sábado, 1 de outubro de 2011

A crise européia atual e Keynes

Aprendendo com a História

Estava lendo os jornais sobre a crise européia e vim para o computador para “guardar” uma cópia do texto de Guille Lapouge, correspondente do Estadão sobre a recuperação da Espanha. Ao verificar como andava meu blog, observei que “alguém em algum lugar do mundo” acessou três vezes um texto antigo do blog. O texto foi publicado em 9 de maio deste ano e tem como título “O milagre europeu e o american way of life”, baseado no ótimo livro de Tony Judt - “O mal ronda a Terra”. Aborda o milagre econômico que a Europa e os Estados Unidos viveram entre os anos 45 e 75, do século passado. O mundo também se beneficiou deste milagre.

Os tempos atuais são bem diferentes daqueles e tanto a Europa como os Estados Unidos hoje vêem os demais países em situação melhor e não podem mais apelar para guerras bélicas para tomar as riquezas do resto do mundo. Por enquanto as guerras são ideológicas, feitas através da imprensa e das redes sociais, além das instituições internacionais como União Européia, ONU e as regionais.

Ainda é tempo de aprender com o passado, sem negar o presente. Assim, resolvi republicar o texto abaixo, ele continua atualizadíssimo:

10.04 – O Milagre Europeu e o “American way of life”


Com a primeira e a segunda guerras mundiais, o mundo europeu desmoronou.
Keynes, o grande economista inglês, nascido em 1883, cresceu na Grã-Bretanha, que era o maior império da época. Com as duas guerras mundiais, o império britânico acabou. Por que eles não evitaram a tragédia?

“Keynes compeensivelmente concentrou a atenção de seus estudos econômicos no problema da INCERTEZA. Ele passou a insistir na imprevisibilidade essencial das questões humanas.”
“Qualquer tentativa de recolocar a democracia em pé – ou de levar a democracia e a liberdade política a países que nunca as conheceram – teria de lidar com a postura dos governos autoritários.” “Keynes se mostrou sensível tanto à necessidade de políticas econômicas anticíclicas que evitassem futuras guerras, quanto às virtudes preventivas do – Estado da Seguridade Social.”

“Os debates dos anos logo após a guerra se destacavam pelas características moralizantes. Desemprego; Inflação; e preços dos produtos agrícolas.” “Todos temiam as implicações de um retorno aos horrores de um passado recente, e se mostravam dispostos a restringir a liberdade do mercado em nome do interesse público.“

“Os anos 1945-1975 foram considerados quase milagrosos, na opinião da maioria, dando origem ao “American way of life”. Duas gerações de americanos desfrutaram de segurança no trabalho e ascensão social numa escala sem precedentes (e que jamais se repetiria). Na Alemanha, o milagre econômico ergueu a nação no intervalo de uma geração.”

“O resultado geral foi um sucesso notável na redução da desigualdade.“ “Vincular as Classes Médias à democracia novamente era de longe a tarefa mais importante que se apresentava aos políticos do pós-guerra – embora não fosse das mais fáceis.”

“Na maioria dos casos isso foi conseguido graças à magia do “universalismo”. Em vez de vincular os benefícios à renda, ofereceu-se à “classe média” instruída a mesma assistência social e os mesmos serviços públicos destinados aos pobres: educação gratuita, tratamento médico barato ou gratuito, pensões públicas e seguro-desemprego.”

Além disso, Keynes “captou a importância de levar arte de primeira classe, na forma de teatro e outras formas literárias, ao maior público possível, permitindo que a sociedade britânica superasse suas divisões paralisantes.“

“As duas guerras mundiais habituaram quase todos à inevitabilidade da intervenção governamental na vida cotidiana.” “O mercado tinha seu lugar, o Estado garantia um papel central na vida das pessoas, e os serviços sociais tinham prioridade sobre outras despesas do governo.”

Observação: Durante 10 dias (de maio/2011) estaremos divulgando textos do livro de Tony Judt, “O Mal Ronda a Terra”. A sequência será numerada de 10.01 a 10.10. Espero que vocês gostem.

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