

Os jovens médicos são como estas flores, estudam em grupos, dez a doze horas por dia, moram em "repúblicas" ou sozinhos em pequenos apartamentos. Longe da família e dos amigos, criando novas amizades e novas famílias.

O curioso é que, como as flores, eles não são todos iguais, existem jovens de todos os tipos. Os tímidos, os alegres, os louros, os morenos e os japoneses. Os de perto e os mineiros e alguns de estados mais distantes como Maranhão e Amazonas.

São brasileiros cheios de esperanças e que precisam de apoio e estímulo para serem os Médicos do Brasil.

O Renascimento passa por Paris

Mas não passa por Sarkozy

Ontem reproduzi o texto de Gilles Lapouge sobre a França Libertária de Danielle Gouze Miterrand. O jornal Estadão publicou uma boa matéria sobre as exposições atuais em Paris, que eu reproduzi em duas partes. Coincidentemente, ao passar na Livraria da Vila, minha esposa comprou uma revista e um livro. Fomo viajar para Botucatu e durante a viagem ela foi lendo o livro em voz alta de Bety Milan: “Paris não acaba nunca”. Foram duas viagens...

Uma forma gostosa de olhar Paris e aprender um pouco da sua história. Um bom livro e com um bom preço para se dar de presente no final do ano. Já a revista, é mais erudita, chama-se Serrote e é publicada pelo Instituto Moreira Salles, do pessoal do Unibanco. No final da revista, o que tinha? Vários depoimentos com o título de: “Paris vista por...”. Um deles é de Julio Cortazar que vou tentar reproduzir outro dia. Muito bom de ler.

Logo, Paris está na moda. Provavelmente o filme de Wood Allen deve ter estimulado esta “nova onda” sobre Paris. Mas, na verdade, Paris nunca saiu da moda. Era um problema de acesso econômico. Todos que juntam dinheiro sonham em ir a Nova York, Roma, Londres, mas sem deixar de ver primeiro Paris.

Todos os dias aparecem nos jornais e televisão uma dupla de políticos, Sarkozy e Angela Merckel da Alemanha. Eles não falam da beleza de Paris ou da riqueza cultural de Berlim. Eles só falam de economia, de arrocho salarial, de recessão e de mudar governos para colocarem técnicos a serviços dos bancos. Berlim é muito mais bonita do que isto. E Paris, ah, Paris não precisa de propaganda. Paris é sempre um objeto de desejo.

Eu pensei em homenagear Danielle Gouze Miterrand com a música que lembra a maior transformação que a humanidade já passou. Mas ontem eu só tinha tempo para cuidar das provas de residência da filha. É uma prova para residência na medicina e uma verdadeira prova de resistência. As mulheres têm mais capacidade e resistência que os homens. Tanto nos estudos como na política.

Hoje, com mais tempo, eu pude buscar o hino da libertação dos povos, o hino da Cidadania. Uma homenagem aos que não cederam ao neoliberalismo. Em 2012 a França terá eleições presidenciais, e o renascimento passará por Paris. Mas não passa por Sarkozy. O povo francês homenageará Danielle Gouze Miterrand e todas as mulheres que lutaram pela liberdade, igualdade e fraternidade.

La Marseillaise

domingo, 27 de novembro de 2011

A França Libertária

Danielle Gouze Miterrand

Os jovens não a conhecem, mas nossa geração, que viveu sob ditaduras e a guerra fria, sabe a importância e o simbolismo que esta mulher teve para os jovens da época. Militante da resistência francesa contra a ocupação nazista e depois esposa do presidente socialista da França, François Miterrand.

Danielle Gouze manteve sua ideologia e seu compromisso com a Liberdade, a Fraternidade e a Igualdade.
Era um símbolo da França Libertária.


Gilles Lapouge, como sempre, fez um bom artigo sobre ela. Vale como sugestão de leitura para este domingo de sol e de lembranças.

O lirismo político de Danielle
Gilles Lapouge - O Estado de S.Paulo - 27 de novembro de 2011
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-lirismo-politico-de-danielle-,803478,0.htm

Danielle Gouze não assumiu o título de primeira-dama da França, que tanto agrada a outras mulheres. Ela era a mulher de François Mitterrand, presidente de 1981 a 1995, e bastava. Se ela conheceu o luxo do Palácio do Eliseu, se sua vida esteve ligada à do presidente, ela continuou sendo uma "mulher livre". Uma "pedra no sapato" de Mitterrand, pois as ações que realizava raramente coincidiam com as maquinações do marido.
O encontro deles foi romântico. Fim da 2.ª Guerra. Mitterrand é um homem belo, culto, sedutor e complicado. Em 1940, ele está ao lado do marechal Philippe Pétain. Compreende seus equívocos. Mais tarde, alia-se à Resistência Francesa e assume riscos. Escapa por milagre da Gestapo.

Danielle pertence a uma família de "resistentes". Seu pai, diretor de escola, foi punido por se recusar a fornecer uma lista de alunos judeus, exigida por Pétain. François fica fascinado pelos "olhos felinos" da bela jovem, sua inteligência, sua audácia.
O casamento foi realizado em 28 de outubro de 1944. Durante a festa, Mitterrand recebe uma mensagem, é convocado para uma reunião da Resistência. Danielle escapa com o marido, ainda vestida de noiva. No dia seguinte, ela completa 20 anos.
E sua vida começa com uma "fera" da política. Mitterrand é um homem sensível às mulheres. Seria caso de divórcio. Ele recusa. Danielle é sua mulher diante de Deus. Ela, que não conhece muito o bom Deus, é fiel. Encontram uma solução. A partir de 1960, o casal permanece unido, mas cada um vive sua vida do seu lado. Mitterrand é um grande sedutor. Danielle tem algumas relações.
Mais tarde, François Mitterrand tem um caso com Anne Pingot e da relação nasce uma filha, Mazarine, em 1974. Sem escândalo. Em silêncio.
Segredo. Desgosto. No funeral de Mitterrand, em 1995, Danielle está ao lado dos dois filhos que teve com o marido. Entre os dois, uma jovem, Mazarine, filha de Mitterrand e Anne Pingot. A França, petrificada, observa. Danielle abraça Mazarine.

Na política, a mesma partilha. François é presidente. Danielle é sua mulher, mas ela faz o que lhe dá na cabeça. E sua cabeça é efervescente. Certamente, ambos são de esquerda, mas a esquerda de Danielle é mais vermelha do que a de François. É escarlate, púrpura, carmim, roxa, rubi. No caso dele, prevalece a "realpolitik". Para Danielle, é o coração, o lirismo político.
Danielle é uma "indignada". Salta de pés juntos e de olhos fechados em todos os combates. Um elefante numa loja de porcelana. Coloca em frangalhos as habilidades diplomáticas de François, que tem de reunir os pedaços. Jamais se opôs à mulher. De um lado, não conseguiria. De outro, tirou benefícios e conseguiu não ser censurado pela esquerda, a mesma que tantas vezes foi colocada em apuros pelas ações de Mitterrand no Eliseu.

Os choques foram inúmeros. Com China, Argélia, Chile, Marrocos. "Terceiro-mundista", adepta dos movimentos antiglobalização, Danielle abraça todas as causas que considera justas. Suas lutas marcam a história do século 20: apartheid, liberalismo, colonialismo, pena de morte, aids, alfabetização, Bangladesh. Ela luta a favor dos ameríndios, tibetanos, dos ilegais, defende Fidel Castro, o subcomandante Marcos. Entre os oprimidos e os maltratados, tem alguns prediletos, como os curdos. E até o seu último dia de vida (ela morreu aos 87 anos), lutou pelo acesso dessas regiões à água potável.

Essa foi Danielle. Podemos detestar alguns de seus combates (Fidel Castro, por exemplo), mas ninguém, mesmo à direita, contesta sua coragem, sua pureza. Em um mundo político hipócrita, prudente, embusteiro, covarde e conformista, ela passou como uma chama.
Primeira-dama da França ela nunca foi. No entanto, entre todas as primeiras-damas, foi a menos esquecida. Nem a mulher de Charles de Gaulle deixou uma marca tão forte. Sem falar em Giscard D'Estaing, um diminutivo sem graça do marido aristocrata.

De todas essas mulheres, Carla Bruni também fascina. As razões, porém, não são as mesmas. Carla é a beleza absoluta. Danielle foi a generosidade sem fim. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO - É CORRESPONDENTE EM PARIS

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Índia, que país é este?

Há uma mística sobre a Índia

Estou há vários dias ouvindo no carro um disco que eu trouxe de Bangladesh, mas que é com músicas de filmes indianos. O nome do disco é “Old songs never die” e os cantores são “Pyar Hua Iqrar Hua”. Creio que sejam um homem e uma mulher. Não consegui identificar o disco no youtube, mas achei outro documentário sobre músicas de filmes indianos.

