sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Primavera de Sangue e Barbárie

Líbia, a loucura humana dos dois lados

O quê levou Kadafi a ficar cego à sua realidade? O quê faz uma pessoa querer ficar como “dono do poder” por 40 anos? Por que em pleno século 21 ainda temos monarquias e absolutismos?

Por que Kadafi não fez uma transição como no Egito? Ou por que ele não renunciou e passou para seus ministros fazerem uma transição democrática? Ele que derrubou uma monarquia e viu o país ficar rico, não soube passar o bastão para novos governantes. Ele virou um monarca, como profecia shakespeariana.

Por que, em nome da primavera, carregamos canhões e executamos prisioneiros como se fossem galinhas? O quê virá depois das primaveras? Quando será resolvida a primavera do Irã? Como ficará a Síria? E as nossas primaveras?

A democracia e os valores ocidentais ainda não conseguiram ser referências sólidas para o Oriente Médio e a Ásia. Mesmo Israel que é um país com valores ocidentais, cada vez mais fica parecido com os países do Oriente Médio. Os Ortodoxos estão mandando no país e a liberdade, nos valores ocidentais, está ficando em segundo plano.

Por apoiar quem luta contra os ditadores no Oriente Médio, o Ocidente não pode ser avalista da barbárie. A liberdade não pode se transformar em banho de sangue nem em execuções sumárias. Os países ocidentais não têm uma tradição muito longa de democracia e liberdade. Até aqui no Brasil, muitos que comemoram as primaveras no Oriente Médio, até recentemente apoiavam a ditadura militar e se beneficiaram dela. A Liberdade deve ser um modelo para todos os povos. O Ocidente e os países Latino Americanos precisam avançar mais na sua Democracia.

Estamos a menos de um século das últimas guerras mundiais. A primeira guerra mundial gerou vários monstros que atuaram na segunda guerra mundial. O Japão que foi um dos vencedores na primeira guerra, foi ocupado na segunda e o povo japonês pagou pelos erros de seus militares e governantes.

Os americanos jogaram duas bombas atômicas sobre o Japão
como retaliação pelos ataques a Pearl Harbour. A guerra já estava ganha e as crianças, mulheres e velhos que estavam em Hiroshima e Nagasaki não podiam ser responsabilizados pela brutalidade dos militares.

Como canta Ney Matogrosso: “Pensem nas crianças, nas meninas, nas mulheres...

Pensem N'A ROSA DE HIROSHIMA

4 comentários:

  1. Ao falar das primaveras e das guerras recebi pela primeira vez uma visita da Polônia. É o 43o. país a visitar nosso blog.
    Os poloneses sabem bem os sofrimentos que as guerras trazem.
    Mas nunca deixaram de se renovar e acreditar nas flores e na música.
    E uma menina brasileira, neta de poloneses, está fazendo bonito nos Jogos Panamericanos.
    Um Brasil tem um pouco de cada parte do mundo, principalmente dos Árabes e Mouros.

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  2. Companheiro Gilmar Carneiro,

    Os valores da democracia e liberdade são fundamentais para um ambiente social de paz, em qualquer parte do mundo onde existam seres humanos, mesmos diante das distintas culturas. A democracia é elementar para ajustar os caminhos de uma sociedade que tem no seu seio diferentes e até antagonicos interesses. A liberdade, não pode ser só no conceito americano, tem que ser no conceito mais amplo, do ser humano gozar da liberdade de ter acesso a terra, comida e vida digna!
    Parabéns pelo texto "Primavera de Sangue e Barbárie" e outros que tens publicado neste teu blog, que nos ajuda a refletir sobre o mundo que vivemos com suas diversidades e suas distorçoes.
    Ricardo Jacques
    Secretario de Relações Internacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro - CUT.

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  3. Israel nunca foi democracia, Gilmar. Os não-judeus nascidos lá são cidadãos de segunda... não, de terceira classe.
    A propósito da Libia, o George Bourdoukan, uma boa referência para o mundo islâmico, começou uma série de posts. Vale a pena dar uma olhada. Tem link no meu blogzinho.

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  4. Estamos vivendo, no mundo e na província, momentos de conflitos humanitários que provocam dor e perplexidade.

    A mentira está mais forte e exalando fétido odor degradante aos que não engolem essa hipocrisia.

    A tempestade de informações que recebemos dando conta de que o planeta se livrou de um monstro, beira o ridículo.

    A fundamentação de que a "revolta popular" chegou ao clímax e agora começa a democracia é patética.

    Posse da matéria, multiplicação da moeda, subjugação de povos e países, tudo mascarado por proclamação de filosofias modernas, porém, inexistentes.

    Assistimos a ONU chegar ao cúmulo da ineficiência perdendo sua razão de existir.

    Restou o teatro do fórum das nações enquanto os fuzis demonstram quem manda e decide para onde vamos.

    Na província, enquanto a bala ainda não é necessária (na avaliação dos poderosos), utiliza-se a alternativa da metralhadora da palavra que esfacela indivíduos e instituições.

    De novo assistimos manifestações de quem manda e quer decidir o que devemos fazer.

    Viver nesse mundo de conflitos entre quem manda e quem deve obedecer para não perder o juízo (e o pescoço) é tarefa dolorosa.

    Não se trata de requerer para os que estão sendo degolados individualmente o reconhecimento da honradez e da probidade.

    Essa é outra história, que deveria ser tratada pelas convenções estabelecidas para identificação de eventuais desvios e, se comprovados, aplicando-se o que prega as mesmas convenções.

    A forma do revólver na cintura para ser usado conforme a conveniência é que assola nossa condição de reféns a que estamos sendo submetidos.

    Não há nada de novo no horizonte de hoje do que houve nos dias, meses e anos pretéritos.

    De fato, foi engano meu que o século XIX havia ficado no passado. Vive hoje plenamente, apenas com novas fantasias.

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