terça-feira, 18 de outubro de 2011

Uma Greve e muitas Histórias

Muitos lutaram e todos se beneficiaram

No dia 05 de Agosto, no início da Campanha Salarial deste ano, Daniel Reis, diretor do nosso Sindicato, enviou-me uma proposta de texto para eu colocar neste blog. Além do texto de Daniel, divulguei também um texto sobre a campanha salarial de 1985 e o nascimento da minha filha naquele 05 da Agosto: "Uma foto e muitas histórias".

Hoje, ao chegar ao trabalho, além de ver o sol brilhando nos prédios do Centro de São Paulo, ouvi vários diretores e assessores do sindicato comentando que tinham voltado a ver os filhos, os netos e as esposas ou maridos.

Era como voltar para casa depois de uma guerra. E não era qualquer guerra. Fazer uma greve em si já é difícil, organizar uma greve no Brasil inteiro, do Amapá ao Rio Grande do Sul é muito mais difícil. E levar esta greve nacional à vitória, depois de 21 dias de paralisação, é ainda muito mais difícil. E os bancários de São Paulo, com seus colegas do Brasil, tinham conseguido. Não foi a primeira vitória e não será a última. São 88 anos de existência do nosso sindicato e os jornais e boletins registram estas lutas e estas vitórias.

Daniel, representando os pais de famílias, que deixaram de ver as filhas e os filhos, deixaram de ver os sítios e as flores existentes nestes sítios, deixaram de fazer feira e supermercado, todos estes homens e mulheres estão de parabéns.

Juvândia, nossa presidenta, ainda é jovem e solteira, não tem filhos. Teve seu grande desafio, como primeira mulher eleita presidenta do nosso sindicato, no seu primeiro ano na função de presidenta eleita e negociadora pelos bancários de São Paulo. O maior e mais importante sindicato dos bancários do Brasil.

Vejam esta foto. Juvândia falando para os bancários durante a greve. O sol separa a dirigente dos grevistas. Mas eles escutam com atenção. Até por que Juvândia é ótima oradora. Fala com calma, firmeza e lucidez. Assim, sem pressa, conduziu as negociações, as manifestações, as comissões de esclarecimentos ou piquetes e orientou o material de comunicação.

Carlos Cordeiro é o presidente da Contrafcut, Confederação Nacional dos Bancários da CUT, entidade nacional e coordenadora nacional da campanha. Carlão, como é conhecido, tem três filhas adolescentes. Também pouco viu suas filhas e sua esposa durante estes 21 dias de greve. A cada campanha salarial Carlão cresce como articulador e porta-voz dos bancários do Brasil.
Esta campanha salarial vitoriosa tem muito a ver com os estilos de Juvândia e Carlão.

E nós, os presidentes das gestões anteriores, como mostra esta foto recente, damos parabéns a estes jovens que estão dando continuidade ao nosso trabalho e à nossa luta.

Da esquerda para a direita:
Ricardo Berzoini, Gilmar Carneiro, Luiz Gushiken, Juvândia Moreira,
Augusto Campos, João Vaccari e Luiz Cláudio Marcolino.

Precisamos agora comemorar mais esta conquista e registrar nos anais da nossa história, tanto a história do sindicalismo, como também a história que deve ser ensinada nas escolas para nossos filhos e nas faculdades para que os jovens aprendam que tudo que eles têm foi conquistado com luta, com greve, prisões, ausências da família e, muitas vezes, demissões e morte, como Salvador Tollezano, Santo Dias da Silva e muitos outros.

Da mesma forma que o Brasil está reescrevendo sua história e incluindo a contribuição dos negros, precisamos reescrever nossa história para incluir a contribuição da classe trabalhadora na construção do nosso país.

E que, aqueles bancários que se beneficiaram das conquistas desta campanha salarial mas não participaram da greve, aprendam que, se muitos mais participarem, as conquistas serão maiores e o mundo será mais justo e mais fraterno.

E nos meses de Setembro sempre temos as campanhas salariais e as primaveras. Espero que as flores das primaveras sempre ajudem os bancários e os trabalhadores em geral a construírem um Brasil melhor, um Brasil para todos.