Eu queria reproduzir algumas músicas do disco por que há várias melodias que parecem músicas japonesas, outras parecem músicas do Oriente Médio, outras lembram a Espanha e outras lembram músicas da Idade Média. Nós, brasileiros, não conhecemos quase nada da Índia. Nossos livros de História não abordam o lado ativo da Índia, ela só aparece como referência para as navegações e depois como colônia inglesa. Acontece que a História da humanidade passou pela Índia, principalmente a parte norte do país.

Para minha tristeza, ontem à noite, não me lembro em qual canal de TV, estava passando um documentário sobre um lugar da Índia que o sexo feminino é visto como maldição. Crianças do sexo feminino são abandonadas, ficam fora da escola, comem depois dos meninos e, quando moças, muitas eram queimadas, por não terem dinheiro para pagar o dote. Fiquei tão assustado que mudamos imediatamente de canal. Nunca tinha visto tanta brutalidade. Ainda mais num país tão religioso. Hoje, Joel Bueno resolveu falar da violência contra as mulheres. Casos chocantes que acontecem no Brasil. Também são agressões a quem vê as fotos ou lê as histórias.

Mas a Índia é, como eles dizem, “a maior democracia do mundo”, já que lá tem eleições “livres” há muitos anos. Destaquei a palavra livre por que não acredito em liberdade com muita miséria e analfabetismo. Apesar de que a Índia tem mais doutores e mestres do que o Brasil e sua classe média é maior do que a população do Brasil inteira. Mas, falta um choque de modernidade para todos.

Vejam o video e ouça as músicas, quem sabe a gente seja estimulado a conhecer mais este país de mais de dez mil anos de história. Muitas histórias...

Romantic Hindi Classics - Part 137 - Indian Cinema - 1949 To 1980



Please note that my selection of these "Romantic Songs" are based ONLY on the melody, since I do not know the languages, Hindi and Urdu. Some of these songs may not be THAT romantic but they are HAPPY songs, according to the melody and picturisation, I believe! Thank you. - Yuan.

Song No. 1 - Lata Mangeshkar - O Mere Pyar Aaja - Bhoot Bangla [1965]
Song No. 2 - Talat Mahmood & Shamshad Begum - Milte Hi Ankhen Dil Hua - Babul [1950]
Song No. 3 - Mohammed Rafi & Lata Mangeshkar - Jhoole Mein Pawan Ki Aayi Bahar - Baiju Bawra [1952]
Song No. 4 - Mohammed Rafi - Chupnewale Saamne Aa - Tumsa Nahin Dekha [1957]
Song No. 5 - Mohammed Rafi & Asha Bhosle - Kitni Haseen Ho Tum - Yeh Dil Kisko Doon [1963]

The film takes a theatrical form, largely attributed to the set of the film and script. Cinematographer Fali Mistry contributes much to the film with atmospheric lighting, especially during night scenes and is able to create an essence of darkness in the hill top mansion which adds to an element of suspense.
A soundtrack of fifteen songs, mostly about the joys and pains of love in the film is closely connected to the dialogue. The best known song in the film Chod babul ka ghar (literally meaning Now you must leave your fathers house), is performed when a newly-married girl departs from her maternal home and village. ......................
"Baiju Bawra" is a 1952 Indian Hindi movie. Made in the Hindi language and directed by Vijay Bhatt, it stars Bharat Bhushan and Meena Kumari.
The plot centered around music, so it was a necessity that the movie's soundtrack be outstanding. Renowned Bollywood music director Naushad and lyricist Shakeel Badayuni created memorable scores for the movie, all songs being based on Hindustani classical melodies --ragas.
Esteemed playback singers Mohammad Rafi, Lata Mangeshkar, and Shamshad Begum, and renowned classical vocalists Amir Khan and D. V. Paluskar lent their voices to the scores.
The result was a critically acclaimed movie soundtrack. Famous songs from the movie include Tu Ganga Ki Mouj, Mohe Bhool Gaye Sanwariya, Man Tarpat Hari Darshan Ko Aaj, Aaj Gaawat Man Mero, O Duniya Ke Rakhwale, and Jhoole Mein Pawan Ki Aayi Bahar..............
"Tumsa Nahin Dekha" is a 1957 film produced by Sashadhar Mukherjee for Filmistan- the breakaway studio formed by some old Bombay Talkies hands like Sashadhar.
The film marked Nasir Hussain 's evolution into a director. He had written films like Munimjee and Paying Guest. This film he wrote and directed.
Ironically, the films huge success at the box office, made the then, struggling Shammi Kapoor, an overnight sensation instead.
This was the film where he developed his own individual look and youthful style and was his first light hearted musical and its success helped in him moving to acting in this genre.
The film also stars the popular villain and character actor Pran and Ameeta.
Its music is by O.P. Nayyar. This song's lyrics is by Majrooh Sultanpuri..........
"Yeh Dil Kisko Doon" [1963] is an Indian Hindi film directed by K. Misra. Starring Shashi Kapoor, Jeevan, Anwar, Sajjan, Agha, Kumar, Asit Sen, Kamal Mehra, Ragini and Jayshree.Music is by Iqbal Qureshi. Lyrics by Qamar Jalalabadi..................... [Wikipedia & IMDb]

Jardineiro Anônimo

Onde era terra, agora são flores

No final da Rua Isabel de Castela há um pequeno triângulo, separando o fluxo dos carros entre as três vias. Este triângulo era abandonado, com pouca grama e mal cuidado pela prefeitura. De repente alguém começou a transformar aquele pequeno espaço entre os carros, num pequeno jardim. Não dá para saber se é patrocínio de alguma empresa ou se é um voluntário, já que não existe nenhuma placa. A tradição é que, quando é patrocínio, a placa é maior do que o benefício...


Além de cuidar das flores, o “Jardineiro Anônimo” colocou também uma estrutura com uma gaiola vazia, mas com uma parte externa onde ele fixa frutas como maçãs e bananas para os pássaros comerem. Assim, quando as pessoas passam de carro, além de verem muitas flores, podem também ver pássaros como sabiás e periquitos comendo na gaiola com portas abertas.


Como vocês podem ver, graças a este voluntário anônimo, a paisagem foi mudada para melhor. Um dia, ao passar para ir fazer feira, vi um senhor de idade cuidando das plantas. Fiquei com vontade de parar para conversar com ele, mas tinha que fazer a feira.

Hoje o sol amanheceu mais cedo e os pássaros também. Quando fomos tomar café, ouvimos os gritos dos periquitos que estavam no telhado da nossa casa. Era hora também da mãe dar comida ao filhote. Quando fomos ler os jornais, o sabiá andava no nosso jardim atrás das minhocas. Era hora de alimentar o seu filhote. Quando abri a porta da rua para vir trabalhar, um filhote de rolinha estava em nossa árvore, sacudindo as asas e pedindo comida para a mãe.

Na primavera os pássaros cantavam e se amavam. Agora é hora de cuidar dos filhotes já crescidos. A árvore da vizinha, conhecida como “pata de vaca”, que deu lindas flores, agora está cheia de vagens que pipocam soltando sementes que os pássaros comem. Sejam os periquitos, os pombos ou sabiás.


Nosso pé de jabuticaba está com as frutas maduras, onde os pássaros vão bicá-los para saborear os frutos e jogar as sementes no chão. Sem contar as milhares de pitangas que estão nas ruas da Vila Madalena.

Por falar em voluntários, amanhã, a partir das 10:00h, na Praça Vicentina, o pessoal dos cartazes estará fazendo uma atividade e conhecendo novas pessoas. Apesar da especulação imobiliária,ainda há esperanças!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Paris e os Pesadelos da Modernidade

Os museus refletem a História

Vejam esta segunda parte da matéria de Antonio Gonçalves Filho, publicada no jornal O Estado de São Paulo de hoje, no Caderno 2. O senhor caderno de Arte.

Antonio Gonçalves Filho - Enviado Especial / Paris - O Estado de S.Paulo
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,quatro-mostras-em-paris-tracam-o-percurso-da-arte-moderna,802323,0.htm

Ele fala de Arte, mas também está falando da História da Europa, da boa História.

