sábado, 15 de outubro de 2011

A Crise chega à China

Como uma nuvem ou uma onda

Uma coisa é torcer para não acontecer, outra é trabalhar para evitar, outra também é conseguir evitar que os reflexos da crise americana e européia cheguem à China e, por tabela, aos países fornecedores de matérias prima como o Brasil. Quando falamos desta crise, estamos falando da crise econômica. Os que sonham com uma crise política que leve a uma “primavera chinesa” podem aguardar ainda um bom tempo.

Mas, contra fatos não há argumentos. E, mais uma vez, Gilles Lapouge, talvez por estar em Paris, tenha um olhar mais didático e menos maniqueísta do que a maioria dos nossos analistas brasileiros. A montanha está se movendo...

Sombras sobre a China

15/10/2011- Estadão - Gilles Lapouge – correspondente internacional

Sinais inquietantes chegam da China. Em agosto e setembro, o superávit comercial chinês, tradicionalmente colossal, recuou. A razão é evidente: com a redução do consumo na Europa e nos EUA, a China viu seus mercados encolherem.

Podem-se ilustrar essas dificuldades comerciais pelo pânico que atinge as pequenas e médias empresas (PME) Na província de Zhejiang, 400 quilômetros ao sul de Xangai, que está repleta de pequenas empresas exportadoras, as falências aumentaram. Desde o início do ano, fecharam 72 mil pequenas empresas das 360 mil PME da região. Os jornais de Hong Kong se alarmam. A epidemia de falências assume as proporções de uma "histeria", dizem eles.

Segundo a internet chinesa, fato confirmado pela imprensa, 200 empresários da região desapareceram, no último ano, abandonando seus negócios. Essa hemorragia culminará no período do ano-novo. Trata-se de um hábito chinês: os empresários em dificuldade aproveitam o ano-novo para desaparecer sem pagar seus assalariados.

O mesmo fenômeno é assinalado em outras regiões.
Ocorre que a economia chinesa repousa precisamente sobre as pequenas empresas. Segundo a agência Nova China, as PME criam 80% dos empregos do país. Em Pequim, planos de urgência são imaginados às pressas para aliviar os pequenos proprietários. Esses planos passam por uma reforma do sistema de crédito. A verdade é que os bancos preferem antes emprestar às grandes empresas que às pequenas. Uma consequência disso é que as PME cujos caixas estão vazios recorrem a "sociedades de garantia privadas" que praticam taxas de juros abusivas: no mínimo 20%. Em certos casos, até 100%. É a morte.

A desaceleração da China é observada também em outros países da Ásia
. O Fundo Monetário Internacional (FMI) lançou um alerta. É fato que a região asiática resiste melhor que os EUA e, sobretudo, que uma Europa em debandada. Mas ela começa a sofrer. E sofre, precisamente, por causa da queda de atividade nos outros continentes. A China está doente. Seu mal se chama Estados Unidos e Europa. Pela primeira vez, o FMI salienta "a vulnerabilidade da Ásia e da China à deterioração da zona do euro".

Outro perigo se perfila:
parte das monumentais reservas cambiais chinesas está no Ocidente. Esse é outro pesadelo de Pequim porque essas reservas poderiam se encontrar em perigo no futuro por artes da globalização. / Tradução Celso Paciornik

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