domingo, 9 de outubro de 2011

Não subestimem Meirelles

Os empresários acharam seu candidato

Era evidente para todo mundo que ainda não tinha aparecido o candidato dos empresários para a prefeitura de São Paulo. Existem vários candidatos na praça, mas, na verdade, nenhum ainda empolgou ninguém. Estamos vivendo um processo de “ensaios”, onde os partidos lançam nomes para ver se pega. Chalita pode entusiasmar os católicos e o pessoal de Alckmin, mas não demonstra ser o candidato da classe média.

O caso mais complicado é do PT. Por que , além de ter que congelar sem trauma a candidatura de Marta, precisa evitar prévias com candidatos que só querem marcar posição para se credenciar para as eleições de 2014. E o “candidato oficial” tem possibilidade de crescer, mas não é a mesma coisa que a situação de Dilma.

Henrique Meirelles veio para alterar o jogo. Isto é, veio para ser um candidato que tem mais a ver com a cara de São Paulo. Executivo bem sucedido, foi o presidente do Banco Central mais longevo no Brasil, ajudou o governo Lula a por ordem na economia e foi o grande articulador da Associação Viva o Centro. Melhor iniciativa que a cidade já teve para defender a qualidade de vida no centro decadente de São Paulo.

Dizer, como alguns estão dizendo, que Meirelles não tem apoio da “periferia” é uma grande bobagem. A periferia não é pessoa física nem jurídica. Se este raciocínio vale para “o mercado financeiro”, também vale para a “periferia” ou a “classe média”. Alguns petistas subestimaram o plano real, comparando-o com os planos econômicos anteriores. Não foi falta de aviso. A periferia quer ser classe média e a classe média não quer virar periferia. Este é o enigma!

Como Deus escreve certo por linhas tortas, o Brasil precisou passar pelo neoliberalismo de Fernando Henrique para depois viver a experiência do melhor presidente que o país já teve. Mas, diga-se com todas as letras, Lula também melhorou muito. E Dilma tem representado uma continuidade mais aberta do governo Lula. Aberta no sentido de incluir também a classe média das grandes cidades nos objetivos do “governo democrático e popular”.

Na verdade, agora podemos dizer que caminhamos para ter dois bons candidatos a prefeito de São Paulo: Um apoiado pela centro-esquerda, mas de perfil que tem pouco de esquerda; e outro apoiado pela centro-direita, mas que tentará se colocar acima de todos os partidos políticos e com o compromisso de ser “o grande executivo que a cidade precisa”.

Curiosamente, são dois candidatos bonapartistas. Isto é reflexo da crise mundial que vivem os partidos políticos. Estes sozinhos já não podem representar à sociedade. Como a monarquia passou, este tipo de representação está na hora de dar lugar a algo novo.

O prefeito atual, que também é presidente do partido de Meirelles, é um dos grandes responsáveis pelo caos que a cidade vive. Sem contar a responsabilidade do padrinho do prefeito atual. Serra atuou como anti-PT, caiu para a extrema direita, beirando o fascismo eleitoral e agora se aproxima de tudo que possa prejudicar os candidatos petistas.

Como a Copa do Mundo, o jogo está apenas começando. Mas não dá para prever quem será o vencedor. Nas últimas eleições municipais, todos perdemos. Vamos ver se estes dois candidatos mais credenciados firmam um compromisso de priorizar a melhoria da cidade, em vez de priorizar interesses pessoais ou partidários.
A sorte está lançada!

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