“Há uma correspondência curiosa entre o simbolismo de Munch - na realidade, um pré-expressionista - e as perturbadoras fotos de Diane Arbus. Ambos tentaram, cada um a seu modo, captar a complexidade de seus contemporâneos, atormentados eles mesmos pelo pesadelo da modernidade - o da angústia, da depressão e solidão. Predomina em Munch uma composição teatral, até mesmo porque sua obra dialoga com a dramaturgia de Ibsen (para quem desenhou cenários), como se vê na cena acima (na tela Sur la Table d'Opération, 1902-1903), em que o pintor se retrata sobre uma mesa de cirurgia, observado por dezenas de curiosos. Foi nesse mesmo ano, em Berlim, que Munch feriu-se num acidente com um revólver e começou a fotografar, aproveitando as deformações de sua Kodak de amador para acentuar o aspecto cênico desses retratos que tanta semelhança têm com os das frágeis criaturas fotografadas por Arbus (andróginos, artistas da noite, pessoas com perturbação mental). Tanto em Munch como em Arbus, no entanto, importa menos o cenário do que a presença física desses seres que a sociedade expurgou.

Numa outra direção moveu-se Picasso. A coleção Gertrud Stein comprova sua adesão voluntária ao mundo dos ricos que, de alguma forma, tinham certo poder sobre artistas que, como ele, buscavam a legitimação crítica desses expatriados americanos que, ao visitar o Salão de Outono, em 1905, descobriram a pintura de seu contemporâneo Matisse (com La Femme au Chapeau). Ele, Picasso e Cézanne formam o trio dos favoritos dos irmãos Stein. São, de fato, os principais autores dessa extraordinária coleção, formada na época em que Paris era a capital das artes e da vanguarda europeia, atraindo não só milionários como grandes escritores americanos (Hemingway e cia.).

O projeto ambicioso de reunir na mesma cidade onde foram comprados todos os quadros da família Stein exigiu anos de negociação. Hoje espalhadas pelos principais museus do mundo (inclusive o Masp, dono de um Toulouse-Lautrec emprestado para a mostra, Au Salon: le divan, 1893-1894), as obras da coleção constituem uma aula da evolução da pintura moderna, do pós-impressionista Gauguin (que Leo, o irmão da escritora Gertrud Stein, adorava) ao cubismo inicial de Picasso (fase que ele detestava). Esses nomes revelam igualmente o papel fundamental que tiveram mecenas esclarecidos no advento de movimentos importantes além do cubismo. A família Stein, que inicialmente se impressionou com as cores de fauvistas (Matisse e companhia), apoiaram os surrealistas de primeira hora (como André Masson e Man Ray).

Faltaram os expressionistas, mas isso se explica pela situação política. Com o avanço do nazi-fascismo na Europa, Gertrud Stein fechou o apartamento parisiense e só voltaria com o fim a guerra, em 1945. Quem quiser conhecer as obras-primas desse período deve visitar a exposição Expressionismus & Expressionismi. A França da vanguarda cubista passou à margem desse movimento de grupos como o Die Brücke (A Ponte) ou Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), o que faz da mostra passagem obrigatória para entender o que veio depois de Matisse, Picasso e Cézanne.

A exposição dos expressionistas alemães, com 150 obras de artistas como Kandinski, Emil Nolde, Ernst Kirchner, Max Pechstein, Auguste Macke e Erich Heckel, serve sobretudo para mostrar que não havia uma convergência de linguagens entre eles. Enquanto Macke é contemplativo e sinuoso, Kirchner opta por temas fortes (seus personagens são angustiados, como ele). Os artistas do Die Brücke (Erich Heckel, por exemplo), abusam das formas angulosas e cores saturadas, agressivas, para traduzir a aspereza da condição humana, enquanto os representantes do Der Blaue Reiter (Macke, Gabriele Münter) usam linhas curvas e cores etéreas. Em ambos os casos, porém, o resultado é um só: excepcional."

Quando for trabalhar em outras cidades, guarde um tempo para visitar os Museus e Salas de Concertos. Faz bem à vida e à alma!

Paris da Crise e Paris das Artes

Apesar da crise, é Paris

O jornal O Estado de São Paulo tem correspondentes na Europa, como Jamil Chade, que tem feito boas matérias sobre a crise econômica e financeira que está derrubando os governos europeus como pedras de dominós. Além de pessoas que cuidam da política e da economia, há também “enviados especiais”, como Antonio Gonçalves Filho, que, além de trabalhar, tem o prazer de unir o útil ao agradável e fazer uma reportagem de causar inveja.

Falar da crise da França, e do papel desempenhado pelo seu presidente, Sarkozy, é uma coisa, mas ter tempo para falar da Paris Cultural é simplesmente um sonho de qualquer ser humano. Hoje o jornal concentra-se mais uma vez na crise européia, que chega cada vez mais perto da França e da Alemanha. Mas o Caderno 2, apesar de matar a capa com uma propaganda de Haras, apresenta uma contracapa que poderia ser a matéria principal da capa do caderno. Veríssimo e Paris. Não precisa de mais nada.

Vejam esta primeira parte da matéria.

“Quatro mostras em Paris traçam o percurso da arte moderna

De Munch a Nolde, temporada parisiense de exposições cobre os principais movimentos da vanguarda europeia do fim do século 19 a meados do 20
24 de novembro de 2011 | 3h 09
Antonio Gonçalves Filho - Enviado Especial / Paris - O Estado de S.Paulo

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,quatro-mostras-em-paris-tracam-o-percurso-da-arte-moderna,802323,0.htm

Do norueguês Edvard Munch, precursor do expressionismo, aos expoentes alemães dessa escola, passando pelos pós-impressionistas e cubistas, a temporada parisiense de exposições cobre os principais movimentos da vanguarda europeia do fim do século 19 a meados do 20. Curiosamente, os curadores dessas mostras não tiveram a intenção de traçar um mapa cronológico da história da arte moderna. É apenas uma coincidência feliz, em especial para o turista que viaja a Paris nesta época do ano: ele pode começar seu percurso pela retrospectiva de Munch no Centre Pompidou (Beaubourg), passar pela exposição Cézanne et Paris no Museu de Luxemburgo, visitar a coleção de Gertrud Stein no Grand Palais - onde estão alguns dos melhores quadros de Cézanne, Picasso e Matisse -, concluindo o itinerário na Pinacothèque de Paris, que expõe os expressionistas dos movimentos Die Brücke e Der Blaue Reiter. São quatro entre oito mostras fundamentais que ocupam Paris até os primeiros meses do próximo ano.

Reprodução
'Sur la Table dOpération': predomina em Munch a composição teatral

As outras, embora não digam respeito ao período anteriormente citado, são igualmente fascinantes. O Museu Jacquemart André abriga uma concorrida exposição com pinturas de Fra Angelico (1395-1455), expoente da fase inicial do Renascimento italiano, todas de uma modernidade chocante (retire as figuras de cena e você terá telas de Brice Marden diante dos olhos). Na Pinacothèque de Paris, além de uma ousada mostra que confronta peças de Giacometti com a antiga escultura etrusca, há também uma exposição da coleção Kramer, que tem obras raras dos mestres holandeses antigos, entre eles Rembrandt, Frans Hals e Pieter de Hooch.

Finalmente, no Jeu de Paume, a retrospectiva da fotógrafa norte-americana Diane Arbus (1923-1971) reúne duas centenas de imagens icônicas de sua breve - mas marcante - carreira.”

Ainda é possível amar Paris.
Aí você passa a entender o que sentiram pessoas como Cole Porte e Ella Fitzgerald: “I Love Paris”.

Dez milhões de discos de Marisa Monte?

Marisa Monte na China, Coréia, Japão

Eu vim trabalhar ouvindo um disco comprado em Bangladesh, com músicas da Índia. Pretendo divulgar algumas músicas do disco, mas é tudo tão complicado que preciso de mais tempo para montar o texto e a diagramação. Lembrei-me que tinha visto algo sobre Marisa Monte no Estadão de hoje. Ela também já andou pela Ásia e gosta de música universal.

Para nós, mais velhos, Marisa Monte foi uma grande novidade. Já passou um tempo, fomos vê-la no Parque Ibirapuera, depois numa grande casa de show na Marginal Pinheiros e sempre ouvindo seus discos e lendo suas entrevistas. Ela é mais do que uma cantora, ela é uma criadora cultural!

Depois de ler as tragédias econômicas da Europa, a violência física no Oriente Médio, a petroleira desculpar-se por sujar o mar do Rio de Janeiro, que o ministro continua no cargo e que os tucanos de São Paulo continuam discutindo se vão ser vice de Kassab ou não na prefeitura, achei, lá no pé de página do Caderno 2 do Estadão esta matéria sobre Marisa Monte.

Como o jornal não é muito lido a nível de Brasil, e nosso blog é acessado por gente desde o Amapá até a fronteira gaúcha, sem contar os acessos internacionais, achei por bem divulgar este bom texto de Roberta Pennafort.

