segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ainda a Barbárie

Barbárie Árabe e na Imprensa Brasileira

A semana começa com muitos assuntos para serem abordados. Crise nos Esportes, Banco Panamericano e seus segredos bancários e administrativos, vitória fácil dos peronistas na Argentina, e a guerra suja da nossa imprensa contra tudo que possa ajudar o governo petista. Os corruptos da direita podem tudo e tudo é tolerado, mas qualquer erro ou corrupção vinculado ao governo vai para execração pública.

A transparência e a honestidade são requisitos em tudo. Seja na administração pública ou na privada. O PT, além de governar para o povo, com o povo e pelo povo, deve primar pela boa administração, mesmo que, para isto precise mudar o sistema administrativo brasileiro. A ditadura militar acabou, mas muito da nossas leis ainda são heranças da ditadura. Inclusive a concentração excessiva da imprensa nas mãos de poucas famílias. Vivemos numa economia de mercado e é possível e necessário abrir mais o mercado da imprensa, mesmo para empresas internacionais.

Eu assino os dois jornais conservadores de São Paulo e gosto de reproduzir matérias que considero educativas. Quando eles querem, eles são ótimos. Este artigo de Vinicius Mota sobre a Líbia, por exemplo. Recupera o quanto a humanidade ainda tem de barbárie.

Os gregos ainda são “os pais da civilização ocidental” e nós ainda temos muito a aprender com eles e com os demais filósofos e historiadores.
Vinicius Mota – FSP – 24out11 – pág2.

Vingança na carne

SÃO PAULO - Multidões fizeram fila para ver o cadáver esbugalhado do ditador Gaddafi, disposto numa câmara frigorífica na cidade de Misrata. A exposição dos seus despojos começou assim que foi morto, após a ajuda crucial da aviação de Nicolas Sarkozy -esse Napoleão em versão "pocket".

As imagens da Líbia lembraram o destino dos corpos de Mussolini, pendurado e humilhado numa praça de Milão, e de Ceausescu, fuzilado na Romênia. Evocaram os métodos punitivos utilizados pelos mais sádicos tiranos no exercício do poder.
Cadáveres de inimigos apodrecendo em público, alamedas de crucificados ou de cabeças na ponta de estacas a demonstrar a força impiedosa do império. Restos de rivais alimentando crocodilos no zoo do déspota.

O grego Heródoto, do 5º século antes de Cristo, narra a vingança de Astíages, rei dos medos, contra Harpago, seu general que descumpriu a ordem de matar o recém-nascido Ciro -o qual mais tarde fundaria o império persa. Astíages convidou o traidor para um banquete onde serviu carne do próprio filho de Harpago.

Ao enfatizar a brutalidade dos costumes asiáticos, Heródoto demarcava a distância para os cultivados gregos. Seu contemporâneo Sófocles, dramaturgo, trouxe o debate para dentro de casa. Em "Antígona", a protagonista desafia a ordem do rei de Tebas, Creonte, que proíbe o sepultamento de Polínices, irmão de Antígona acusado de traição.

O respeito à incolumidade dos corpos, dos vivos e dos mortos, é marca antiga e fundamental da civilização. É uma das primeiras fronteiras a serem cruzadas pelos tiranos em todos os tempos.

Um caminho sem volta para esses celerados, como se vê nos epílogos sangrentos de autocratas que caem nas mãos de inimigos ou dos povos que oprimiram. Hitler, consciente disso, com os russos à porta, matou-se e ordenou que queimassem o seu cadáver.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2410201103.htm

Nenhum comentário:

Postar um comentário