quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Mantega na Fiesp

Mantega incentiva investimento e
promete generalizar desoneração da folha de pagamento


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, esteve na Fiesp nesta segunda-feira (03/10/11) onde almoçou com o presidente Paulo Skaf, diretores e conselheiros da entidade. Logo após o encontro, o ministro concedeu entrevista coletiva para detalhar os temas abordados no almoço e se mostrou confiante na posição do Brasil diante do cenário internacional. Além de analisar a situação macroeconômica do país, o ministro falou dos planos do governo para generalizar a desoneração da folha de pagamento, com redução na contribuição previdenciária que seguirá priorizando o setor industrial.

Crise
Para Mantega, atualmente o que mais aflige as classes produtoras, a Fiesp e todos os brasileiros é a crise internacional. Segundo ele, existe o perigo de agravamento do ambiente externo em função da elevada dívida soberana de alguns países europeus. Mesmo assim, acredita que as economias desenvolvidas saberão lidar adequadamente com essa situação, até revertê-la. O ministro falou sobre o Fundo de Estabilização criado para socorrer os países mais afetados e abordou amplamente os problemas da Grécia e suas possíveis soluções.

Europa
Guido Mantega salientou que confia na disposição da Grécia em cumprir com as condicionantes estabelecidas para receber as parcelas do programa de apoio que ela possui e afirmou que o Brasil de hoje está muito mais bem preparado para um agravamento da crise do que em 2008, tanto do ponto de vista fiscal quanto monetário. “Temos uma estrutura fiscal sólida, podemos inclusive reduzir impostos; um mercado consumidor dinâmico; juros ainda altos, que podem cair; depósitos compulsórios elevados (R$ 500 bi) e reserva em moeda estrangeira, que hoje é uma vez e meia maior que a de 2008 (US$ 350 bi) – ambas podem virar crédito ao mercado, caso falte.”

Mercado Interno
Para o ministro, um ponto muito importante é preservar o dinamismo do nosso mercado interno e permitir que ele seja usufruído pela produção brasileira. Com mercado interno dinâmico, dependemos menos de exportações, o que nos ajuda, já que os países ricos estão com problemas. “Fortalecemos e vamos manter essa conduta fiscal até 2014 e estamos aumentando o superávit primário.”

Investimento
“Falei para os empresários da Fiesp que continuem investindo, porque o governo está preparado para uma crise crônica e mais branda ou rápida e mais aguda. De qualquer forma, vamos implementar medidas estruturais para continuar reduzindo custos, como os custos de infraestrutura, de energia e de tributos, de modo que a indústria brasileira seja cada vez mais competitiva em um mundo econômico adverso”, informou o ministro da Fazenda.

Câmbio e Juros
Ele lembrou que não existe um patamar ideal para o dólar, considerando o câmbio flutuante vigente no país: “O que existe é câmbio subvalorizado e sobrevalorizado.” Mantega, entretanto, cravou aquilo que seriam os juros ideais para o Brasil, “entre 2% e 3% ao ano, em linha com outras economias emergentes”.
Além disso, o ministro citou que, em momentos de alta do dólar, como agora, a dívida brasileira diminui e as reservas aumentam, o que melhora a relação dívida X PIB do Brasil, uma vez que o país é credor líquido em moeda estrangeira. Isso faz com que o Brasil fique na contramão da maioria dos países e faz com que o Brasil seja visto como um país seguro e mais confiável.

Inflação
Guido Mantega afirmou que vê uma pressão inflacionária mundial e vislumbra uma queda no preço das commodities, o que já estaria em curso, segundo ele. E, nas próximas semanas, devem chegar aos preços dos alimentos e combustíveis. “A inflação está sob controle. A boa notícia é que aqui vemos um movimento de queda de preços. Isso ainda não deu tempo de ser captado pelos índices de inflação, mas será sentido logo.”
Ele comentou que a inflação alta é tão ruim quanto o juro alto. Dessa forma, quando o Banco Central considerar que as condições são adequadas – e nós estamos ajudando a configurar essas condições, aumentando o superávit primário, reduzindo o crescimento das despesas correntes –, o banco central fará essa redução dos juros. Isso pode ser em um, dois ou três anos. Isso eu não sei e não quero saber.

Desoneração da Folha de Pagamento
“A Desoneração da Folha de Pagamentos é fundamental, já que a contribuição previdenciária é, talvez, um dos maiores tributos que nós temos hoje. São 20% sobre a folha. Nós iniciamos um processo de desoneração, começamos com quatro setores, não é fácil fazer isso, portanto foi um caso experimental.”

O ministro explicou que transferir parte disso para o faturamento foi um experimento inicial, a outra opção era passar para a PIS/Cofins.
A idéia é transferir uma parcela inferior ao que se está desonerando na folha, mais ou menos um terço. “Nós vamos observar e aperfeiçoar o procedimento. Nossa idéia é generalizar a desoneração da folha, começando pelo setor industrial (manufatureiro). Vamos discutir com o setor, fazer cálculos juntos porque o que nós queremos não é desonerar totalmente.

A gente não teria recurso para bancar desoneração de R$ 95 bilhões, se fosse o caso de simplesmente retirar todos os tributos da folha.”

03/10/2011 – Cesar Augusto – Agência Indusnet Fiesp.

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