sábado, 29 de outubro de 2011

"Vidas dos Artistas" como Da Vinci e Michelângelo

Imperdível, apesar do preço

Se o Brasil fosse um país sério, comprava um exemplar para cada escola e biblioteca. É impossível pensar o Renascimento sem tomar conhecimento deste livro. É como conhecer Marx e Freud só a partir de textos escritos por outras pessoas.

Em português já existe um outro clássico da pintura e escultura, escrito por E. H. Gombrich, “A História da Arte”, que também é imperdível. Um complementa o outro.
Na música é a mesma coisa. Existem vários bons livros sobre a música e os compositores. Por exemplo, outro dia compramos na Sala São Paulo, o livro de Harold C. Schonberg, “A Vida dos Grandes Compositores”. Erudito e mais para quem já conhece o assunto.

Outro dia quando fui tomar um cafezinho na livraria Martins Fontes da Praça Patriarca, além de tomar o café, acabei encontrando um livro raro e muito interessante: “Uma História da Música para Crianças”, escrito por Monika e Hans-Gunter Heumann e também editado pela Martins Fontes. Comprei pensando nas crianças e adolescentes, mas o livro é muito bom para todo mundo.

É outra obra que deveria estar em todas as escolas e biblioteca. Dinheiro não é problema, por que com apenas nove anos de idade eu e muitos amigos já estávamos aprendendo música na Filarmônica 30 de Junho, de Serrinha - Bahia, isto em 1962.

Por falar em arte, fotografar Moisés, o original, numa velha Igreja de Roma, é como voltar no tempo e recuperar quanto a humanidade já fez e ainda pode fazer.Moisés nos reporta ao Egito antigo, ao judaísmo, ao cristianismo e ao Renascimento. E a arte é a melhor forma de registrar a História. Conhecer a História da Humanidade pela Arte é bem melhor do que pela História das Guerras.


Enfim, vejam a boa crítica escrita por Fábio Cypriano:

Primeiro livro de história da arte sai em português
"Vidas dos Artistas" reúne trajetória e técnicas de produção de pintores
FABIO CYPRIANO - CRÍTICO DA FOLHA SP – 29out2011

"O contorno das pernas é belíssimo, enquanto os flancos esbeltos têm inserções divinas; nem se viu jamais pose tão suave e graciosa que se lhe equipare."
A descrição um tanto apaixonada não faz parte de um romance: é como Giorgio Vasari (1511-1574) apresenta o famoso Davi, de Michelangelo, esculpido entre 1501 e 1504.
Seu livro "Vidas dos Artistas", publicado em 1550, lançado, agora, na íntegra, pela primeira vez no Brasil, e mesmo em língua portuguesa, foi o primeiro grande compêndio sobre os artistas do Renascimento, num misto de relato biográfico e considerações pessoais.
Muito do que se sabe sobre Leonardo da Vinci (1452-1519) e sobre o próprio Michelangelo (1475-1564), de quem Vasari era amigo, é conhecido por conta de sua narrativa preciosista e empolgada.
A primeira parte do livro aborda as diferentes técnicas de produção da arquitetura, escultura e pintura da época e a vida de mais de cem artistas, divididos em três fases.
Na primeira fase dos relatos biográficos, que tem início com Giovanni Cimabue, Vasari fala de artistas que começaram a imitar os antigos.
Na segunda, o autor trata dos que inventaram o uso da perspectiva, como Botticelli e Andrea Mantegna.
Finalmente, na terceira fase, ele aborda de Da Vinci até Michelangelo, porque depois dele, deixa claro, nada restava a um imitador fazer.
A narrativa, recheada de adjetivos, nem de longe coloca dúvidas sobre a pesquisa minuciosa para a publicação de 500 anos. Sobre "A Última Ceia", de Da Vinci, o afresco na parede de um convento em Milão, apontada como uma das obras seminais do Renascimento, o autor chega a relatar detalhes de bastidor:
"A nobreza da pintura [...] provocou no rei da França o desejo de levá-la ao reino, coisa que ele tentou por todos os meios, pensando em recorrer a arquitetos que com vigas de madeira e ferros a sustentassem de tal maneira que ela pudesse ser levada incólume". O esforço, conclui, foi em vão.
Vasari foi também pintor e arquiteto, mas o que de fato o fez fundamental foi ter iniciado uma narrativa tão bem articulada a ponto de ser tido como pai da história da arte.

VIDAS DOS ARTISTAS
AUTORA Giorgio Vasari
EDITORA WMF Martins Fontes
TRADUÇÃO Ivone Castilho Bennedetti
QUANTO R$ 125 (856 págs.)
AVALIAÇÃO ótimo

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