segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Obama e a crise econômica

Nassif, a economia e a política

Descompassos entre política e economia

Luis Nassif - Coluna Econômica - 26/09/2011

No final da semana passada, republicanos iniciaram sua ofensiva contra o presidente Barack Obama. Mote principal: ele teria destruído a economia norte-americana.

Obama, de fato, errou no enfrentamento da crise.
Só que a crise foi moldada nos governos Clinton e, principalmente, Bush Jr. e seu mal maior foi não ter enfrentado a hegemonia financeira que comandou ambos os governos.

Esse o problema maior da sincronização entre política e economia. Na economia, os efeitos de maus (e bons) passos não ocorrem imediatamente. O caso norte-americano é exemplar.Durante anos e anos, governantes surfaram nas ondas de um cenário econômico favorável, sem grandeza para enfrentar os problemas que surgiam na economia.Saem populares e a bomba sempre acaba explodindo em governos seguintes - que pagam o preço de medidas impopulares e de um cenário econômico desfavorável. Mesmo que tomem medidas eficientes para conter a crise, os resultados só aparecerão anos depois, com os frutos provavelmente sendo colhidos por seu sucessor.

É esta lógica implacável que está por trás dos impasses para enfrentar a crise atual.Durante décadas, EUA e países europeus implantaram políticas públicas visando a redução do estado de bem estar social. Atingiram a Previdência, sistemas de educação e saúde e permitiram a especulação mais desbragada do sistema financeiro.

Quando a crise explodiu, o receio de uma crise financeira sistêmica levou-os a exaurirem os recursos fiscais para impedir a implosão do sistema financeiro internacional. Reagiram à ameaça imediata e deixaram de lado a raiz da crise: o endividamento de famílias encolhendo substancialmente o potencial de crescimento das economias nacionais.

Um dos principais atos de Franklin Delano Roosevelt para combater a crise de 1929 foi renegociar os contratos hipotecários de todos os inadimplentes. Com isso, devolveu-lhes o poder de consumo. Obama limitou-se a injetar recursos em bancos quebrados. Sem mercado não houve demanda por financiamentos. A dinheirama acabou se espalhando por mercados especulativos.

Agora, chega-se ao impasse.
A crise gera intolerância interna, fruto do desemprego, da falta de expectativas, da sensação do eleitor de ter sido enganado pelas falsas promessas de abundância.Cria-se a guerra política interna, com a oposição exacerbando o clima de intolerância e imputando ao governo muitos erros herdados justamente pela dificuldade em definir claramente relações de causa e efeito.

Quando a presidente Dilma Rousseff, na ONU, declarou que a crise era muito mais por falta de recursos políticos, referia-se a esses impasses políticos prorrogados pela falta de estadistas.Não bastassem as restrições internas de cada país, no plano internacional, tanto o Banco Central Europeu, através do seu presidente Jean-Claude Trichet, quanto o Banco Mundial, através de Robert Zoellick, têm praticado um lobby escandaloso em favor das instituições financeiras.

Sua finalidade é espalhar o terrorismo para criar um sentido de urgência que impeça os governos da Alemanha e da França exigirem a contrapartida das instituições no salvamento dos países endividados – na forma de descontos nas dívidas.

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