“O que você quer saber de Marisa Monte

Estadão - Quinta, 24 de Novembro de 2011, ROBERTA PENNAFORT / RIO

Marisa Monte avisa que está "morrendo de vontade de ir para o palco" e cantar as músicas de seu recém-lançado CD, O Que Você Quer Saber de Verdade. Os fãs, em casa, festejam. Na noite de terça-feira, ela reuniu centenas deles na frente do computador para uma conversa com som e imagem, como no Skype, graças à conexão pelo Hangout, ferramenta do Google+ (o número total de internautas não foi divulgado, mas é possível se ter uma ideia pelo número de comentários em seu perfil).

Pela primeira vez na carreira, Marisa está centrando todo o esquema de divulgação do CD na internet - da divulgação de faixas à interação com a imprensa. Na terça, a cantora falou da sede do Google na Faria Lima.

O Hangout não havia sido usado no Brasil até então. Em outubro, participaram o dalai-lama e Desmond Tutu; em setembro, o convidado fora will.i.am. A conversa com Marisa começou às 20 horas e durou 45 minutos.

Seis pessoas que "chegaram" primeiro - membros de fãs-clubes a quem ela escolheu, já conhecidos de contatos prévios pela rede, e pessoas que ganharam um concurso promovido em seu site - puderam fazer perguntas; quem acessou depois pôde acompanhar e mandar perguntas que seriam lidas pela mediadora, a apresentadora Marina Person. Mas elas não chegaram a ser feitas, por falta de tempo. Problemas com microfones dos fãs atrapalharam um pouco, mas a transmissão foi, em geral, ágil. A impressão que ficou é a de que o formato ainda pode ser aperfeiçoado.

Marisa, cuja última turnê faz quatro anos, e chegou até à China, Coreia do Sul e Japão, pode começar a próxima ainda no primeiro semestre de 2012. "Devemos começar a ensaiar em março. Já estamos montando equipe, fazendo reuniões. Mas com calma, porque vocês sabem que eu sou calma. As pessoas terão mais intimidade com o repertório", disse.

Quando foi confrontada com o boato de que encerraria a carreira em breve, ela explicou que foi mal interpretada quando disse que O Que Você Quer... poderia ser seu último CD. "Um jornal publicou isso, mas eu estava me referindo à obrigação de fazer esse formato físico. Acho que no futuro a gente vai fazer de outras maneiras. Esta semana eu vi o Sting dizer que vai lançar só EP (formato com menos músicas do que um CD)", contou a cantora, que vendeu dez milhões de discos desde MM, de 1989, a Universo ao Meu Redor e Infinito Particular, ambos de 2006.

A discreta Marisa também respondeu a perguntas mais pessoais, sobre a fama e a vida entre os mais próximos, mas, seguindo sua linha low profile, preferiu não se expor muito.”

E, aproveitando que Marisa Monte também gosta de “negão” e de “música de raiz”, mostro aqui esta boa gravação da música de Cartola, “ensaboa”. Fica também uma homenagem a Joel Bueno, que mostrou uma boa série de textos, em homenagem ao dia da consciência negra. Dois artistas num Rio de Janeiro que a gente gosta.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Quem vai pagar a conta?

Crises, medos e incertezas

A Europa está num grande impasse. O desemprego é grande, as propostas de cortes de benefícios e de orçamentos são apresentadas pelos “técnicos” como condições para “equilibrar os orçamentos”, os governantes políticos “são demitidos” e substituídos por “tecnocratas”, frios e calculistas... Os Estados Unidos patinam em números pessimistas, mesmo o Banco Central americano ligando a máquina de imprimir dinheiro para distribuir pelo mundo, provocando desequilíbrio cambial.

O Oriente Médio sangra diariamente, com os governos matando pessoas nas ruas e praças, ou facções matando facções, em nome de Alá. O continente africano tenta se organizar, convivendo com massacres étnicos e falta de estruturas e de políticas públicas básicas para a população. A imprensa começa a falar que a China vai desacelerar, provocando inflação interna e desemprego. O que, conforme a imprensa, também já está acontecendo com o Brasil, refletindo nos demais países da América do Sul.

Para onde o mundo caminha?
Alguns teóricos estão falando em esgotamento de sistema capitalista. Outros falam que o capitalismo não está esgotado, mas que precisa ser atualizado. Outros também dizem que é necessário construir um novo sistema. O que sabemos é que as crises geram medos e incertezas. E que as sociedades, por natureza, são defensivas. Na dúvida, abrem mão de certos direitos e benefícios, para terem segurança. Seja segurança de vida (contra mortes violentas), seja segurança de que haverá comida, moradia, escolas, transporte e saúde.

Na medida que a população mais velha aumenta, a preservação das aposentadorias torna-se fundamental. Os jovens precisam trabalhar e o direito a migrarem em busca de trabalho, de estudos ou de lazer torna-se algo também relevante para a perspectiva de vida individual e coletiva. Em qualquer época, o emprego é fundamental. Emprego produtivo, é claro.

O Brasil não está sofrendo tanto com a economia, mas há uma sensação geral de impunidade que incomoda a todos. No início os culpados eram somente os políticos, depois apareceram os assaltos, furtos, invasões de prédios e casas, seqüestros, atropelamentos, bêbados e corruptos em geral. Agora, a corrupção aparece também no judiciário. Onde vamos parar?

Ontem, enquanto assistia ao filme “O discurso do rei”, ficava impactado ao ver o sofrimento individual de uma pessoa que sofria com sua gagueira, e a angústia de um povo que via o inimigo crescer em sua volta e saber que, mais cedo ou mais tarde, teria que ir à guerra mais uma vez. O clima do filme é todo entre as seqüelas da I Guerra Mundial e o início da II Grande Guerra. O gago viveu sua guerra individual e foi curado com a ajuda de “um terapeuta formado na primeira grande guerra”. Já o povo teve que viver uma guerra muito mais intensa do que “uma gagueira”. Foram milhões de mortos e sequelas que ainda estão presentes.

Como gosto de História, dormi pensando que a Inglaterra ganhou a guerra contra a Alemanha, mas perdeu a hegemonia sobre o mundo. E a Alemanha que perdeu as duas guerras, hoje está ditando as regras para esta Europa combalida. Confesso que fiquei ainda mais preocupado com o que estamos vivendo.

Como romper este círculo vicioso?
No filme, o gago se impressiona com a oratória de Hitler. Mas a oratória não foi suficiente para ganhar a guerra, e o gago venceu sua segunda disputa. Ao ler nos jornais de que “alguém precisa pagar a conta” e que quem mais está pagando é o povo e não os banqueiros, fico com a sensação de que “precisamos achar um gago” para aglutinar os povos, e pensar qual deve ser o sistema econômico para o século XXI. Como equilibrar políticas públicas e economia de mercado?

Isto vale também para o Brasil.
Quando li nos jornais de sábado passado, dia 19, que uma empresária atropelou e matou um pedestre, que um metalúrgico teve sua moto roubada e foi obrigado a correr em plena Marginal Pinheiro, sendo atropelado por dois carros, que o judiciário está sob suspeita, que o metrô de são Paulo está sob suspeita, que o ministro do trabalho está sob suspeita, fico pensando: É tão difícil fazer um pacto de governabilidade e de respeito às regras?

E aí me lembro de outro filme, este mais antigo. No filme Spartacus, o senado romano ficou refém da esperteza de um general inescrupuloso que só aceitou combater Spartacus quando os senadores deram-lhe direito de ser Ditador. Qual é o limite para a Europa e para os Estados Unidos? Qual é a responsabilidade do Brasil neste momento. Qual é o papel da imprensa, dos políticos, dos empresários, dos sindicalistas e dos intelectuais? Que filme estamos fazendo?

Pitangas da Rua Isabel de Castela

Apesar dos prédios e do trânsito

A Rua Isabel de Castela começa na Rua Natingui e acaba na rua que tem a Igreja Nossa Senhora Aparecida da Vila Beatriz. Para quem não sabe, Beatriz era irmã de Madalena e de Ida, filhas de portugueses que tinham uma chácara na região. Ao urbanizar o pedaço, virou três bairros: Vila Madalena, a mais famosa, Vila Beatriz e Vila Ida.

A Igreja ainda aglutina os moradores mais antigos, principalmente os portugueses e seus descendentes, como a família proprietária da Padaria Leão Coroado, que fica ao lado da Igreja. Coisas bonitas da história da nossa cidade. Embora São Paulo tenha muito influência dos italianos, os portugueses estão presentes em muitas regiões. E a bandeira da Portuguesa, time de futebol, voltou a aparecer nestas localidades.

A Rua Isabel de Castela está ficando cheia de prédios, mas, existem ainda algumas casas e, em frente a uma destas casas, existe um pé de Pitanga. Um dos heróis da resistência.