8 comentários:

  1. Sugiro que você coloque o nome das pessoas na foto. Conheço alguns (você, por exemplo).

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  2. Em respeito aos leitores e a um ex-bancário que participou das greves na época de 70 e 80, acrescentei os nomes de todos os presidentes, desde 1979. Primeiro foi Augusto Campos; segundo Luiz Gushiken; terceiro Gilmar Carneiro; quarto Ricardo Berzoini; quinto João Vaccari; sexto Luiz Cláudio Marcolino e sétima Juvândia Moreira.

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  3. FORA DE PAUTA

    “Era como voltar para casa depois de uma guerra. E não era qualquer guerra.” (Gilmar Carneiro)

    Temos muitas guerras a enfrentar ao longo de nossas vidas.

    Renascer, crescer, viver, trabalhar, criar, envelhecer, desencarnar.

    Nessa profusão de atividades que nos são próprias, há as coletivas, que nos demandam cuidar da natureza, das flores e do ambiente.

    Do ambiente político, econômico e social.

    Dentre tantas tarefas vamos deixando pra depois o que nos parece menos importante.

    Um dia, confrontamos a realidade a nos perturbar. Uma tarefa passou e hoje assola o país.

    Impunidade é o nome da “coisa”.

    São tantas as impunidades que nos perdemos outra vez, sem saber quais atacar mais.

    No blog do Nassif há mais um grito nessa direção: (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/reu-confesso-escapa-de-punicao#more).

    Um crime cometido após uma discussão no trânsito há dezesseis anos, no mês passado foi considerado prescrito.

    Não é necessário falar das chicanas jurídicas e das brechas legais, muito menos da capacidade financeira do homicida.

    É lugar comum em nossa história.

    Pensei em relacionar alguns exemplos dessa banalidade que se transformou o atentado contra a vida no Brasil.

    O condenado que fugiu da prisão num indulto de páscoa e matou duas irmãs adolescentes em Cunha SP; o professor que mata a aluna de Direito em Brasilia; a mãe que contrata capangas para matar a própria filha para investir sua paixão no namorado que era seu genro, em Brasília.

    Bobagem. O espaço desse blog e de mais mil outros não seriam suficientes.

    Em recente estudo publicado por organismos vinculados a ONU o Brasil detém 10% dos homicídios praticados no mundo em 2010.

    Gilmar Carneiro vem divulgando seu pensamento sobre as misérias brasileiras.

    Das várias que nos afligem, ele aponta para uma muito importante: - nova Constituinte para retomarmos agora um novo controle social sobre o Poder Judiciário, seu portfólio legal e uma nova dimensão a se estabelecer pela vida e contra a impunidade.

    Vai ser uma guerra, Gilmar! E não será qualquer guerra.

    Com todo o respeito a essa guerra recém finda na campanha dos bancários, aos quais registro meu respeito e admiração, anoto que há mais uma demanda social pela frente, a de envolver todas nossas entidades, sindicais inclusive, nessa guerra contra a impunidade, um câncer a consumir o tecido social, que ressentido, está quase na situação de irremediável.

    Mas ainda há tempo, e se não faltar vontade política, os brasileiros e brasileiras vencerão mais uma guerra.

    Viva a Vida!

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  4. É só liberar os corações, que as pessoas começam a mostrar seu lado bom. Ler as palavras de Sérgio é como ouvir as pessoas que presenciaram a pregação de Cristo. Os simples passaram a ser porta-vozes da vida eterna.
    Aos poucos conseguirem acabar com esta barbárie jurídica e na mídia.
    A fé ainda remove montanhas e semeia primaveras.

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  5. Com muito orgulho e pouca modéstia, quero lembrar que tanto o Carlão quanto a Juvândia passaram pelo curso de formação de dirigentes organizado pelo papai aqui na CNB (atual Contraf).

    Bons tempos... como a gente ganhava pouco!

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  6. Valeu camarada Gilmar! Abraços, William

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  7. Belo post, Gilmar.
    um abraço
    do amigo
    renato rovai

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  8. Muito bom, Gilmar! Justa homenagem à luta e ao trabalho de todos.

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