domingo, 16 de outubro de 2011

Sem flores e com serpente

A serpente política Madeleine Albright

São dois dias de chuvas na cidade de São Paulo. Tirei fotos maravilhosas para colocar no blog, mas o computador está insuportável. Travou a impressora desde ontem, não consigo salvar as fotos. É uma das razões do por que os computadores são cada vez mais individualizados, quando são de uso coletivo, o risco de, quando você precisar dele, não estar disponível é muito grande. Mas, faz parte da vida coletiva. Aprender juntos e ser tolerante com os erros e não conhecimentos dos outros. Faz parte da democracia aprender a “amar o próximo”.

Já que não consigo divulgar as fotos,
vou colocar a introdução da ótima entrevista publicada no Estadão de hoje, feita por Laura Greenhalgh com Madeleine Albright. Não vou publicar toda a entrevista por que é longa, mas vale a pena ser lida. Esta mulher foi muito poderosa na década de 90 e representava uma forma de confronto com quem não concordava com a linha americana. Nesta entrevista ela está mais cuidadosa e fala coisas muito interessantes.

Mas uma vez, parabéns ao Estadão e a Laura pela iniciativa. Precisamos aprender com a direita, com a esquerda e com o centro. Todos são importantes, principalmente se respeitarem a Democracia. Muitos dos citados por ela nesta entrevista já se foram...

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-charme-da-serpente,786072,0.htm

O charme da 'serpente'

Saddam a comparou aos ofídios. Pois ela usou a ofensa para compor o insuperável 'estilo Madeleine Albright', que marcou a virada do século 21

16 de outubro de 2011 | 3h 10 - Laura Greenhalgh - O Estado de S.Paulo

Madeleine Albright estava de bom humor na manhã da última sexta-feira. E não apenas porque abraçara o primo que vive em São Paulo e ela não conhecia, como contou cheia de entusiasmo, ecoando incredulidade: "Cousin Pedro, my cousin Pedro...". Não fosse esse motivo suficiente para uma dose matinal de alegria, o bom humor poderia ser traduzido num detalhe vistoso espetado no vestido marinho, na altura do ombro esquerdo: um broche em formato circular, de ouro e salpicado de pedras, representando uma guirlanda de flores. Para quem transformou em código diplomático sua formidável coleção de broches, ou "pins", para os americanos, coleção que foi até alvo de uma exposição no Museu de Artes e Design de Nova York, pode-se concluir que o estado de espírito da primeira mulher secretária de Estado dos Estados Unidos, na sexta chuvosa em São Paulo, chegava a ser primaveril.

Para Saddam Husseim, ela reservava o broche em forma de serpente. Com Arafat usou outro em forma de abelha. Putin assustou-se ao vê-la com um adereço que lembrava um míssil na lapela do tailleur, e assim, de broche em broche, a ex-representante dos EUA na ONU e ex-chefe do Departamento de Estado, cargos que ocupou na era Clinton, firmou seu estilo pessoal. De passagem pelo Brasil nessa semana, quando visitou o chanceler Antonio Patriota, jantou com Fernando Henrique e palestrou para homens de negócios, Madeleine Albright também concedeu esta entrevista exclusiva ao caderno Aliás, repassando páginas da diplomacia americana, a relação com chefes de Estado, sua visão de um mundo "mais complicado hoje, nos dias do presidente Obama, do que nos dias do presidente Clinton" e ainda opinou sobre acontecimentos recentes, como os levantes em países árabes e as manifestações populares que agitam cidades americanas. Prevê que o bordão "it's the economy, stupid", usado em campanha por Clinton, voltará contundente na próxima corrida presidencial americana - convertendo-se numa espada sobre a cabeça de Obama e num argumento de ocasião para os republicanos.

A secretária Albright, como ainda hoje é chamada, uma das personalidades decisivas do mundo que se seguiu ao desmoronamento soviético, conta a seguir histórias de sua vida, de família e de carreira, ressaltando que "ser mulher é bom e divertido" - e que o diga a boa forma de seus 74 anos. Prega que as companheiras no poder ainda se ajudem mutuamente. De Hillary Clinton, uma de suas melhores amigas, não arrisca predizer o futuro. "Num fórum sobre democracia na Polônia, no ano passado, ela nos impactou ao revelar como ficou tocada com o gesto de Obama ao convidá-la para seu governo, e como está comprometida com suas funções no Departamento de Estado. E olhe que ambos competiram pesado pela indicação democrata...", pondera. Sobre outro vulto feminino na política americana, Sarah Palin, o falsete mais estridente do Tea Party, Madeleine prefere nem comentar. Não é fatia de bolo que acompanhe seu chazinho...

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