Vejam que fotos bonitas:

O pé de Pitangas cheio de frutas.


As frutas em destaque.


A variação de cores.

Por ser uma rua que liga o fluxo de carros que vem da Praça Panamericana para a Vila Madalena, o barulho, a poluição e o movimento acabam afetando também as plantas e a qualidade das frutas. Mas, faz parte da luta pela sobrevivência.


No final da Rua Isabel de Castela há um pequeno canteiro, um triângulo, que era mal cuidado, mas apareceu um “voluntário anônimo” e transformou este pequeno canteiro num jardim muito especial. Mas isto fica para outra história e outras fotos.

Ainda é possível tornar nossa cidade mais agradável. Como dizia Betinho, se fizermos nossa parte, os pássaros continuarão em nossas ruas e casas.
E teremos muitas histórias para contar.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

USA - “Decifra-me ou te devoro”

“Alguma coisa está fora da ordem”

Está todo mundo olhando para a Europa, mas “o ovo da serpente” está nos Estados Unidos. Por ser o país com a maior economia do mundo e não um continente com 27 países filiados e mais outra dezena participando da União Européia ou fora dela, os Estados Unidos têm tudo para ver a crise crescer e perder o controle.

Não há no governo atual
e não há perspectiva de aparecer em curto prazo um novo Roosevelt para impedir o “default”, como os economistas gostam de falar. Parece aqueles filmes de bang-bang, quando a carruagem vai em alta velocidade para o precipício e os passageiros gritam desesperados esperando por um “mocinho”.

O ideal é que este “mocinho” apareça, seja como uma pessoa ou como um coletivo. A incerteza e o descontrole não costumam gerar bons filhos... A revista alemã, Der Spiegel, mais uma vez, apresenta um bom texto.

“A segunda idade do ouro
Mark Twain criou a expressão em período em que 'brilho exterior' disfarçava a realidade do cidadão comum.
Terça, 21 de Novembro de 2011, 03h04 – O Estado de S. Paulo - Economia
THOMAS SCHULTZ , DER SPIEGEL, / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Inicialmente, os cidadãos "indignados" do movimento "Ocupe Wall Street", de Nova York, eram ridicularizados. Afirmava-se que não tinham nenhuma chance, e eram considerados incapazes de desafiar seus oponentes, os banqueiros de Wall Street, intelectualmente ou em termos de conhecimento da economia.
"Nós somos os 99%" - é o slogan dos manifestantes, que surpreendentemente resumem o ponto central da economia dos Estados Unidos. Na realidade, eles deram forma a um processo que vinha se desenrolando no país ao longo de décadas, numa evolução que acadêmicos e especialistas tentaram analisar em livros e ensaios. Trata-se de um processo tão profundo e revolucionário que abalou a nação mais poderosa do mundo.

A desigualdade existente nos Estados Unidos é a maior em quase um século. Os afortunados que pertencem ao 1% restante constituem a classe dos super-ricos; os outros 99% estão no outro no lado oposto. Mas mesmo num país que sempre aceitou extremos como parte da sua identidade, o abismo acabou se tornando profundo demais. Nos Estados Unidos, os bem-sucedidos são aclamados. Ter ciúme da riqueza dos outros é considerada uma atitude típica de quem defende a luta de classes, algo malvisto aqui.
No entanto, as estatísticas indicam que a crescente disparidade se tornou realmente esmagadora. De fato, os 400 americanos mais ricos agora detêm muito mais do que os 150 milhões de americanos das classes mais baixas possuem em conjunto.

Cerca de dois terços dos bens privados estão nas mãos de 5% dos americanos. Em comparação, os 5% da classe mais alta na Alemanha detêm menos da metade dos bens. Em 2009, enquanto os EUA eram abalados por demissões em massa, o número de milionários cresceu.
Na realidade, se olharmos os relatórios que a agência compila em cada país, a CIA concluiu que a disparidade da riqueza é maior nos Estados Unidos do que na Tunísia ou no Egito.

'Idade do ouro'. Em livro publicado em 2010, os cientistas políticos americanos Jacob Hacker e Paul Pierson afirmam que esta "hiperconcentração de ganhos econômicos no topo" da pirâmide social já existia nos EUA no início do século 20, quando os magnatas da indústria - como John D. Rockefeller, Andrew Carnegie e J.P. Morgan - dominavam a classe mais alta da sociedade e já detinham o controle do país.

O escritor Mark Twain cunhou a expressão "Idade do Ouro" para descrever aquele período de rápido crescimento, época em que o exterior resplandecente da vida americana na realidade ocultava o desemprego em massa e a pobreza.
Economistas e cientistas políticos acreditam que os EUA ingressaram mais uma vez numa Idade do Ouro, período de desigualdade sistemática dominado por uma nova classe de super-ricos. A diferença é que, desta vez, os super-ricos são gerentes de fundos e magnatas financeiros, e não barões industriais.

Ameaça. Acadêmicos temem que este mudança possa ter graves consequências para o futuro do país. Esta desigualdade ameaça frear drasticamente o crescimento da maior economia mundial. Especialistas argumentam que este é um processo que se desenrola há anos, mas permaneceu oculto nos anos do crédito fácil, da alta dos preços dos imóveis e do consumo excessivo. Os problemas só vieram à luz com a chegada da crise financeira.
Durante a década de 70, a renda dos americanos de todas as classes sociais cresceu a uma média anual de cerca de 3%. Entretanto, no início da década de 80, esta tendência sofreu uma transformação crucial. Não se pode negar que a economia continuou crescendo, mas quase exclusivamente em benefício dos mais ricos. A grande expansão econômica no governo de Ronald Reagan beneficiou apenas alguns, e os problemas se agravaram na administração de George W. Bush.

Pelo menos desde o início do milênio, o processo de polarização da sociedade americana está se acelerando. Nos anos do crescimento econômico, entre 2002 e 2007, 65% dos ganhos da renda foram para as mãos dos contribuintes pertencentes ao 1% da faixa mais elevada.

Limite. Mesmo se tratando de um país que ama extremos, esta é uma evolução sem precedentes. Na realidade, como afirmam Hacker e Pierson, os EUA evoluíram para uma "economia dos que ganham e levam tudo".
Os cientistas políticos analisaram as estatísticas e alguns estudos sobre a evolução da renda e outros dados econômicos. A conclusão: "Uma geração atrás, os EUA eram um membro reconhecível, embora mais desigual, do grupo de democracias afluentes conhecidas como economias mistas, onde a expansão era em grande parte compartilhada. Isto já não ocorre hoje. Desde os anos 80, nos aproximamos de outro: o das oligarquias capitalistas, como Brasil, México e Rússia."

Este 1% da sociedade americana agora controla mais da metade das ações e títulos do país. Tome-se como exemplo os salários dos executivos. Em 1980, os CEOs americanos ganhavam 42 vezes mais do que o funcionário médio. Hoje, esta cifra subiu às alturas, e chega a mais de 300 vezes. Para comparar, os executivos das 30 maiores companhias do índice DAX da Bolsa alemã raramente ganham mais de 100 vezes os salários dos seus funcionários - em geral, a proporção é de 30 a 40 vezes.

Escolhas políticas. Hacker e Pierson não são os únicos a reconhecer uma distorção fundamental. Larry Bartels, um dos principais cientistas políticos dos país, também acredita que os Estados Unidos ingressaram numa nova Idade do Ouro. O livro que Bartels publicou em 2008 sobre o tema - Unequal Democracy: The Political Economy of the New Gilded Age - vem despertando grande interesse e foi até citado por Barack Obama. "Os ganhos econômicos realmente dos últimos 30 anos concentraram-se entre os extremamente ricos", escreve Bartels.

Ele considera essa realidade "o resultado de escolhas políticas". Como Bertels explica, os chefões de Wall Street de hoje conseguiram uma ampla desregulamentação em seus setores. O ex-CEO do Citigroup Sanford Weill guardava uma caneta emoldurada em seu escritório como o símbolo da sua influência. Era a caneta usada pelo presidente Bill Clinton em 1999 para sancionar - por pressão de Weill - a revogação da Lei Glass-Steagall de 1933, que separava as transações de bancos de investimento e bancos comerciais.

