terça-feira, 11 de outubro de 2011

O Brasil Invertido

Executivos ganham muito e escriturários ganham pouco

O Dieese e os Sindicatos estão sempre denunciando a má distribuição de renda no mundo do trabalho brasileiro. O curioso é que a partir dos governos neoliberais a diferença entre o salário de um bancário e a maior remuneração paga aos executivos brasileiros aumentou muito.

Na matéria abaixo, publicada por Luis Nassif, ele divulga um estudo feito por uma grande empresa americana no Brasil. Os executivos brasileiros estão ganhando bem mais do que os americanos. Principalmente na área financeira. Um diretor executivo de um grande banco no Brasil ganha até 10 milhões de reais por ano, enquanto um escriturário do mesmo banco ganha 22 a 25 mil reais no ano. A diferença é a maior do mundo. Ganha da taxa de juros da Selic...

E os banqueiros ainda obrigam os bancários a fazerem 15 a 20 dias de greve por ano para ter um aumento real de apenas 0,5 ou 1%. E muitos juízes ficam a serviço dos banqueiros. E o governo fecha os olhos, como se não tivesse responsabilidade. Voltamos a Chico Buarque: “Chame o ladrão!...”

“O mercado de executivos no Brasil

Coluna Econômica Luis Nassif - 11/10/2011

Há um dado pouco analisado dos preços no Brasil: o índice de custo de vida da classe A/B, assim como os salários desse segmento, que abarca a média e alta gerência das grandes corporações.

Mais antiga empresa de RH (Recursos Humanos) dos Estados Unidos, desde 2007 no Brasil, a Robert Half identificou alguns aspectos distintos da realidade norte-americana e europeia. Primeiro, os salários. Nesses extratos, os brasileiros costumam ser o dobro dos demais países. – mesmo levando em conta o dólar apreciado.

Nos Estados Unidos US$ 15 mil mensais para um CFO (diretor financeiro) é um tremendo salário. No Brasil, é de R$ 60 mil para mais.
O detalhe é que o custo de vida – para classes de alto consumo – é igualmente elevado. Por exemplo, um carro de R$ 100 mil aqui custa US$ 15 mil nos Estados Unidos. Lá, paga-se US$ 150 mensais pelo leasing de um carro médio; aqui, R$ 1.500,00.

O aquecimento do mercado brasileiro de média gerência tem provocado dois fenômenos, De um lado, o enorme desejo de executivos estrangeiros de virem para o país. Dois fatos seguram essa migração: a dificuldade do domínio do português, por parte deles; a falta de cultura das empresas, para assimilar executivos externos. Por isso a oferta maior tem se dado nos setores financeiro e de óleo e gás.
O segundo fenômeno é a intensa rotatividade que se observa na área.

As multinacionais já instaladas têm dificuldade em rebater propostas de fora. Em geral, estão engessadas em faixas rígidas de salário. Até o ano passado, havia alguma folga entre salários médios e o topo da faixa. Este ano, menos. O que deve estimular ainda mais a rotatividade. Além disso, hoje em dia as faculdades não estão conseguindo formar nem 10% da mão de obra necessária.

Além disso, uma das características da moçada que entra é o não compromisso com a empresa. Não existe a fidelização. Muitos deles entram no mercado de trabalho já com a cultura dos fundos de aposentadoria e sonhando em se aposentar aos 45 anos. Associam qualidade de vida à aposentadoria.

Esse sentimento é mais intenso nos setores em que a maior parte da remuneração é associada ao desempenho individual, em especial o mercado financeiro. Especialmente entre os traders não há saúde que resista à pressão por resultados.

Um dos pontos que terá que ser trabalhados pelos departamentos de RH é o final desse período de lambança que sacudiu o mercado nos últimos anos. Houve casos de rapazes de menos de 30 anos que chegaram a ganhar R$ 1 milhão/ano.

Com o fim do ciclo financeiro, os bancos terão que mexer na remuneração, aumentando o fixo e reduzindo os bônus.”

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