segunda-feira, 31 de outubro de 2011

EUA ameaçam UNESCO e Palestinos

Governo Democrata se acovarda

Parece mentira, quem se lembra na Campanha Eleitoral de Obama com o “Yes, We can”, jamais imaginaria que ele tomaria as posições que está tomando. Seja em relação à Unesco, aos palestinos e aos banqueiros. Não é a toa que o povo americano está em campanha para “Ocupar Wall Street”. Sem Obama, é claro.

Vejam abaixo a triste matéria do Estadão de hoje.

Unesco sofre pressão para rejeitar palestinos

EUA ameaçam cortar sua contribuição financeira
à entidade se adesão da Autoridade Palestina for aprovada em votação prevista para hoje

31 de outubro de 2011 | 3h 04
JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA - O Estado de S.Paulo

A tentativa dos palestinos de tornar seu Estado membro pleno da ONU deve passar por seu primeiro grande teste hoje, data em que a Autoridade Palestina (AP) pediu para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) votar sua adesão ao organismo. Washington alertou que, se a proposta for aprovada, suspenderá sua contribuição financeira à Unesco, o que representa um quarto do orçamento da entidade.

Diplomatas palestinos esperam que a votação ocorra hoje, quando a Unesco abre seu encontro anual na capital francesa. Mas sabem que o tema pode ser adiado por causa da pressão de americanos e europeus. A votação coincidiria com a presença em Paris do ministro de Relações Exteriores da AP, Riyad al-Malki. "Temos a possibilidade de abrir uma nova era para a ONU e para os palestinos", declarou ao Estado o enviado palestino à Unesco, Elias Wadih Sanbar.

A estratégia dos palestinos é simples: na ONU, seu pedido de adesão feito em 23 de setembro terá de passar pelo Conselho de Segurança, onde os EUA têm poder de veto; na Unesco, basta obter o apoio de dois terços dos 193 países que votam.

O presidente americano, Barack Obama, deixou claro que é contra a iniciativa, alegando que apenas um acordo entre palestinos e israelenses pode resultado no reconhecimento de um novo Estado. "Esse voto pode ter sérias repercussões", afirmou a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Victoria Nuland, em nota. "O voto é prematuro e pode minar o processo na ONU em Nova Iorque" disse. "Não acreditamos que o objetivo que todos temos - de ter dois Estados - pode ser atingido por uma organização de ciência e cultura em Paris. Já deixamos claro o que pode ocorrer se a adesão for aprovada", alertou.

Se a pressão americana fracassar, a Casa Branca será colocará em operação duas leis aprovadas em 1990 e 1994, que preveem o fim da contribuição financeira dos Estados Unidos à Unesco. "Esperamos que as autoridades da Unesco entendam que o preço a ser pago pela adesão palestina será muito alto", alertou Nimrod Barkan, embaixador israelense.

Temendo ficar sem dinheiro até para pagar salários e manter programas, a diretora-geral da Unesco, Irena Bokova, publicou na semana passada uma carta aberta pedindo a Washington que não puna sua entidade. Ela lembrou ainda que a Unesco apoia "muitas causas em linha com os interesses americanos" no Iraque e Afeganistão.

Os palestinos e outros membros da ONU já deixaram disseram que estão dispostos a desafiar os americanos. Na semana passada, o Conselho Executivo da entidade aprovou colocar o tema na agenda. Dos 58 países que formam parte do Conselho, apenas quatro votaram contra - Alemanha, Romênia, Letônia e Estados Unidos. Outros 14 se abstiveram, grande parte deles europeus.

O governo francês também tem feito campanha contra a adesão
, alertando que a Unesco "não é a instituição adequada" para tratar da questão do Estado palestino. A adesão à Unesco também teria um efeito prático. Os palestinos são hoje apenas membros observadores e uma participação plena permitiria que pedissem à Unesco a proteção de locais históricos que hoje estão nas áreas ocupadas por Israel.

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