Ao mesmo tempo, escreve Bartels, os ricos recebiam enormes benefícios fiscais no valor de centenas de bilhões de dólares. Na década de 70, sobre os ganhos de capital incidia um imposto de 40%, e a faixa de renda mais elevada pagava impostos de até 70%.
No governo de George W. Bush, estes impostos caíram para 15% e 35% respectivamente. Por exemplo, há poucas semanas ficamos sabendo que, no ano passado, o lendário investidor Warren Buffett ganhou US$ 63 milhões, mas pagou apenas 17% de impostos. “

As flores estão presentes

Apesar das construtoras

Vi nos jornais de hoje que começam a aparecer movimentos em defesa das plantas, das flores e dos frutos nos bairros onde o metrô está chegando. É o movimento em defesa dos quintais e jardins das casas, contra a ganância das construtoras e a omissão dos poderes públicos. Já destruíram a Avenida Paulista, o Itaim, os Jardins e agora estão destruindo a Vila Sônia, a Vila Romana, a Pompéia e tudo que tenha casas que podem ser compradas para construírem prédios enormes e cheios de cimentos.

Nossa Vila Madalena também está sendo destruída impunemente.
As jabuticabeiras, as pitangueiras, as mangueiras, os abacateiros e tantas outras plantas estão sendo derrubadas para dar lugar a prédios e escritórios de luxo. Alto luxo. E os moradores tradicionais estão sendo obrigados a irem morar em bairros mais distantes.

Mas ainda há resistentes! Ainda há esperança!

No dia 4 de Setembro deste ano eu descobri algumas pequenas flores, lindíssimas, no meio dos pés de mariazinhas e das pedras do nosso pequeno jardim. Tirei várias fotos e mostrei em algumas edições, em contraponto à loucura das construtoras. Eu não sabia o nome daquelas flores. Só sabia que elas eram bonitas.


- Flores e pedras

Outro dia, ao visitar um amigo na Parada Inglesa, do outro lado da cidade, na entrada do prédio onde ele mora tem um grande jardim e no meio de um tipo único de plantinha, apareciam algumas flores iguais. Somente as flores, sem folhas para identificar a planta. Tirei mais fotos. Chamei estas pequenas flores de flor silvestre por nascerem sem ser plantada.


Flores em jardins

Nesta manhã, quando me preparava para vir trabalhar, ao abrir a porta da rua, voltei-me para a porta de vidro que dá para o corredor do nosso jardim e vi várias destas pequenas flores num lugar onde não tinha nenhuma outra planta para confundi-las. Não tinha dúvida, eram flores de TREVO. Isto mesmo, esta pequena plantinha que é o trevo, que nasce no meio dos jardins, sem ninguém plantar, dá umas pequenas flores muito especiais e bonitas.


Flores de TREVO!

Da mesma forma que as Romãs sobreviveram aos fenícios, aos romanos, as ingleses, aos portugueses e aos americanos, as flores sobreviverão às construtoras e às más administrações públicas.

Mesmo que tenham que brotar das pedras...

E ao entrar no carro e ligar o rádio, ouvi os acordes de Baden Powell tocando “Manhã de Carnaval”, numa versão mais bonita do que esta que consegui para vocês.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Globalização da Natureza

Romãs do Parque Villa Lobos

Hoje já falei da capacidade de Fernanda Montenegro, já falei da Faxina da Folha de São Paulo e, no fim de semana, falei da China. A China nua dos artistas e a China poderosa, que se recuperou da humilhação da ocupação britânica. Enfim, que a globalização é inevitável.

Mas a globalização tem também outras coisas interessantes:
- Vamos falar das flores e frutos!
Neste domingo, ao ir caminhar no Parque Villa Lobos, ao passar pelo Parque dos Idosos (que fica em frente ao Villa Lobos), que também é o Parque dos Cachorros (no bom sentido, é claro), vi um pé de Romã em flores e frutos. Como sempre, parei para tirar umas fotos.


O curioso é que em todo Brasil nós encontramos pés de romãs.
E no Ano Novo as pessoas fazem questão de ter frutas de romãs em casa. Dizem que é para dar sorte no ano que chega.


Nossa cidade de São Paulo é assim, você encontra pés de romãs nas sacadas dos prédios, nos jardins das casas, nos quintais, nas praças e nas ruas.

Com certeza, a grande maioria da população desconhece que esta planta não é brasileira, ela foi trazida pelos europeus que a descobriram na costa da África durante o Império Romano.

Mas a romã não é originária da África, ela é natural da Pérsia, que atualmente é o Irã. Foram os fenícios que distribuíram os pés de romãs por todo o Mediterrâneo antigo. Esta planta é como bombril, tem mil e uma utilidades.

A vida é assim, a gente usufrui de tanta coisa boa, mesmo sem saber de onde ela vem. Você já tem um pé de romã? O final do ano está chegando e vamos precisar de muita sorte.

O nosso pé de romã fica perto do pé de Jabuticaba, que além de jabuticabas, tem três casulos se preparando para virarem belas borboletas.

Faxina Lá e Cá

Não dá para esconder

A imprensa lançou a campanha da “Faxina no Governo Dilma”
e vem impondo uma dinâmica de manter “o governo nas cordas”, mostrando a fragilidade na governabilidade pública. Os corruptos antigos, como conhecem a máquina governamental, sabem identificar as fragilidades do governo de ampla coalizão partidária.

Acontece que esta cultura de “governar de forma inescrupulosa” para manter maioria legislativa, judiciária e na imprensa, não é um problema federal. É uma herança da ditadura militar e da República Velha, que a redemocratização e a Constituinte não resolveram. Conciliaram com a hegemonia conservadora.

Como o Estado de São Paulo foi o principal beneficiário do regime militar, também foi o mais resistente à passar o país a limpo e à democratização das instituições públicas em todos os níveis. Na maioria das vezes, quando São Paulo quer, o Brasil se curva.

Agora a Folha de São Paulo tem feito uma campanha mostrando a fragilidade no Judiciário e um alguns problemas na gestão do Estado de São Paulo. Não sei se a Folha defende Serra ou Alckmin, mas está cobrando providência dos tucanos sobre vários temas importantes como segurança,transporte, educação e saúde. Além dos cuidados na administração do “caixa dois” com empreiteiras.

Lenta e gradualmente, a democracia vai chegando aos governos estaduais e, mais devagar ainda, aos governos municipais. No final do processo, poderá chegar ao Judiciário. O brasileiro tem como uma das suas características a paciência e a tolerância. Mas, aos poucos a institucionalização da democracia, da cidadania e da equidade social fará parte dos nossos direitos na prática, e não apenas como discurso.

E todos nós nos importaremos com os moradores de rua, com os atropelados, com os analfabetos e abandonados nos hospitais públicos, não apenas como manipulação política. Yes, we can!

Vinícius Mota hoje fez um bom texto na Folha, que serve para todos.

“Sim, ele se importa
Vinicius Mota – Folha S. Paulo – 21/11/2011. Pág. 2 vinimota@uol.com.br

SÃO PAULO - Parece irritado o governador Geraldo Alckmin com a decisão da juíza Simone Casoretti, que na sexta suspendeu contratos da linha 5 do metrô paulistano e afastou o presidente da empresa. O tucano classificou a ordem judicial de "absoluta irresponsabilidade" e prometeu dela recorrer ainda hoje.

Ricardo Feltrin, da Folha, soube em abril de 2010 os resultados da licitação da linha 5, que só seriam divulgados oficialmente seis meses depois. Documentou-os em vídeo e cartório e esperou. Em outubro, quando o governo abriu os envelopes, batata: lote por lote, estavam lá as empresas vencedoras conforme antecipado.

A concorrência, aberta na gestão José Serra, foi finalizada quando seu vice, Alberto Goldman, completava o mandato. Ficou para Alckmin, empossado em janeiro, a decisão de validar ou anular a licitação.

Começou um jogo bruto de construtoras a fim de intimidar o governo e a reportagem deste jornal. Empreiteiras contrataram peritos para colocar em dúvida a publicação.Incapazes de atestar qualquer trapaça, formularam argumentações laterais, como a de que existem meios técnicos de fraudar uma gravação em vídeo como aquela, de modo a simular que havia sido feita no passado.

Lançaram questionamentos genéricos e imprecisos para lembrar ao governo que, anulada a licitação, partiriam para cima na Justiça, cobrando indenizações fabulosas. A pressão deu certo, e Alckmin validou a concorrência. Evitou contencioso com empreiteiras, mas expôs-se a uma duríssima refrega, que apenas se inicia, com o Ministério Público.

Haveria, portanto, risco à sequência das obras fosse qual fosse a decisão do governador. A questão era definir a causa e o adversário.
Opção A: anular uma licitação sobre a qual pesa indício veemente de conluio e enfrentar as empreiteiras. Opção B: validar tudo e desafiar o interesse público.
Alckmin escolheu seu lado. "Yes, he cares."

Fernanda Montenegro é o Novo

Viver sem tempos mortos

Neste sábado, dia 19, fomos assistir à apresentação de Fernanda Montenegro, “Viver sem tempos mortos”. O teatro estava lotado, gente de todos os tipos e idades. De repente apagam-se as luzes e aparece aquela senhora, sozinha, o maior silêncio. Fernanda e uma cadeira. As Fernandas são poderosas, não precisam nada mais do que uma cadeira, para dar o seu recado.

Durante uma hora o público ouve em silêncio, interrompido por uma ou outra tosse, mas todos parecem que estão rezando ou ouvindo uma lição de alguém muito especial. É a voz de uma senhora da idade de nossas mães, falando de sonhos, de liberdade sexual, da primeira relação sexual e dos conflitos sociais de uma época que ainda está presente. É a voz de Fernanda Montenegro.

Se o espetáculo dura somente uma hora, o pessoal poderia gravar em DVD e CD para ser vendido neste final de ano. A Globo, se for esperta, apresenta como “Programa Especial de Fim de Ano” e fatura na audiência. É um documentário muito bonito e sensível. Só quem vê pode ter idéia do que eu estou falando. Ao sair do teatro, parecia que eu estava ouvindo a voz de Elis Regina naquela música: “Como nossos pais.......”

Recuperei o texto que saiu no Estado de S. Paulo do dia 6 de outubro passado e aproveitei a maior parte dele. Vale a pena ler para complementar as informações.

“Passaram-se dois anos desde a estreia de Viver Sem Tempos Mortos, encenada no Rio e em São Paulo. "Não parece muito tempo, mas me sinto bem diferente: apanhei bastante", conta Fernanda Montenegro, voz embargada, lembrando do aumento no número de amigos queridos que se foram com a morte de Ítalo Rossi, em agosto. "Antes, foram o Fernando (Torres), Guarnieri e tantos outros."

A atriz, no entanto, firma-se no presente. Próxima dos 82 anos (completa no dia 16), Fernanda mantém uma agenda recheada de atividades: rodou um curta-metragem inspirado em A Falecida, de Nelson Rodrigues, prepara-se para embarcar na viagem de Ana Carolina e, no teatro, concentra-se nas palavras de Simone de Beauvoir.

"Li O Segundo Sexo, uma das grandes obras dela, quando estava com 19 anos e, desde então, descubro um novo detalhe a cada releitura", comenta. "Galina Ulanova, grande bailarina russa, decidiu, certa vez, que não mais faria nenhuma outra coreografia a não ser Romeu e Julieta. Durante 18 anos, ela só dançou essa peça e sempre percebia algo novo. Isso acontece comigo e com qualquer ator: ao entrar em cena, jamais somos o mesmo da noite anterior."

Quando inicia Viver Sem Tempos Mortos, Fernanda passa a limitar os movimentos para concentrar na fala a narração de uma série de reflexões sobre a vida e a obra de Simone de Beauvoir. "O que importa é a mensagem, não a atuação. Se eu dissesse qualquer uma das frases dela combinando com um acender de cigarro ou um andar pela sala, muita coisa se perderia."

Assim, o espectador vai desfrutar do poder de uma atriz no pleno exercício de um atuação: vestida de forma discreta ("Assim como era Simone"), ela praticamente não se movimenta, modulando a voz para que as ideias de Simone se espalhem pela sala.

Nascida em Paris em 1908, Simone de Beauvoir dedicou-se sempre à leitura pois, desajeitada, não tinha sucesso com atividades esportivas. Estudou matemática e literatura até ingressar no curso de filosofia na Sorbonne. Lá, conheceu outros jovens intelectuais, como Maurice Merleau-Ponty, René Maheu e Jean-Paul Sartre. Em 1929, Simone tornou-se a mais jovem a obter o Agrégation na filosofia, e a nona mulher a obter este grau. No exame final, ficou em segundo lugar - Sartre, 24 anos, foi o primeiro (ele havia sido reprovado no seu primeiro exame).

Logo, Simone se uniu estreitamente ao filósofo e a seu grupo, criando uma relação aberta, a ponto de permitir compatibilizar liberdades individuais com vida em conjunto. Isso também influenciou sua obra - no primeiro romance, A Convidada (1943), explorou os dilemas existencialistas da liberdade, da ação e da responsabilidade individual.

Já os ensaios críticos de O Segundo Sexo (1949) trazem uma profunda análise sobre o papel das mulheres na sociedade. "A vida deles ainda é espantosa, especialmente porque ainda hoje se discutem os mesmos valores de homem e mulher", comenta Fernanda Montenegro. "Sem o trabalho de Simone e de Sartre, provavelmente não teria existido a contracultura ou até mesmo Woodstock. Talvez nem mesmo movimentos de recuo, como o surgimento dos yuppies nos anos 1980, homens tão fechados em si mesmos." / U.B. Estado de S. Paulo - Sexta, 06 de Outubro de 2011, - UBIRATAN BRASIL.”

domingo, 20 de novembro de 2011

O Mundo tem medo da China?

A Europa mendigando à China?

Vejam que boa matéria divulgada pela BBC de Londres.

“De cómo Occidente se volvió el sirviente de China
Ian Morris, historiador, Universidad de Stanford - Para la BBC – 20/11/2011
http://www.bbc.co.uk/mundo/noticias/2011/11/111115_china_occidente_economia.shtml

En octubre de 1911, China se sublevó en la Revolución de Xinhai. Cuatro meses después, su último emperador había caído y los financieros europeos se abalanzaron a Pekín, ansiosos por financiar la nueva y quebrada república.

En octubre de 2011, otro financiero europeo fue a Pekín. Pero Klaus Reging, director del Fondo Europeo de Estabilidad Financiera, no fue a prestarle dinero a China. Fue a que le prestaran, a pedirle a China que salvara a Europa del desastre económico.

En apenas un siglo, China ha pasado de ser un caso perdido desde el punto de vista económico a ser el banquero del mundo, y Europa ha hecho el mismo viaje en la dirección opuesta.

Es uno de los mayores reveses de la historia. ¿Cómo ocurrió? Y, más importante, ¿qué significa? El giro es parte de una historia mucho más larga.

Un mundo cada vez más pequeño

La riqueza de Europa igualó a la de China en 1800 y luego la sobrepasó. Ahora, la historia se repite al revés. Empieza alrededor de 1600, cuando China era la nación más rica del planeta y los europeos, deseosos de comerciar con China, estaban construyendo nuevos tipos de barcos.

Durante miles de años, el Océano Atlántico había sido una barrera que separaba a Europa del resto del mundo, pero las nuevas naves europeas "encogieron" el mar, tornándolo en una carretera comercial. Para 1700, los recursos de América eran el combustible del lanzamiento europeo.

En 1800, la riqueza de Europa ya era tan grande como la de China, y los procesos de cambio continuaron funcionando. Para 1900, los barcos de vapor habían hecho que el Atlántico fuera aún más pequeño, mientras que los ferrocarriles y el telégrafo se habían tragado las vastas praderas americanas. Y, a medida que eso pasaba, Estados Unidos empezó a sacar a Europa del peldaño superior de la escalera económica.

Para 2000, barcos de carga, aviones e internet habían encogido el mundo aún más, y el Pacífico también se convirtió en una carretera comercial. Eso impulsó a Asia oriental hacia la economía global y primero Japón, luego los Tigres Asiáticos y ahora China subieron la escalera para quedar justo abajo de Estados Unidos y Europa. Todavía le falta mucho por escalar. El británico o estadounidense promedio gana 10 veces más que el chino promedio. Pero China está avanzando.

Así que, ¿por qué le va a prestar China dinero a Europa en 2011?
Probablemente por las mismas razones que Europa le prestó a China en 1911: para mantener a sus mercados estables.La Unión Europea es uno de los socios comerciales más grandes de China y Pekín necesita que los europeos puedan comprar sus productos.
Pero cuando los europeos le prestaron a China en 1911, consiguieron más que un mercado estable. También ganaron un grado de control cada vez mayor de la economía china y, a través de ello, sobre su política.

Los lídereres europeos no tuvieron otra opción que pedirle dinero a China.


Desde la época de la antigua Roma, de hecho, los poderes nacientes han dependido tanto de las finanzas como de las armas para dominar a sus rivales.
¿Significa eso que Europa se suicidó al mandar a Regling a Pekín? Nuevamente, podemos aprender mucho si revisamos lo que pasó hace 100 años.
En 2011, solemos leer en los diarios que China es un gigante económico corrupto y burdo, que está manipulando su moneda y los mercados para ponerse a la altura de Occidente. En 1911, los diarios británicos acusaban de lo mismo a Estados Unidos.Y tenían razón. En cuestión de 50 años, EE.UU. había conquistado los mercados mundiales y los imperios europeos ya no existían.

Un desastre para Europa... ¿o quizás no?
En 2011, el europeo promedio vive 30 años más que en 1911 y gana cinco veces más dinero. Europa es más libre de lo que era en 1911 y no ha tenido una guerra grande en 66 años. A fin de cuentas, el perder su supremacía y convertirse en dependiente del capital estadounidense fue un buen negocio para la Europa del siglo XX.

"Pereza y desidia"

¿Resultará la dependencia en capital chino en el siglo XXI igual de conveniente?
Quizás recibir préstamos de China no es la mejor alternativa.
Nadie sabe, pero no parece muy prometedor. Recientemente, Jin Liqun, el jefe de la junta supervisora del fondo soberano chino le dijo a la cadena de TV al-Jazeera que Pekín sólo le debe prestar a Europa si la Unión Europea se transforma.
"Si uno examina los problemas que aquejan a los países europeos, son puramente resultado de los problemas acumulados de una sociedad de bienestar gastada. Las leyes laborales inducen a la pereza y desidia más que al trabajo duro".
Vivir bajo la hegemonía económica china probablemente será más difícil para Europa que bajo la estadounidense.

Entonces, ¿qué debe hacer? Volver a revisar la historia ofrece una respuesta.

Hace 150 años, más o menos en 1861, China y Japón colapsaron cuando los barcos de guerra occidentales y sus financieros se impusieron en Asia oriental. Ni China ni Japón podían haber hecho nada para frenar el aumento de la riqueza y el poder de Occidente. No obstante, la manera en la que reaccionaron ante tal acontecimiento marcó la diferencia entre el triunfo y la tragedia.
Los gobernantes chinos pidieron muchos préstamos del extranjero, despilfarraron el capital y cayeron en la dependencia. Los gobernantes japoneses compraron tiempo, recaudaron cantidades enormes de capital local y financiaron una revolución industrial nativa. Para 1911, Japón era una gran potencia y China era el país pobre de Asía.

Un siglo y medio más tarde, la UE enfrenta las mismas alternativas. No hay nada que pueda hacer para frenar la emersión de la riqueza y el poder oriental: en 100 años Asia será el centro neurálgico de la economía mundial, pero cómo reacciona es muy importante.

Europa debe elegir el camino de Japón. Tomará trillones de euros contener la crisis y será inmensamente doloroso. Pero la alternativa de hipotecar el futuro de Europa con préstamos chinos puede ser peor.”

sábado, 19 de novembro de 2011

Nudez, Política e Música

A contestação ganha novos impactos

Quem gosta de filmes chineses, com belas mulheres e boa música, fica chocado com a foto divulgada nos jornais de hoje. Tanto na Folha como no Estado de São Paulo. São sinais dos tempos também na China.

Mesmo sendo o maior poderio econômico no mundo de hoje, a China precisa modernizar-se também política e culturalmente a nível internacional. Os impérios fechados podem ser forte mas se não ganharem os corações dos povos, não se consolidam internacionalmente.

Por considerar impactante a iniciativa de Weiwei e suas amigas, resolvi colocar a matéria e a música do filme 2046. Para recuperar a sensualidade e o saudosismo.

“Weiwei agora é acusado por 'espalhar pornografia' na web


Artista dissidente chinês se diz vítima de perseguição política
DE PEQUIM- Folha de São Paulo - 19/11/2011.

O artista dissidente chinês Ai Weiwei afirmou ontem que a polícia interrogou seu assistente por "espalhar pornografia on-line".
O cinegrafista Zha Zhao teria sido convocado pela polícia para explicar uma foto, tomada no ano passado, em que ele aparece ao lado de quatro mulheres, todos nus.
"Se eles veem nudez como pornografia, então a China ainda está na dinastia Qing [1644-1911]", disse o artista chinês contemporâneo mais reconhecido mundialmente.

A foto, intitulada "Um Tigre, Oito Seios", é alusão ao Comitê Central do Partido Comunista, formado por nove membros, entre os quais o dirigente máximo, Hu Jintao.
"Eles disseram: 'Esta fotografia é obscena'. Eu disse: 'Não sabia disso, o que há de obsceno?'. Eles disseram: 'É simplesmente obsceno'. Eles já decidiram isso", descreveu Zhao, em declarações a jornalistas estrangeiros.
Zhao afirmou que, por enquanto, só ele está sendo investigado e que não há nenhuma acusação formal.

A investigação é o mais recente capítulo dos problemas de Ai Weiwei com o governo chinês. Nas últimas semanas, ele realizou uma campanha pela internet para arrecadar dinheiro e pagar uma multa de US$ 2,4 milhões por sonegação fiscal.
Nesta semana, ele depositou US$ 1,3 milhão, o que lhe dá direito de contestar a multa. Ai Weiwei, porém, disse que não tem nenhuma esperança de reverter a decisão.
Neste ano, o artista passou 81 dias na prisão.
Ai Weiwei afirma que está sendo perseguido por causa de suas reiteradas críticas ao Partido Comunista.

Em junho, quando deixou a prisão, disse que teria de passar um ano sem conceder entrevistas e sem escrever no Twitter. Nas últimas semanas, porém, Ai Weiwei voltou a falar com jornalistas e a escrever no microblog.”

Nat King Cole com Quizas, Quizas, Quizas.



- Não consegui colocar a foto. Freud explica...

A fotografia “Um Tigre Oito Seios” é o motivo da nova investigação sobre Ai Wei Wei (DR)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Dilma chora?

Sim, Dilma tem coração e sentimentos

Sou assinante do jornal O Estado de São Paulo e faz tempo que não vejo uma matéria afetiva no jornal. Normalmente quem escreve de forma mais humana é a jornalista Vera Rosa. Desta vez, a dupla, Rafael e Tânia, superou Vera Rosa e fez uma matéria tão carinhosa que resolvi reproduzi-la para vocês.

O pessoal já devia saber que, quem gosta de Arte e Cultura, geralmente tem bom coração e bons sentimentos. Prestem atenção que sempre que Dilma viaja, ela separa um tempo para visitar museus e assistir a alguns consertos. Além de ser Mãe e Avó. Pessoas como Dilma são sensíveis aos necessitados e gostam de fazer “políticas afirmativas”. Parabéns aos jornalistas, ao jornal e especialmente a Dilma. Nossa presidenta.

Vejam que matéria acolhedora:

“Dilma chora quando 'vale a pena ser presidente'


Sexta, 18 de Novembro de 2011, Rafael Moraes Moura, Tânia Monteiro/Brasilia

Em meio a mais uma crise política que pode levar à queda do sétimo ministro do seu governo, a presidente Dilma Rousseff abandonou por alguns instantes a imagem de gerente durona, se emocionou e chegou até a chorar ontem, durante anúncio de pacote de ações para portadores de deficiência, em cerimônia no Palácio do Planalto.

O Plano Nacional dos Direitos da Pessoa Com Deficiência
prevê uma série de ações para esse público, como reserva de 5% das vagas do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), aquisição de 2,6 mil ônibus acessíveis para alunos com deficiência, adequação arquitetônica de 42 mil escolas públicas e desoneração tributária em impostos federais sobre produtos e equipamentos de assistência, conforme o Estado antecipou ontem.

O pacote, que prevê investimentos de R$ 7,6 bilhões até 2014, era visto no Palácio do Planalto como "xodó" de Dilma e da ministra Gleisi Hoffman (Casa Civil). A elaboração das estratégias mobilizou 15 pastas do governo, sob a coordenação da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência.

Choro. Logo no início do discurso, ao se referir às filhas do deputado Romário (PSB-RJ) e do senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que têm Síndrome de Down. "Queria dirigir um cumprimento especial, também, ao Romário e à menina... às duas menininhas que aqui tivemos uma cena, assim, maravilhosa e enternecedora: a filha do Romário carregando a filha do Lindbergh. Queria cumprimentar as duas", discursou Dilma. "Eu acredito que, em alguns momentos, a gente considera que eles são muito especiais, e aí, queria dizer que hoje este é um momento em que vale a pena ser presidente", continuou, com a voz embargada e limpando os olhos.

Dilma foi aplaudida de pé e depois aclamada ao coro de "Olê-olê-olê-olá-Dilma-Dilma" pela platéia - uma cena que espantou a frieza típica dos seus eventos e lembrou até as aclamações populares dos tempos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Logo depois, no entanto, a presidente foi interrompida por uma mulher: "Assina a lei do autista (projeto de lei que institui a política nacional de proteção dos direitos da pessoa autista), pelo amor de Deus!", disse. Após a pausa, Dilma continuou o discurso, sem responder à mulher.

Em abril, ao comentar o episódio em que um atirador matou estudantes de uma escola em Realengo, no Rio,
a presidente também chorou.”